God save America!

Wanted: Mr. Spoiler:

A New Birth of Freedom é sobre como as vidas de diversas pessoas, com um background tão diferente, acabam se cruzando, tornando a metáfora do título interessante: Evocando o principal corolário do American Way of Life, a liberdade de oportunidade, Hell on Wheels consegue finalmente juntar as diversas tramas que pareciam estar ocorrendo em paralelo e foram o principal defeito dos primeiros episódios.

O episódio se inicia com Bohannon relembrando sobre a morte de sua esposa, assim como quem foram os assassinos e como ele orquestrou a vingança. Embora a montagem das mortes tenha sido mais eficiente que os diálogos realizados anteriormente sobre o assunto, essa efetividade não deixou de pecar por não acrescentar em nada à série. O espectador sabe que Bohannon perdeu a esposa, sabe que ele quer vingança, nenhuma informação nova foi colocada, por qual propósito narrativo a montagem foi colocada? A resposta é: Porque era legal.

A cena inicial abre o gancho para a trama subsequente, a partida de Bohannon com o objetivo de procurar mais um dos assassinos de sua esposa. Essa história envolvendo vingança parece possuir um propósito narrativo significante: O famoso MacGuffin, o elemento de roteiro que serve para dar um certo ritmo à história e pode muito bem ser descartado conforme a vontade dos roteiristas. Em nenhum momento a série tenta alcançar uma grande dramaticidade a partir disto, até porque o número de assassinos da esposa é limitado e a maioria já se encontra morto, sendo mais um subterfúgio para dar um ponto de partida, ser utilizado para unir as tramas, além de colocar temporariamente o Cullen em aventuras que podem explorar ao máximo o ambiente ao seu redor, sendo uma forma simples de situar geograficamente as proximidades do acampamento Hell on Wheels.

A união de Bohannon com Lily Bell era algo esperado desde o piloto. Ambos são marcados pela morte de um ser amado, sangue, o que no caso de Bell vem de forma literal em sua vestimenta com fortes tons de vermelho, e possuem um desejo ardente de vingança. É nesse ponto que vemos a atração de Lily por Cullen soando verossímil, não é a química entre os atores o fio condutor, mas o simples fato que eles se encontram em situações parecidas e a jovem, mesmo sem saber de tudo isto, se sentir de certa forma confortável na presença do pistoleiro. Dando espaço para retomar esta trama quando for relevante, o que cedo ou tarde ocorrerá, e finalmente dando um propósito narrativo claro para a personagem que até o momento parecia ser um dos Tendões de Aquiles da série.

Gerar uma união entre os diversos personagens parece que foi o tema do episódio, mostrando que, mesmo possuindo o protagonista como o ponto comum, existem muitas possibilidades para serem exploradas entre cada um. Seja com Ferguson tentando interagir com outros membros da cidade, Joseph Black Moon sendo mais desenvolvido e se mostrando como um contraponto a Doc Durrant, essa junção das tramas consegue dar a concisão que faltava para a série e foi o maior problema dos primeiros episódios.

É frustrante que os diálogos tornem essas boas ideias desperdiçadas em muitos momentos, por oscilarem entre o apenas adequado, como o discurso expositivo de Ferguson em relação aos negros e que só não soa mais estranho por estar em um momento de tentativa de motivação, o inverossímil, como no momento que Durrant expõe toda a sua vida pessoal para um criado, e o óbvio, ilustrado por Lily Bell na fala “You don’t know who i am, or what i’m capable of”. Além de claramente tentarem gerar uma identificação do espectador com os personagens, o que na maior parte dos casos não se mostra bem-sucedido.

Mostrando uma clara evolução em relação aos dois episódios anteriores, Hell on Wheels parece estar conseguindo estruturar melhor a sua história após dois episódios problemáticos e que parecia não sair do lugar tanto da trama quanto da construção dos personagens, mas ainda mostrando que existem pontos a ser melhorados e vícios a serem corrigidos. Resta saber se estamos lidando com uma série boa com pontos ruins ou uma série ruim fingindo ser boa.

Outras considerações:

-O uso do plano plongué, o clássico plano onde vemos determinado personagem a partir de uma câmera superior, na cena que Cullen e Black Moon tentam evitar a morte de Lily Bell foi um ponto positivo da direção de Phil Abraham, pelo fato de este ser um plano iconicamente usado para representa a morte de personagens e não para a perda de consciência, só poderia ter sido melhor aproveitado se de fato nos importássemos com a vida de Lily Bell.

-Engraçado que o roteiro nem faz questão de esconder o que pretende fazer com Ferguson e Eva. Prêmio de casal mais randômico do ano não pode deixá-los de fora da final, caso tudo ocorra como esperado.

-Eu na primeira review estava planejando fazer como as reviews de Breaking Bad ou The Walking Dead onde cada episódio começaria com uma quote de um personagem. Depois do meu comentário sobre os diálogos, acredito que vocês tenham descoberto o motivo de eu ter abortado esta dinâmica, certo?

@guilhermeifc

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