A criação de um roteiro televisivo nem sempre é um trabalho solo. Muitas pessoas são envolvidas no processo, revisões são feitas, toques de última hora são sugeridos pelos atores e diretor, enfim, algo que acaba sendo o fruto de diversas mãos. Logo, os pontos de vistas são variados em um espaço de 40 minutos de conteúdo, podendo tomar rumos diametralmente opostos em questão de segundos. Isso, dependendo do show, pode ser uma das suas qualidades, mas geralmente demonstra o caos instaurado na sala dos roteiristas da produção.

Não que a situação esteja caótica em “Jane the Virgin”, mas claramente dá indícios de que há problemas na tomada de decisão de para onde a narrativa deve seguir. Passamos cerca de 11 episódios esperando o acontecimento de Jane finalmente escolher Rafael (mais uma vez), para logo em seguida tudo isso ser mais uma vez colocado em xeque. Desta vez não foi Jane que foi despersonalizada, mas Rafael, que novamente caiu numa espiral de falta de confiança e ficou com ciúmes de Michael (que nem está mais na equação). Tipo, já não bastasse Jane casando as pressas e sem vontade com alguém para tornar o plot desnecessário, tem de trazer mais uma vez essa falta de segurança de Rafael, principalmente depois de toda a evolução que o personagem conquistou.

Então sobrou para o público ficar igual ao pequeno Matelio. Rachei de rir quando o menino disse que não estava feliz porque não acreditava que eles ficariam juntos, já que eles prometeram várias vezes a mesma coisa e nunca cumpriram. Foi o resumo perfeito do relacionamento dos dois e também de toda essa última temporada que o show vem desenvolvendo. Nada é afirmado, tudo é feito de modo que sempre pode ser modificado caso não dê certo do modo planejado. Na verdade, é pela falta de planejamento, já que muito do que vemos parece ter sido criado somente para marinar a audiência num incansável mar de “mais do mesmo”.

O que fez com que esse episódio ficasse com boa nota foi o plot de Petra. Pra falar a verdade, ela é quem vem salvando o show nessa última temporada. Pensei que o plot de Milos ia cair no lugar comum de sempre, mas aquela movimentação da revelação de que Krishna era uma agente dupla me fez enxergar um pouco dos bons tempos do show e gostar um pouco mais de todo o resto. Além disso, ver ela emocionada ao se ver querida tanto por Jane como Rafael para o papel de madrinha do casamento foi a cereja que faltava (e que dá gosto) nesse bolo que já estamos cansando de comer.

Além dela, gostei também do desenvolvimento de Rogelio (e sua cauda). Foi interessante ver ele assumindo o lado responsável da relação, principalmente quando Xo caiu mais uma vez naquela indecisão crônica que a personagem adquiriu desde a metade da terceira temporada e que já devia ter sido resolvida. Ver ela seguindo os passos da mãe na carreira da enfermagem foi um belo toque e uma bela maneira de referenciar a mitologia do show e também de fazer paralelos com a força e a questão familiar das mulheres Villanueva (e de quebra tivemos Alba “moderninha” no processo…haha).

> A MITOLOGIA SECRETA DE DARK!

Com a revelação de que o casamento real de Jane e Rafael não vai ser tão fácil assim (torço pra que Jane termine sozinha, mas é claro que será Rose com o plano maléfico final), agora teremos mais seis episódios para acompanhar os preparativos até esse ponto (como se já não estivéssemos acompanhando estes desde o começo da série…). Até a próxima semana!

PS 1: Descobrimos que Petra é fã de Justin Bieber…

PS 2: A cena da novela com a cauda foi impagável;

PS 3: Legal usar as cartas pra recontar os momentos de Rafael e Jane no pedido de casamento.

REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
jane-the-virgin-5x13-chapter-ninety-fourNão que a situação esteja caótica em “Jane the Virgin”, mas claramente dá indícios de que há problemas na tomada de decisão de para onde a narrativa deve seguir.