Um episódio para ninguém colocar defeito. Nem mesmo este chato que vos escreve.

Spoilers Abaixo:

E não falo isso somente pela enxurrada de cenas originais, antes que me chamem de superficial. Bombshell nos trouxe tudo aquilo que um espectador pode desejar da série, e se o episódio não foi aquela masterpiece que alguns esperavam, por outro lado não deixou ninguém decepcionado.

Semana passada (e em algumas outras também haha) chegaram no post alguns comentários de que eu estava sendo muito exigente nos reviews. Pois bem, acho extremamente válido este ponto de vista, mas este episódio só veio a mostrar o potencial que a série tem, e é justamente por isso que sempre esperamos algo de peso de House. Hoje tivemos drama, tivemos alívio cômico, tivemos paciente da semana, tivemos desenvolvimento… enfim, tivemos tudo. Por isso que digo, fica difícil se contentar com a pista depois que você se acostumou com o camarote vip.

No centro do episódio, parecia que teríamos a Cuddy. O normal em qualquer situação onde se escute ‘câncer’ é que o doente seja o foco, mas como a própria médica admitiu mais tarde, quando House está no meio ele sempre vai ser o foco. E assim foi. E assim sempre vai ser. Até porque, novamente, House está sozinho, e agora o seu foco será puramente interior. Não há mais com quem se preocupar, a não ser a si mesmo.

É verdade que muita gente esperta já previa isso. Quando House se juntou com a Cuddy no último episódio da temporada passada, o mais natural (já que estamos falando de uma série que se estende anualmente por 24 episódios) era que em algum ponto a coisa fosse desandar. Por isso, seria ingênuo quem achasse que teríamos uma lua de mel até o meio do ano. Dito isto, a outra questão importante seria como essa separação seria apresentada. E é aí que mora a controvérsia.

Não é de hoje que a série mescla com os sentimentos e opiniões dos personagens. A separação complexa (e ao mesmo tempo simples) de Cameron e Chase está aí para provar que este show é mais profundo do que a maioria está acostumada a assistir. Assim sendo, a separação do casal principal teria que acontecer por intermédio de algo pesado. Neste caso, a carta usada foi vício de seu protagonista, há muito guardada na manga.

Neste momento da história é possível percebermos o que nós próprios esperamos da série. Vi gente por aí esbravejando que podia ter jogado os 15 primeiros episódios desta temporada no lixo, já que, de fato, retornamos ao mesmo ponto do season finale: House sentado no seu banheiro com o frasco de Vicodin na mão. Como um leitor daqui já havia reparado, aquela lambida em um comprimido no último episódio não foi inocente. E assim voltamos ao debate que tanto já rendeu aqui e em fóruns e blogs ao redor do mundo.

Um viciado é um viciado. E por mais que isso pareça clichê, eles precisam de atenção, senão o vício toma o controle cedo ou tarde. Novamente, a questão do personagem ter simplesmente largado seu vício e ainda não ter recaído era algo claramente temporário. Pessoalmente achei que a correlação seria inversa, com o House só retornando ao Vicodin após o término de seu namoro. Realmente não esperava que ele tivesse essa recaída antes.

Não que a série não precisasse disso. Há alguns episódios já critico a narrativa confusa e contraditória usada no relacionamento dos dois, e essas duas mudanças simultâneas em muito ajudarão a sequência da temporada. Os sinais de que algo estava errado já haviam sido dados. Para os próprios personagens, inclusive.

É com este gancho que eu entro na parte que chamou a atenção de todo mundo no episódio. A sequência de sonhos cinematográficos, embora já utilizada há meros dois episódios (lembram de Two Stories aí?) encheu os fãs de alegria e deu o tom daquilo que está na mente dos personagens. A esquete dos anos 50, onde House interpreta um bom marido e bom pai, serviu para introduzir sutilmente a questão do ‘doce’, que mais tarde seria o estopim do relacionamento. O irônico é que o fato que faz Cuddy ‘acordar’ deste sonho é ver que o House não estar mancando. Agora eu pergunto: sério, Cuddy, que no resto todo você acreditou? Sério mesmo?

Impossível não rir (seja por causa das risadas de fundo, ou seja pela situação em si) da paródia de Two and a Half Men feita aqui neste episódio. Acredito que os produtores de House devam ter uma bola de cristal ou algo do tipo, pois a sorte (coloquemos assim) de lançar este episódio na exata semana que o Charlie Sheen se mostra o pior exemplo de pai do mundo é uma coincidência magnífica. [Nota do reviewer: essa camisa de boliche, de fato, deixa qualquer um ridículo. Concordo com o Sheen nessa.] Essa cena, por sua vez, mostra o temor que Cuddy teria em deixar sua filha com alguém como o House. Mais explicações são desnecessárias, tirando o fato de que o Wilson parece mesmo como um Alan para o House. Com suas devidas proporções.

A cena que ilustra este post, no estilo Butch & Sundance (a.k.a. Dois Homens e um Destino), além de ser fotograficamente perfeita traz ao espectador o medo da Cuddy de que, na hora em que mais precise, House a deixe sozinha. E é o que por quase todo o episódio ele faz, pelo menos até o momento onde em que recebe ajuda externa.

Neste ponto, vale a menção de que o próprio House teria sido mais útil (e até mais cômico) se estivesse realmente atento ao paciente da semana, o que deixa claro que a Cuddy de fato é importante para ele. Por falar nisso, a cena onde esta se prepara para a biópsia ao lado do House enquanto os pupilos paralelamente sofrem discutindo o diagnóstico é de uma direção impecável do Greg Yaitanes. Jogo de câmeras e de fade perfeito.

Em sequência vem a cena do promo e que introduziu a música que ficou na minha cabeça o dia inteiro (forget your troubles, c’mon, get happy…). Já vi por aí que essa música já passou por Glee, mas whatever. Duvido que aqueles adolescentes espinhentos cheguem perto do que foi essa cena gigantesca e divertidíssima. Cuddy como uma solitária Marilyn Monroe foi uma bela sacada, mas não tem como mais uma vez não se render ao talento deste tal de Hugh Laurie. Não existe área do mundo artístico que esse cara não domine, assim não dá…

Por último, a minha favorita: House encontra The Waling Dead (ou qualquer outro filme de zumbi aleatório). Das frases feitas ao absurdo da Bengala-Facão que vira uma .12, passando pelas mortes dos zumbis de Foreman e Masters. Não tem nada que eu não tenha gostado nessa sequência. De fato, aguardo ansiosamente para um joguinho ou aplicativo de House Caçador de Zumbis. Pagaria o quanto fosse preciso.

Por fim, voltand ao núcleo ‘real’ do episódio, a situação final abre um leque de possibilidades para o rumo do show. E assim como até agora sempre esperei bastante da série, estou contando com uma saída criativa e que mantenha o nível de qualidade no alto, como House merece continuar apresentando.

Outras considerações:

1) Perdoem o post extenso; me empolgo quando vejo muita coisa interessante pra comentar.
2) O paciente da semana, apesar de tudo, foi bem positivo também. Cumpriu seu papel na medida certa, e ainda (possivelmente) pode trazer alguma continuidade para o Taub. Tudo é válido.
3) “Adivinha quem não tem câncer? Eu. [Silêncio constrangedor]. Mas você também.” hahaha
4) De novo falando bem do cara, não dá pra negar que o argumento final da Cuddy é válido. Mas o desapontamento no olhar do House misturado com a tristeza da notícia torna difícil não pender pro lado dele.
5) Wilson falou que tinha ‘cansado’ de limpar a bagunça. Pois bem… acho que a casa nunca esteve mais suja.

E vocês, o que acharam? Concordam, discordam ou muito pelo contrário? O espaço aí é de vocês.

Abraços, e bom fim de carnaval! 😀

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