Homeland busca fugir das obviedades em Standoff, mas acaba decidindo abraçar uma das maiores. 

Desde que começou, um dos maiores problemas de Homeland era sua ineficácia em encontrar parceiros de ação para Carrie. Saul sempre foi uma figura de apoio para ela, mas sua presença era salva pela perspectiva quase paterna. Todas as vezes em que aproximaram a personagem de uma outra figura masculina, acabaram por romantizar as coisas e com isso, destruíram qualquer possibilidade de ganho. Brody, Quinn e agora Dante, que por mais carismático que seja, entrou na área de risco e pode ter sua presença na série resumida a ser mais um bad date para a ex-agente. 

Fico surpreso que diante de tantas escolhas nada óbvias, Homeland tenha se decidido por uma bastante corriqueira. De certa forma, quando consideramos os bons caminhos vistos até aqui, chega a ser animador pensar que talvez a presença de Dante vá ser explorada de outras formas. Para fugir do mesmo destino conturbado que todas as outras relações tiveram, Dante teria que ou não ser eleito um potencial par romântico ou ser um potencial par romântico que não a perturbasse ainda mais. Mas, até que ponto esse é o tipo de história que queremos ver no show? 

Sempre tive uma briga com os roteiristas por causa disso. Homeland não é o tipo de dramaturgia que permite investimentos românticos de forma deliberada. Todas as vezes em que eles tentam, acabam jogando os personagens nas mesmas valas comuns. Tudo soa transitório ou oportunista e terminamos sempre nos perguntando se aquilo era mesmo necessário. Talvez haja uma forma de fazer sem cair nas mesmas ciladas, mas a impressão é que toda vez que uma tentativa começa eles percebem logo em seguida que não tem como livrar a protagonista da vida emocionalmente insípida que ela tem. Então, talvez a melhor parceria para Carrie no show seja a casual, sem pressões e sem cordões. Estamos querendo dizer com isso que Carrie não pode ser vista como uma mulher sexual e romântica? Não. Mas, algumas pessoas fazem escolhas que sacrificam outras e não tem nada de errado nisso. 

Clear Carrie 

Standoff foi um episódio que manteve o nível dos outros dois e entregou uma história coesa que continua mantendo Carrie separada dos eventos principais, mas fazendo crescer as tensões que levarão a essa convergência. Em termos de avanço narrativo andamos pouco, mas importantes movimentos foram feitos e ditaram o que vem pela frente, sobretudo no que diz respeito à administração da Presidente Keane. 

A negociação com O’Keefe foi como esperávamos, um fracasso. Mas, não se enganem… Mais do que trabalhar a possibilidade de rendição, o que o roteiro pretendia era ter uma voz que pudesse discutir aspectos importantes dessa ideologia do ódio e do conservadorismo que domina os argumentos do sujeito. Saul poderia ter sido mais direto – às vezes a interpretação contemplativa de Mandy me irrita – e aproveitado para dizer uma ou duas coisas para o lunático, mas o ponto é esse mesmo: deixar que O’Keefe se enforque sozinho, em meio a seu complexo de Messias que provavelmente vai começar a ruir. 

O episódio também acertou ao mostrar que embora meio maluca na sua perseguição aos que a ameaçaram, a Presidente Keane continua firme na sua política de não-bombardeio no Oriente Médio. Os roteiros continuam sensatos ao dimensificarem os personagens não prendendo-os a maniqueismos oportunistas. Ela quer fazer as coisas de um jeito diferente, experimentar cessar o derramamento de sangue, mas por ser uma mulher, continua sendo desacreditada e até traída pelos que a cercam. Se ela fosse um homem, dificilmente suas decisões continuariam sendo questionadas continuamente, sem cerimônia. A quebra de autoridade promovida por Wellington foi absurda e espero um belo de um revide (agora, inclusive, ficou mais evidente o possível envolvimento dele na morte do coronel). 

Por fim, sem dúvida, o momento mais correto do episódio foi a conversa entre Carrie e a irmã, quando ela, indo contra todos os impulsos óbvios da personagem, escolheu pedir ajuda, reconhecer os limites, tentar fazer do jeito certo. As cenas com a psiquiatra, com a irmã, na cadeia, representavam uma consciência madura a respeito do que ela não deve fazer mais, do que ela precisa fazer para não perder a filha. Em outros tempos, ela teria se recusado a reconhecer os problemas, mas aqui ela os enxerga e os aceita. É claro que sabemos que ela não vai conseguir se assentar, mas foi bonito vê-la pedindo ajuda, reconhecendo que algo não está certo. Claire Danes ainda sabe fazer sua mágica. 

Se a história com Dante vai ou não evoluir para um romance, só o tempo dirá. Até agora, Homeland tem sido sensata e coesa como todos nós queríamos ver. Isso é um orgulho e nos faz seguir adiante ainda mais animados pelo que está por vir.

REVISÃO GERAL
Nota:
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