Uma temporada começando em grande estilo.
Quando Carter Bays e Craig Thomas anunciaram que a última temporada de How I Met Your Mother se passaria inteira durante o fim de semana do casamento entre Barney e Robin, muitas pessoas consideraram isso uma má ideia, ainda que isso represente apenas uma mais uma invenção narrativa da parte dos showrunners. Na verdade, essa ideia, se bem executada, seria perfeita para explorar os temas necessários para dar um fim às histórias de todos os personagens. Senão, desperdiçaria a oportunidade de criar algo diferente. E, pelo menos até este excelente Knight Vision, a primeira opção é a correta.
Escrito por Chris Harris, o episódio se passa ainda na noite de sexta-feira, em que Ted tenta encontrar alguma garota para curtir o fim de semana. Elege, então, Cassie (Anna Camp), mas logo toma uma série de más decisões que prejudicam suas intenções. Enquanto isso, Lily tenta conquistar o reverendo que casará Barney e Robin, apenas para descobrir que os dois tomaram para si a história de como ela e Marshall se conheceram para conseguir a igreja para a cerimônia. Já Marshall treina para contar a verdade à esposa, mas percebe que isso será bem mais difícil do que ele imagina.
Ainda que esta nona temporada esteja em ótimo nível, Knight Vision é um dos primeiros exemplares em que todas as tramas funcionam, ao menos do ponto de vista humorístico. A começar pela viagem de Marshall, que agora prossegue durante a noite. Ainda que o personagem tenha passado grande parte da temporada isolado do restante do grupo, a química que Jason Segel tem com Sherri Shepherd traz ótimos momentos, incluindo cenas em que Lily fala com um sotaque sulista ou mais uma frase de efeito da atual temporada (“What the damn hell?”). Se ele possui um conflito iminente com a esposa, e é curioso como o episódio lentamente caminha para seu cliffhanger, isso não torna sua presença em Farhampton necessária por conta dos bons momentos de sua viagem com Daphne.
Aliás, este princípio de temporada tem sido exatamente sobre esse tema: semear conflitos. Se em The Broken Code vemos a solução dos problemas entre Barney e Ted, aqui vemos o início de outra briga anunciada, desta vez entre Lily e Marshall. E, da mesma forma que a anterior, HIMYM não busca enrolar o espectador, procurando despejar todos esses problemas entre os personagens logo na primeira metade da temporada, possivelmente para utilizar os episódios finais para algo mais intimista e relacionado com a Mother. No momento, no entanto, é melhor que ela fique um pouco de lado para que sua existência não precise coexistir com brigas e inseguranças.
Estas que, novamente, tomam conta de Barney e Robin. Nem tanto por conta do casal, desta vez, mas pela inesperada morte do reverendo. Ainda que todos estes percalços acabem por soar um pouco inverossímeis por conta da quantidade, HIMYM tem sabido trabalhar com inteligência esse padrão, nos levando a perguntar qual será o próximo desastre que colocará a risco o casamento. E notem que a série sequer se preocupa em criar tensão com a situação, já que sabemos que chegaremos até a cerimônia, ainda que não tenhamos certeza se esta chegará ao final com todos felizes. Por sinal, o discurso dos dois, enquanto citam vagamente toda a bagunçada história que os levou àquele momento, se mostra emocionante por, mais uma vez, ressaltar a sintonia entre eles.
Além disso, a discussão entre os personagens sobre como se conheceram rende momentos divertidíssimos envolvendo flashbacks invertidos que permite que figuras opostas se interpretem, criando um humor de subversão típico da série muito eficaz. E é curioso que toda essa maluquice seja tenha como tema exatamente a proposta de HIMYM, como uma forma de se auto-satirizar por conta de seu narrador não-confiável, assim como nas histórias de Lily e Robin. A série tem por característica fazer auto-referências dessa forma, e isso geralmente é feito de maneira sutil, jamais soando como homenagens tolas com único propósito de forçar lágrimas no espectador. Aliás, notem que, pelo menos até agora, HIMYM não procurou em nenhum momento criar nostalgia, fazendo-o através de movimentos sutis e pouco artificiais.
Ainda falando dos flashbacks, repare como o único ponto fixo é Ted. Evidentemente o personagem não teria com quem trocar de lugar, e sequer era alvo da história, mas o fato dele ser mostrado exatamente na mesma posição é mais um indicativo de sua estagnação na vida que ressalta o fato de ainda não ter encontrado uma parceira e, portanto, não ter uma história para compartilhar (claramente isso o fez descontar em seus filhos). Assim, quando a série mostra uma versão distorcida de seu piloto, quer se focar menos em Barney e Robin e sim no fato de que há oito anos o personagem tem precisamente o mesmo objetivo, ainda não atingido.
O que nos leva à sua tentativa de conseguir sexo com Cassie. Em HIMYM, não são tão numerosos os momentos em que Ted obtém sozinho êxito em fazer o espectador rir. Mas em Knight Vision vemos o contrário. Seu desespero a cada má decisão é hilário, bem como suas desesperadas tentativas de largar a garota, abandonadas a cada menção da palavra “sexo”. E até mesmo a existência do cavaleiro templário, que poderia ser exagerada, é pontual e divertida, exceto por uma ou outra piada óbvia.
Mas além do aspecto humorístico, a trama representa a última catástrofe amorosa de Ted, em um estilo compatível aos seus piores momentos. Assim como Last Time in New York, o episódio se foca na última vez do personagem em algo, o que funciona exatamente por sabermos desse fato. Novamente, é um acerto o fato de a Mother não ter aparecido, ainda que Knight Vision engane o espectador algumas vezes em relação a isso. A única personagem que ela conhece é Lily, e um aparecimento no exato momento em que Ted vive uma tragédia causaria um forte sentimento de ejaculação precoce.
Extremamente competente por todos os pontos de vista, Knight Vision é um episódio que tem a essência de HIMYM, e certamente ficará marcado como um dos melhores da temporada. Após seis episódios exibidos, o sentimento de que este último ano mantém um desejável nível de qualidade é, sem dúvidas, gratificante.














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