Punho de Ferro melhora em alguns aspectos e começa a apresentar considerável crescimento em sua trama com Rolling Thunder Cannon Punch.
Três episódios, o necessário para que Punho de Ferro finalizasse a trama de Danny e sua identidade, um pequeno espaço de tempo, mas arrastado devido a ineficácia do roteiro em construir-se ao redor de uma premissa tão básica. Este pode ser considerado o principal erro da equipe por trás da série, a decisão de utilizar seus primeiros capítulos para literalmente arrastar a trama da série com um recurso muito ruim. Por sorte o destino de Danny Rand começou a ficar mais claro e melhor, assim como a própria qualidade da produção que estava precisando de um impulso.
E ao retirarmos do caminho qualquer questionamento a respeito da identidade do Punho de Ferro, algo que não estava fazendo sentido enquanto destaque e que por sorte sumiu do mapa rapidamente, a série conseguiu melhorar muito. Claro que também temos a participação de Hogarth, personagem surgida em Jessica Jones e uma excelente maneira de fazer a transição deste mundo antes confinado ao hospital psiquiátrico e agora finalmente liberto de qualquer amarra. E é ótimo ver como uma personagem com missão clara é o suficiente para elevar a trama.
Outro ponto que também recebeu o destaque merecido foi a complexa relação entre Danny e os irmãos Ward e Joy. É essencial que exista esse tipo de desenvolvimento rápido porque a série, obrigatoriamente, tem que apresentar a fundação de sua premissa. Estamos lidando aqui com um homem que quer, principalmente, honrar o legado de sua família. É por querer honrar o legado e não apenas ser reconhecido como Rand pelos irmãos que Danny recusa o acordo proposto por Joy e também o por que dele procurar a ajuda de Hogarth. Neste ponto conseguimos um avanço muito grande dentro do relacionamento entre Joy e Ward, além da inclusão de Danny neste mundo corporativo. E como fez bem esta inserção para a série – algo que poderia ter acontecido antes.
Dentro destas relações também conseguimos mais de Harold, o grande mistério da série até o momento. O que o empresário quer? E por qual motivo ele dorme dentro de uma espécie de sarcófago? Criar estes mistérios em cima de um personagem é uma jogada inteligente, pois desvia o caminho “pé no chão” e oferece alguns elementos regados de mistério e questionamentos. Claro que a série ainda peca por segurar tanta informação enquanto entrega tão pouco a respeito do passado de seu personagem, mas já que o caminho escolhido foi este, vamos acompanhar e ver no que dá.

E vejam que interessante, finalmente começamos a ter um pouco mais de ação nesta série que figurava como a promessa de um show de coreografia e artes marciais. Esta, porém, não vem através do personagem principal, mas sim de Colleen, que até o momento é quem tem a melhor abordagem dentro da série. Ainda existe um problema gravíssimo com a cinematografia da série, que permanece demonstrando coreografias estranhas, cortes mal planejados e uma composição desajeitada, mas também estamos encarando um avanço considerável quando comparamos com os dois episódios anteriores. Não é possível errar com um clube da luta e uma mulher tão forte quanto Colleen, certo? E é onde Punho de Ferro acerta, pela primeira vez, sem deixar espaço para questionamentos.
Dentro do relacionamento de Danny e Colleen também existe um jogo bacana de flerte, desprezo e respeito mútuo. Danny ainda é um forasteiro dentro daquele mundo, mostrando domínio de uma arte que Colleen mantém como parte de sua cultura, por isso estes pequenos conflitos entre ambos neste primeiro momento consegue manter o relacionamento humano, mas sem se desviar muito da proposta da série, que é a respeito de um homem que consegue arrancar portas da parede com sua mão.
Neste tom, continuo não gostando da definição dada para o personagem principal, especialmente pela maneira que o ator, Finn Jones, conduz Danny Rand. Não existe uma separação bem delimitada de quem Danny realmente é e as flutuações de personalidade se tornaram um pouco incompreensíveis. Temos um personagem principal que em determinado momento é sábio, duro, como ele agiu no dojo da Colleen, mas que em outros é extremamente infantil e inocente, como vimos especialmente no episódio anterior com o médico. Quando analiso utilizando o que o personagem recebeu para fazer dentro destes três personagens eu simplesmente não sei quem Danny Rand é. É diferente, por exemplo, de Jessica Jones, que já teve sua personalidade definida no primeiro momento, dentro da sua primeira cena e em um monólogo, antes mesmo de interagir com qualquer outro personagem.
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Punho de Ferro também está precisando de um vilão com cores mais bruscas. Harold é interessante, mas até agora o melhor dele são suas interações com o filho, Ward. E convenhamos, a Marvel já tem um Ward em sua mitologia com mais destaque do que este. O que quero dizer e principalmente o que vejo a série fazendo até agora, é entregar quase nada e torcer para que o telespectador permaneça inspirado para continuar assistindo. Rolling Thunder Cannon Punch definitivamente é melhor estruturado e com mais apelo do que seus antecessores, mas ainda não mostrou a que veio o que pretende. Ter uma base bem fundamentada é essencial, e enquanto vejo Punho de Ferro fazendo o possível para entregar tal característica, também percebo que a falta de direcionamento é muito grande. Talvez o grande erro tenha sido confiar ao homem responsável pelo pior de Dexter, o que a Marvel tinha de melhor para oferecer, a diversão de um mundo baseado no Punho de Ferro.
Easter eggs e outras informações de Rolling Thunder Cannon Punch:
– Neste episódio tivemos o retorno de Carrie Ann Moss como Jeri Hogarth. Apesar de ter surgido inicialmente em Jessica Jones, Hogarth é um personagem nascido nas páginas de Punho de Ferro. Existe uma pequena diferença entre a advogada e sua contraparte nos quadrinhos, lá ela é um homem e assistente do Danny nas empresas Rand.
– Colleen nomeou-se a Filha do Dragão. Na nona arte as Filhas do Dragão se tornou o nome de uma agência de investigação fundada por Colleen e que também contou com a participação de Misty Knight, de Luke Cage.
– O hospital que Joy levou seu cliente é o mesmo de Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage, onde Claire Temple costumava trabalhar até o ataque do Tentáculo na segunda temporada de Demolidor.
– O locutor e coordenador do Clube da Luta foi creditado como ‘The Ringmaster’, personagem introduzido em Homem Aranha e parte do Circo do Crime. Vale dizer que durante a primeira temporada de Jessica Jones também existiu uma conexão ao Circo do crime.
– Também tivemos o retorno do jornal The New York Bulletin, onde Karen Page trabalha. Outra série que já teve uma matéria do Bulletin como destaque foi Agents of S.H.I.E.L.D.
– Darryl o aluno de Colleen já apareceu antes em Luke Cage.
– Harold recebendo a visita de Madame Gao, de Demolidor. Agora sim estamos conversando, Punho de Ferro. Agora sim.















