Lá vamos nós de novo.

Spoilers abaixo!

“Desperation Day” é tanto o fim de um dos arcos mais importantes da série quanto o início de outro que promete ser ainda maior. E enquanto serve uma função clara na temporada (ao mesmo tempo em que estabelece as intenções dos criadores para a sua reta final), não funciona tão bem como planejado.  É genial, por exemplo, colocar duas histórias de Ted e Barney em um mesmo episódio e observar a inversão de papéis. Isso é algo que vem naturalmente de uma estrutura poderosa que a série está trabalhando há algum tempo com Stella e Robin, soa perfeita no papel, mas nunca funciona como deveria por causa de uma escrita extremamente didática que é incomum para How I Met Your Mother.

Ela está trabalhando arduamente na estrutura, em fazer cada peça cair no lugar certo e na hora certa. Mas de “Bad News” para cá, parece ter ficado preguiçosa quanto à execução em si, pulando de cena para cena como se estivesse com medo de ser sutil ou de levar mais tempo para desenvolver certos aspectos que necessitam de cuidado. Isso é menos notável quando temos uma narrativa envolvente como a de “Oh Honey” e socos emocionais como os de “Last Words”, mas em uma meia hora tradicional como “Desperation Day” acaba afetando um monte de coisas que a série conseguiria fazer funcionar tranquilamente se não estivesse com uma pressa desnecessária para seguir em frente. Assim, Marshall lidando com a realidade de que a vida continua acaba caindo na mesma categoria das duas tramas armadas ao seu redor, de uma maneira que chega até a ser cômica. Personagem A expõe o seu problema. Personagem B reage. Piada. Personagem A fala mais sobre o seu problema até o personagem B interferir com algo que muda a situação.

O pior não é isso em si, é que a série sabe usar a organização ao seu favor e parece ter se esquecido dessa habilidade durante as férias de final de ano. Em outro episódio, eu teria achado a memória de Marshall das viagens com o pai um momento verdadeiramente tocante, e o olhar dele para o banco de trás um detalhe de quebrar o coração. Em outro episódio, o interesse de Barney em Nora teria soado orgânico dentro do que sabemos sobre o personagem.  Mas em “Desperation Day”, a série ficou tão ansiosa para contar novas histórias e adicionar novos andares ao seu castelo de cartas que acabou esquecendo de construir uma fundação apropriada para isso e entregando o quarto episódio ruim de uma sólida temporada como consequência.

Outras observações:

– Ainda assim, foi bom ver como uma série em sua sexta temporada está disposta a colocar os seus personagens em situações interessantes. Ted com medo de se comprometer e Barney gostando de Nora, por exemplo, são  transformações de personalidade que ela lidou com certa maestria nos últimos anos e certamente vão alimentar os próximos episódios por trazerem sentimentos mais realistas à tona (algo que HIMYM está apreciando bem mais esse ano do que no ano passado).

– Depois de ser a grande protagonista da quinta temporada, Robin é a única sem uma jornada tão forte e bem definida nesse ano. Portanto, foi bom vê-la desempenhando o papel de amiga/conselheira, fazendo Barney encarar o natural fascínio que teve por alguém que não caiu nos seus truques.

– Eu pagaria do meu próprio bolso para ver uma temporada de In Treatment com Lily Aldrin. Ela está precisando.

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