Estando em sua temporada final, “Jane the Virgin” começa a criar paralelos com sua história e com isso prepara o terreno para sua despedida. Esta semana a série meio que começou a fazer o “balanço” e apresentou pontos presentes, que comparados aos mesmos no passado, mostraram a evolução dos personagens. Bem, alguns, porque outros descaradamente regrediram em frente ao que já conseguiram (provavelmente já sabem de quem estou falando).

Quando a série se foca no “Trio Villanueva” é que ela consegue seus melhores episódios e esse não poderia ser diferente. Ao colocar a narrativa em três frentes (Jane, Xo e Alba) a série pondera sobre suas próprias estruturas e constrói paralelos que mostram a principal característica do show: evolução.

Vamos começar pela mais notória de todas, Alba. A personagem começou o show como uma senhora ainda presa nas tradições e crenças que tinha desde sua juventude na Venezuela. Com os acontecimentos que a série causou, ela foi conquistando uma liberdade maior de entrar em contato com partes que ela não sabia que existia e ganhou novas camadas. Foi assim com a gravidez da neta, com o processo da naturalização e agora com a descoberta do sexo na velhice. Foi impagável ver ela toda fogosa ao ver Jorge e dando conselhos sobre qual vibrador seria melhor para as necessidades de Xo. E mesmo que as questões com o marido falso ainda continuem, ela consegue manter as linhas claras para o relacionamento dos dois.

Falando em Xo, aqui temos o completo oposto do plot de sua mãe. Ela que sempre foi uma personagem em contato com sua sexualidade, agora tem de reaprender a entrar em sintonia com esse lado após o câncer de mama. Assim foi interessante ver ela e Rogelio tentando conciliar ambos os lados e buscar a ajuda para que esse fator tão marcante na vida do casal seja retomado. Esse parece ser um dos novos arcos nesse caminho para o miolo de temporada.

Jane, por sua vez, continua na encruzilhada que se colocou ao ficar novamente indecisa entre Rafael e Michael. E a evolução foi novamente o ponto forte mostrado nesse plot, não só dela como de Michael. Ela finalmente começa a entrar em contato com o lado mais analítico de sua personalidade e vê que não vai ter como ficar por muito tempo sem escolher com quem vai terminar (ou terminar sem ninguém). Já Michael tem a oportunidade de voltar a sua antiga vida, mas agora o personagem evoluiu ao assumir também características de sua nova (e desmemoriada) fase. Então, ele ainda possui a afeição para com Jane, mas não nega que alguns fatores do relacionamento foram mascarados por decisões tomadas em prol de um só dos lados da relação. Essa porta aberta para a verdade dos fatos aparentemente certos deu fôlego para que os dois tentem ver se as coisas funcionam nesse novo momento da vida (mesmo com uma morte, um enterro e um retorno no caminho). Quanto a Rafael, é entendível a reação do personagem, mas esse plot depressivo fica parecendo mais um dos momentos birrentos de temporadas passadas e não agrega em nada, além de criar empatia através da pena (roteiristas já foram melhores nesse quesito).

Por último, mas não menos importante, tivemos o núcleo #CrazyRichLesbians de Petra. Foi bacana ver a personagem se soltando um pouco da sua figura retraída para variar. Toda a sequência do bar gay foi bem engraçada e mostrou um pouco do talento de Yael Grobglas para a comédia. Além de firmar mais uma vez a parceria da personagem com Jane, dando ainda mais força a amizade que as duas vem construindo nas temporadas passadas.

“JtV” continua na sua indecisão em firmar um destino fechado em sua personagem, mas com esse trabalho de plots espelhados parece construir o mesmo final de seu começo de série. Vai ficando evidente que Michael vai servir para que Jane veja que Rafael é o escolhido, assim como no começo Rafael serviu no mesmo papel para Michael. Espero estar errado, porque não que não seja condizente, mas é bem aquém do que a série pode construir. Só descobriremos com o final do show. Até a próxima semana (em Montana aparentemente)!

> GAME OF THRONES: HOJE NÃO! 🙌 (Comentários do episódio 8×03)!

PS 1: O plano de Rose começa a dar as caras. Descobrimos que o número e o motivo para que Michael tivesse a memória apagada foi que ele chegou perto demais em descobrir a “dark web” exclusiva da vilã. Mas agora que o personagem não é mais um problema, para onde esse plot irá seguir? Espero ser surpreendido;

PS 2: As gêmeas estavam hilárias na cena do carro e agora sabem tudo sobre a crise de opioides nos estados unidos…. Imagino que séries elas estavam assistindo.

REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
jane-the-virgin-5x06-chapter-eighty-sevenJane the Virgin continua na sua indecisão em firmar um destino fechado em sua personagem, mas com esse trabalho de plots espelhados parece construir o mesmo final de seu começo de série.