
Depende da sua expectativa.
Spoilers Abaixo:
Pegando os últimos, ahn, todos finales de House, tivemos sempre bons episódios, com uma leve oscilação entre eles. A esperança dos fãs, sabendo disso, é que por mais que a temporada fosse inconsistente lá no final uma luz ia descer e um final digno iria ser colocado na tela para o nosso deleite. Você esperava isso? Eu sim.
Talvez tenha sido ingenuidade minha. Acreditei nas palavras de David Shore que os minutos finais seriam chocantes – e de fato foram, mas não da forma desejável – e na competência de House de ressurgir das cinzas em um momento de clímax. Cogitei, inclusive, um final pra temporada no meu último review, por ter em mente uma idéia (na minha opinião) condizente com o caminho apresentado há pelo menos três temporadas. Mas a coerência só ficou presente até os 40 minutos do segundo tempo. Ainda restavam mais cinco.
A série, no apagar das luzes resolveu voltar às origens e tentar resetar tudo, emocionalmente falando. Isso é ruim? Não, de forma nenhuma. Eu mesmo sempre defendi o iníciozinho da série nos reviews aqui no SérieManíacos. O problema é como essa transição foi feita, de um House ‘quero mudar e ser feliz‘ para um House ‘dane-se tudo, já aceitei que não tenho jeito‘.

Mais precisamente essa mudança ocorre nos fatídicos 5 minutos finais. E assim como o episódio resolve só abordar a batida no final, também vou deixar mais pra frente pra falar sobre isso. Até porque, senão, o resto do episódio fica esquecido.
A paciente da semana, muito bem interpretada por Shoreh Aghdashloo, incorporou o Everybody Lies e levou a manipulação a um nível absurdo: o nível do próprio House. Acredito que posso afirmar que o paralelo Afsoun-House foi percebido pela grande maioria dos espectadores, afinal de contas, a valorização das suas habilidades (ou sua ‘arte’, como colocado no episódio) frente aos problemas médicos e particulares foi executada como se estivéssemos vendo o House ali, na cama, sendo atendido por ele mesmo. A forma de pensar, colocando sempre seu trabalho acima de quaisquer relações, priorizando o novo desafio, fizeram House respeitar e admirar aquela mulher a ponto de aceitar jogar seu jogo, ainda que este fosse declaradamente uma armadilha. Isso, claro, só até o momento em que a paciente resolve ‘mudar de lado’ e abraçar a sua própria Cuddy, no caso, seu assistente Luca. É então que House enuncia a frase que guardou em seu coração, mas que deveria ter dito quando a ex-namorada o chamou pra conversar:
‘Vai mesmo abandonar suas habilidades por alguém que amanhã pode te abandonar de novo? Você não precisa depender de uma pessoa que vai magoá-la!’
É dessa forma que House encara o mundo. A decepção em seu último relacionamento (somando com outras várias decepções anteriores) fez com que esse personagem ficasse frio, insensível, egoísta, narcisista. House não consegue entender como alguém ainda se submete a depender de outra pessoa para ser feliz, e é assim que ele comanda suas relações, levando-as a um caminho que invariavelmente culminará em destruição. Com Cuddy demorou mais tempo, mas finalmente ela também percebeu que aquele ser humano é realmente desprovido de capacidade social.

Este personagem – este sim! – é o House inicial. O da primeira, segunda temporada. Se você chegou há poucas temporadas e começou a acompanhar a série tem visto um personagem em busca de uma melhora, um envolvimento social que o leve à tão desejada felicidade. Mas o cara lá do episódio piloto, esse não. Não tava nem aí. Não tinha essa de desintoxicação, de remorso… era o frio e calculista Dr. House.
A questão é que o personagem precisava evoluir. São 7 temporadas já, né, meu povo. Já falamos aqui muito sobre isso, se House deveria ou não rumar em direção a algum tipo mítico de felicidade, mas nunca chegamos a nenhuma conclusão satisfatória justamente por não termos como definir se o destino dele seria esse. De alguns episódios pra cá, precisamente quando começou esta separação com Cuddy, as bizarrices que ele vem fazendo estão colocando na cabeça também dos fãs novos que esse personagem não tem como seguir um caminho usual para a felicidade. Porque a felicidade pra ele é diferente.
O que traria felicidade a gente não sabe, mas a cada dia temos novos indícios do que não ajuda nessa busca. E se entupir de Vicodin é uma delas. Muita gente inclusive levantou a bandeira da alucinação de novo, mas ninguém aqui é ingênuo de achar que isso vai acontecer duas vezes em tão pouco tempo.

Voltando ao episódio, a fatídica cena da batida deixa a impressão de que este não foi um final antecipadamente planejado (como deveria ser), mas sim um encerramento que pudesse ser utilizado independentemente da permanência de Lisa Edelstein ou não no elenco. Na semana passada coloquei em branco como spoiler, mas como já se encerrou a temporada, não há problemas: Lisa Edelstein não faz mais parte do elenco fixo do seriado. Já era. Na época da filmagem do episódio, entretanto, nada havia sido definido ainda, e acredito que isto tenha sido fator determinante para a escolha desse caminho.
O final ‘psicopata’ de House, como já introduzido, deixa a dúvida quanto à coerência da ação com o personagem que a executa, pois em nenhum momento de todas suas temporadas House agiu sem pensar cuidadosamente nas consequências. Atentem: não havia como House saber que os casais sariam da sala, assim como ele não teria como saber se a Rachel Cuddy estaria ali naquele momento. Quem estuda direito falaria que isso seria dolo eventual; quem acompanha o seriado vai falar que isso é pura canalhice mesmo.
Se até então House tinha em sua ficha diversos crimes relacionados aos medicamentos que tomava e “contrabandeava”, agora passou a um nível onde atinge não somente a si, mas também a outros. Dito isto, por mais que amemos este personagem, não dá pra esperar nada menos do que um período de trevas para o personagem, pois assim que pisar no hospital teremos um policial esperando pra escoltá-lo ao seu novo lar.

A não ser que House passe uma temporada inteira trabalhando via conferência, em breve ele estará de volta. O que acontecerá então? Bem, não me parece prematuro dizer que Cuddy não permanecerá como diretora no Princeton-Plainsboro. Abre-se, então, uma vaga que eu acharia uma oportunidade absurda de valorização de Robert Sean Leonard como ator e parte relevante para o futuro da série. Agora que Wilson já viu House fazer de tudo, não acredito em melhor personagem para chefiá-lo. Entretanto, acho mais provável que introduzam um novo personagem na história. Quem sabe o Vogler não volta? 😛
Independente do que aconteça, não dá pra não considerar que a oitava necessariamente terá que ser a última temporada de House. Já venho falando isso há tempos, e por mais que o personagem ainda se mantenha cativante e Hugh Laurie execute qualquer cena que derem na mão dele, o cilco de House na TV está perto do fim. Se a série tivesse terminado hoje, sem aquele finalzinho desnecessário de House na praia dizendo ‘sou brabo, tentei matar e to aqui bebendo margaritas’, pra mim estaria de excelente tamanho.
Outras observações:
1) Taub pai duplo: tá aí uma que eu não esperava. É o conflito do cara que claramente ainda ama a esposa, mas é irresponsável até o último centímetro de nariz. Pode ser que saia algo bom? Pode. Mas vão ter que trabalhar muito pra aumentar a simpatia do público com este personagem plenamente dispensável.
2) House definitivamente não merece uma amizade como a do Wilson. Se isso não fosse ficção eu duvido muito que qualquer pessoa se disporia a fazer tudo que este cara faz em nome dessa amizade insana.
3) O texto proferido por House na conversa na cafeteria mostra que o roteiro, ainda que não agrade a todos, continua sendo muito bem escrito.
4) E a pergunta que fica: que House veremos na 8ª temporada? O cara que se diz ‘machucado’ pra Cuddy, ou o psicopata que deliberadamente acelera um carro para arriscar vidas de inocentes?
E vocês, o que levam desse season finale? Mais decepções ou esperanças? Ansioso pra saber o que vocês acharam.
Um abraço!














