
Daqui em diante, não há mais que se falar em hiato nesta série. Na próxima terça-feira que você for procurar um episódio de House e ele não estiver lá, é porque a série acabou. Pesado isso? Sim. Então nada mais justo que o sprint final comece com um episódio daqueles, como há muito tempo a série não apresentava.
Spoilers Abaixo:
Confessar pra vocês aqui, não esperava muito desse episódio não. O hiato foi longo, fazia tempo que House não trazia um episódio novo – e, mais importante ainda, fazia tempo que House não trazia um episódio bom. Então nada mais justo, mais compreensível que a expectativa abaixasse bastante. Não sei se por isso ou por causa de um verdadeiro bom roteiro, mas o sentimento após assistir esse episódio foi bastante positivo.
Com resquícios de Homeland que não vou adentrar aqui, o caso da semana circulou no ramo militar, mais especificamente nas questões envolvendo honra e consciência. Não é de hoje que House costuma usar histórias pesadas de drama, mas fazia tanto tempo que não tínhamos uma boa história pra contar que o caso dessa semana ganhou ares de altíssimo nível. Interessantíssimo o desenrolar de percepções envolvendo o paciente, pois a atitude de ‘dedurar’ (daí o nome do episódio) a conduta inapropriada de seus colegas militares pode ter interpretações diferentes conforme a posição ideológica de cada um. Não dá pra negar que a motivação de salvar inocentes seja plenamente justificável, mas do ponto de vista prático é difícil entender que tal liberação do vídeo tenha resultados diretos e observáveis à curto prazo. Quem tiver opinião formada sobre o assunto, por favor: o espaço dos comentários está aberto logo ao fim da página.
Junto à isso, o acobertamento do irmão para preservar a imagem do pai também pode passar por uma interpretação ambígua, esta aparentemente mais simples de ser solucionada. Existe, sim, o lado do paciente que tem todo o direito de se sentir enganado pelo fato de idolatrar uma farsa… mas a motivação de seu irmão é ainda mais nobre. Novamente, é questão de “lado”. O que vale ser ressaltado é que neste episódio os dois foram bem retratados, de forma que não faltou dramaticidade em nenhum desses planos. Vou procurar depois saber o nome do cara que escreveu o capítulo dessa semana, o sujeito parece ser mesmo bom.
Nem tudo são flores, entretanto. Por mais que o episódio tenha sido muito bom, não daria pra dizer que foi ‘excelente’ pois apresentou algumas falhas importantes – a principal delas sendo a já reclamada falta de um arco. Eu sei que às vezes pode soar chato pro leitor ver a mesma observação toda semana, mas é por um motivo nobre. Pego como exemplo todo o caso ‘doente-não-doente’ de House esta seman: por mais que soubéssemos que as chances dele não ter nada eram absurdamente maiores, não seria nada mal que, pelo menos uma vez, algo acontecesse pra sacudir um pouco as coisas. A frustração do Foreman ao perceber a futilidade do joguinho poderia ser refletida nos espectadores também.
A esperança é acreditar nas palavras do criador David Shore, que já afirmou que os últimos quatro episódios serão como uma sequência, formulada para que fossem na verdade uma ‘coisa’ só. Acreditam? Eu até acredito sim… mas e até lá a gente faz o que, come balinha e fica rindo do corte de cabelo da Park?
Mas deixem o meu lado ranzinza descansar um pouco. O saldo aqui é que não tivemos Dominika, nem bizarrices, nem nenhum funcionário chapado de LSD. Tivemos, sim: um bom drama, os personagens agindo conforme foram construídos e uma história que, se poderia no fim ter sido um pouquinho melhor, pelo menos não foi horrível nem deixou o espectador desapontado com seu final.
Pra mim isso basta.
Considerações finais:
1) Wilson cada vez mais perde espaço para Chase nesse fim de série. House ultimamente não precisa de alguém que tome conta de si – precisa sim de um equivalente, que lhe entenda e que pense parecido. Todas características evidentes do australiano. Prevejo grandes coisas para o pupilo nesta reta final.
2) “Assumir a culpa não é honroso. É estupidez.” – House em sua essência.
3) Lá na frente – espero – House precisará de ajuda quando estiver realmente necessitado e ninguém vai acreditar. Sou sádico de pensar assim, ou mais alguém me acompanha?
E vocês, o que acharam do episódio desta semana? Bom, ruim, mediano, além das expectativas? O espaço aqui embaixo é de vocês. Um abraço, e até semana que vem. 😛














