O grande homem de Homeland.
Se quando Brody saísse da casa da viúva de Abu Nazir, alguns fãs de Homeland estivessem parados ali por perto, teriam ovacionado o sujeito do mesmo jeito. Isso porque o sentimento geral é de que ele foi “salvo” pelo Irã enquanto salvava toda essa temporada do fracasso absoluto. Ele apareceu apenas uma vez na confusa primeira metade do ano e assim que voltou, restabeleceu os jogos políticos que sempre foram o forte da série.
Big Man In Tehran foi não só um episódio bom, como também uma ponta para um season finale que tem tudo para encerrar dignamente essa temporada. Precisamos ter em mente, entretanto, que o roteiro parece ter levado Brody ao gênese, para providenciar seu apocalipse, seu juízo final. O personagem está passando por uma série de convergências que olham para seu passado, dando para nós uma sensação de finitude. Ele diz que está buscando redenção, mas até que ponto esse é o melhor caminho?
Acho que vocês sabem onde eu quero chegar… A morte de Nicholas parece uma saída justa e necessária para que a série pare de andar em círculos. E porque eu digo isso? Vamos estabelecer que um final feliz nessa altura dos acontecimentos seria incondizente com a proposta da série. De maneira alguma Brody pode conseguir cumprir a missão e voltar como herói pros EUA, ou isso comprometeria Javadi. Assim, a vida como um recluso seria a única opção. Em termos de condução de trama, isso seria péssimo, porque Carrie estaria impossibilitada de seguir em frente e ao mesmo tempo, de ficar com ele. Ela estaria no meio do caminho. Recuperar coisas para Brody soa impossível dentro do compromisso da série com a verdade. Assim, o personagem se condena ao fim simplesmente porque essa seria a coisa mais digna a se fazer.
Admitir a necessidade única de ter Carrie no centro do futuro não deve ser fácil para esses produtores. Acho – pelo que conheço deles – que é muito mais fácil tentarem uma saída que preserve Brody, enquanto eles se viram para encomendar um quarto ano que diminua a impressão de que os personagens estão sempre vivendo pelas mesmas motivações. Brody não pode ser espião de mais nada, mas muito menos pode ser um pai de família comum. Se ele morrer, podem tentar coisas novas com Carrie. Se não, ela estará eternamente atrelada à necessidade inocentá-lo e protegê-lo.
Brody-ídolo aumentou essas questões, mas foi imensamente interessante. A operação toda foi conduzida com a tensão certa e o fato de não ter dado certo – e da maneira que não deu – colocou Brody numa posição realmente inteligente. Por vários momentos a confusão dele era a minha. Frustar aqueles que o amavam em nome do próprio país ou entender que qualquer amor que chega até ele é fruto da expectativa de que ele traia, mate, comprometa? Cheguei a torcer para que, diante daquelas circunstâncias, ele realmente se entregasse aquele destino, o único possível para um homem que já perdeu absolutamente tudo. Um Brody definitivamente convertido, um grande homem em outra pátria, não por opção, mas por determinação.
Mas a redenção sempre se cobra… Foi duro ver Saul precisando admitir que Javadi era o homem que precisava ser protegido. E era mesmo. Considero esse um outro aspecto positivíssimo do episódio, porque não só a argumentação de Lockhart era correta, como a contra-argumentação de Brody também. Ele precisava morrer, entendia isso. Mas já que a morte era iminente, uma última tentativa valia a pena. Vamos esquecer que ele tenha conseguido uma reunião tão rápido e tão fácil, e vamos nos ater ao cliffhanger clássico do “estou preso aqui e não tenho como sair”. Hora dos roteiristas se esforçarem para nos fazer acreditar nas soluções que estão por vir. Mas realmente não quero que tudo dê certo para Brody. Ainda acho que Javadi no poder pode ser o caminho para nossas abordagens políticas no ano que vem.
Mas aí tem aquele bebê… É ele que aniquila a força de qualquer especulação (e especular é parte da graça de assistir uma série). Do mesmo jeito que essa criança se tornou uma desculpa para qualquer comportamento imbecil de Carrie, ela pode acabar se tornando a justificativa para liberdades poéticas que acabem invalidando todo o ótimo contexto político construído até aqui.















