
Murder et Circenses.
Wanted: Mr. Spoiler:
Hell on Wheels está cada vez mais ganhando forma. Em meio a cinco episódios, o que pode ser dito sobre a série? Apesar de tantas subtramas aparentemente pretensiosas, Hell on Wheels se sai muito melhor ao retratar histórias clássicas de faroeste. Afinal, é a história de um homem buscando por vingança. Toda a trama da ferrovia, índios, servem por hora mais como um enriquecimento do cenário do que como uma característica que sirva para elevar o nível da série.
E por que, com toda essa simplicidade, Hell on Wheels conseguiu um número considerável de adeptos? Por conseguir amarrar essa trama de vingança, de modo a torná-la dinâmica e entreter o espectador. Existem obras de arte que apenas precisam saber fazer isto bem para garantirem seu espaço na memória do público. Ou alguém via uma trama complexa em filmes mais tradicionais de John Wayne e Clint Eastwood? O grande mérito dessas obras forem por ter conseguido executar bem o que é chamado de cinema de massa.
“Jamais Je Ne T’oublierai” se inicia exatamente do ponto que o episódio anterior terminou: Cullen buscando por vingança contra o Sargento Harper, um dos responsáveis pela morte de sua esposa. Entretanto, o roteiro de Jami O’Brien é eficiente em não se alongar nessa subtrama, preferindo encerrá-la de forma econômica e com bastante ação. Foi a primeira oportunidade que a série teve para utilizar um tiroteio de forma mais ampla, se saindo muito bem nesse quesito, fazendo um duelo longo e conseguindo fazer com que a situação de tensão fosse passada em tela.
Encerrado esta trama, como proceder com o resto do episódio? Analisando as consequências da ação de Cullen, tentando gerar uma aproximação entre ele e o espectador. A conversa dele com o padre conseguiu ser interessante, apesar da exposição exagerada típica da série, por fazer com que fosse gerada simpatia para com a história que estava sendo contada, além de dar uma esperança de redenção para Cullen: Se até mesmo o sujeito encarregado de limpar os pecados dos outros possui seu passado negro que conseguiu esquecer, por que Cullen não pode? Não é a toa que o nome do episódio seja algo como “Jamais Esquecerei”, remetendo à própria sede de vingança do protagonista, e a pergunta que nos lança é: Será mesmo?
A ambiguidade de Cullen é o ponto forte do episódio, sendo ressaltada pelas pequenas atitudes, fazendo com que a série difira neste quesito dos westerns que se espelha e faça jus à tradição atual de anti-heróis: O protagonita é um sujeito que não tem problema em matar, tampouco aceitar suborno do Sueco, mas ao mesmo tempo faz questão de dar o seu dinheiro para uma prostituta e ajuda o homem que tentou matá-lo. É um sujeito complexo, nitidamente humano, isto que o salva de ser um protagonista genérico e o transforma na alma da série.
Lily Bell, o maior problema dos primeiros episódios, passa a ganhar mais espaço dentro do ambiente. Como citado na primeira review, era óbvia a função narrativa dele de mulher viúva tentando arranjar espaço no mundo masculino, tendo que mostrar para isto utilizar o seu cérebro. Algo que é mostrado, por exemplo, na cena em que ela anda no acampamento, mostrando um contraste entre o seu vestido e as vestimentas dos outros membros do acampamento. É uma personagem que só tem a crescer.
“Bread and Circus”, por outro lado, faz jus ao próprio nome, servindo como uma forma de fazer com que o espectador se divirta durante os 40 minutos ao ver o confronto entre Bohanoon e Fergusson. Conseguindo sucesso nessa empreitada durante e a maior parte do tempo. Qualquer um que esteja acompanhando a série poderia antecipar que a visão dicotômica de Ferguson em relação ao mundo, como se negros e brancos vivessem em um constante conflito, iria gerar problemas com algum personagem no futuro. Contudo, é de se estranhar que isto tivesse ocorrido justamente com Cullen, o ser que se mostra mais sensível em relação ao problema do colega, fazendo com que este conflito surgisse de forma completamente artificial.
Os personagens fizeram jus ao que se esperava deles. Elam lutou bravamente, sabendo utilizar sua raiva do mundo em seu favor, lutando honestamente, Cullen mostrou o seu valor e soube aceitar a derrota, mesmo ao perceber que foi trapaceado. O problema maior deste incidente foi que, ao menos por hora, não parece sequer ter gerado nenhuma mudança na relação de ambos, positiva ou negativa. É como se o roteiro ensaiasse uma ideia, mas não conseguisse concluir muito bem as suas implicações.
O tempo restante focou em uma análise maior do Reverend Cole e Joseph Black Moon. Por um lado, saber mais sobre o passado de Reverend Cole se mostrou como uma forma de conhecer melhor o personagem, mostrando que ele tem muito a esconder, por trás do aspecto de falsa bondade dele. Este é um personagem que tem muito a crescer, caso seja bem explorado.
Por outro lado, é difícil uma série que se pauta por uma boa produção técnica e pesquisa histórica tropeçar em aspectos básicos. Por registros históricos, as vestimentas da tribo Cheyenne não deveriam parecer com as utilizadas pelos índios, sem falar no inglês arrastado, que era um exceção dentro do mundo indígena americano. Obviamente, esses são erros que poderiam ser relevados em outras séries, mas Hell on Wheels pode ser tudo, menos humilde em relação ao cenário histórico que utiliza.
Como dito no início da review, Hell on Wheels tenta apenas oferecer um bom cenário, com bons personagens e uma narrativa dinâmica que entretêm. Mas será que a série consegue cumprir isso bem? Por um lado, oferece uma história com personagens interessantes, apesar da simplicidade, e tudo o que se espera de um Western clássico. Por outro, falta ao roteiro conseguir construir uma linha narrativa mais sólida, um problema enfrentado pela série desde o seu piloto e que não consegue ser consertados. No geral, o saldo ainda consegue ser
positivo.
Outras considerações:
-Qual o maior figurante da AMC, T-Dog ou os irmãos McGiness?
-Fergusson e Eva, é algo que eu não consegui entender até o momento.
-O Sueco era foda, o Sueco continua foda, espero que o Sueco seja foda até o final.
-Para repetir o que sempre digo: Se a tentativa de Doc é ser um personagem poderoso e que se utiliza de boas frases de efeito, a série erra feio nisto.













![Hell on Wheels 5×01/2: Chinatown/Mei Mei [Season Premiere]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2015/08/Hell-on-Wheels-5X01-218x150.jpg)
