A tecnologia ajudando os personagens de House of Lies a descontrair.

Spoilers Abaixo:

“Wonders of the World” é o típico episódio que segue um momento de grande epifania. Observa-se como ele leva Marty de A até B com uma facilidade grande após os eventos de semana passada, evidenciando um ponto de vista diferenciado em relação a sua eventual saída da Galweather & Stern. Isso acarreta dizer também que a narrativa não possui grande picos dramáticos, mantendo-se simples e abusando de montagens para passar sua mensagem de naturalidade. Ver Marty pedindo um dia de folga depois de tanto tempo trabalhando traz uma nova perspectiva de mundo que permite que temas como família possam ser abordados. Essa postura que a série tem diante do personagem nos últimos episódios é até agora o principal momento em que pode ser observado um real avanço por parte de Marty, proporcionando contornos dramáticos mais interessantes de serem observados. Normalmente, vemos como tudo que está ao redor do protagonista se altera com o passar do tempo enquanto ele permanece estável. Entretanto, essa lógica vem sendo cada vez mais abandonada para progredirmos até essa reta final de temporada.

O modo mais simples de se continuar uma história é conseguir fazer com que a mensagem dela funcione em todos os níveis e afete todos que estão envolvidos com o que é contado. “Wonders of the World” reflete justamente isso sobre seus personagens, atribuindo o holofote mais a relação de Marty com sua família e eventualmente trazendo seus colegas de trabalho para a história. Mesmo não exibindo nada fora do comum nos dois quesitos, vê-se como tal decisão é um avanço no pensamento de House of Lies por demonstrar uma intenção em abalar o protagonista de todas as frentes possíveis. Todos os confrontos existentes aqui são usados para determinar certa característica de Marty que conhecemos.

O fato de uma de suas primeiras ações após tirar um dia de folga é passar um tempo com Roscoe remete aquela região cinza que House of Lies sempre tenta colocar o personagem, mas quase nunca consegue. A resposta de seu filho ao estado de seu pai é um avanço no processo de melhora de Marty que a série faz o favor de desconstruir no fim do episódio, criando esse paradoxo que beneficia esse caráter mais obscuro do personagem principal recentemente. Se bem que o mistério elaborado pela montagem final é bastante desnecessária.

Sua relação com seu pai e irmão passa por um caminho tão mundano que termina contrastando com absolutamente nada cuja relevância se faz presente no episódio. Isso gera a sensação de que o segmento está ali apenas por existir e confirmar algo que ainda não mostrou sua capacidade na segunda temporada.

Observando por outro ponto de vista, percebe-se como “Wonders of the World” é bastante parecido com “The Runner Stumbles”. Essa visão é aquela que engloba a estrutura da narrativa com a temática cômica que ambos seguem. Olhe como a vida de Marty recebe a maior quantidade do holofote, mas em nenhum momento chega a marginalizar por completo o resto do grupo. Jeannie, Doug e Clyde são presenças fortes no episódio, principalmente os dois primeiros. O relacionamento da personagem de Kristen Bell com o de Adam Brody é de um limite cômico que a própria House of Lies ainda não definiu, criando uma sensação de imprevisibilidade que permanece ao longo do episódio. Esse fator associado com a premissa de todas as piadas (o fato de ele ser dono de uma empresa de “brinquedos” para adultos) é bastante positivo para contrabalancear a carga dramática do arco de Marty. O humor da situação é retirado a partir do cinismo do roteiro diante do tema, trazendo uma montagem ironizando toda a situação e puxando o público diante de um conjunto de imagens que retirarão diferentes reações de diversas pessoas. O melhor é que a história não soa tão deslocada, considerando a posição de alívio cômico de Doug e Clyde e aquilo que Jeannie passou no episódio anterior. Sua decisão de usar os produtos é sempre uma boa lembrança de que a personagem é tão cara de pau quanto os outros.

Se isso não fosse suficiente, o lado empresarial de Doug ultrapassa níveis incríveis em “Wonders of the World”, conseguindo incrementar a atmosfera com uma ideia tão absurda que se mostra apropriada para o contexto arquitetado. O melhor é que estamos acompanhando o personagem nessas duas temporadas e é perceptível o quanto ele é capaz de se adequar a quase todas as histórias que lhe são atribuídas, nem que elas estejam relacionadas a personalizar seus brinquedos sexuais de acordo com sua vontade.

Mesmo não retratando muito as vertentes mais cativantes de seu protagonista, “Wonders of the World” consegue sobriamente continuar a narrativa da temporada sem cometer erros absurdos, além de mostrar Jeannie e Doug como excelentes armas do lado cômico da série. Em geral, percebe-se a existência mais uma vez do meio termo com rápidos ápices engraçados que define a temporada de House of Lies até agora.

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