
Os zumbis poderiam ter devorado o responsável pelo primeiro episódio da noite.
Spoilers Abaixo:
Depois de nos presentear com um bom capítulo na semana passada, Happy Endings encontra um capítulo morno em “Of Mice & Jazz-Kwon-Do”.
A trama principal envolve um rato que invade a casa de Alex, que pede ajuda a Dave. Como é de se esperar, esse reencontro acaba fazendo com que os personagens percebam o quanto sentem falta do relacionamento e tentam catalisar isto inventando cada um uma desculpa: Dave fingir que sente falta do apartamento e Alex que queria usá-lo para reparar o apartamento. Algo que, apesar de mais do que reciclado, poderia ser interessante. Se não fosse a falta de química entre Dave e Alex, o que faz com que em nenhum momento consigamos simpatizar com nenhum dos dois. Contribuindo para isso, obviamente, os dois atores: Zachary Knighton e Elisha Cuthbert.
Enquanto isto, Brad arranja um amigo para Max sair, sendo que os dois não possuem nada em comum e logo Max é acusado de achar que basta dois homens serem gays para se atraírem (recebendo nome de gaysist) e evidentemente tenta provar o contrário e descobrir características em comum dos dois. Essa trama está um pouco melhor, apesar de ter um problema grave que é o de demorar em fazer o espectador dar risadas. Entretanto, o ápice da trama consegue ser extremamente divertido, confesso que ri muito quando aquela senhora negra sentou à mesa para conhecer o Brad.
A melhor trama consegue ser aquela que envolve Penny e Jane, que decidem frequentar aulas de Krav Magá e passam a competir para ver quem consegue ser melhor, mas Jane tem uma grande superioridade nesse quesito. Só isso? Sim, mas a grande diferença é o modo como essa premissa é conduzida. Desde o início vemos um confronto da natureza completamente passiva de uma com a competitiva e controladora da outra, o que rende ótimos momentos como a cena que começa com Penny caindo no chão e vai até um falso tiro de bazuca dado por Jane ou o momento da batalha decisiva entre as duas que foi uma homenagem aos filmes envolvendo artes marciais.
Não posso dizer que esse episódio foi um fracasso, até porque por mais irregular que tenha sido teve sim momentos interessantes, mas também está abaixo da qualidade dos últimos capítulos. Um erro que poderia ser perdoado, não fosse o fato de a série ser de meia temporada. Os episódios já são poucos para que boas idéias sejam desperdiçadas desse jeito.
1×07: Dave of the Dead

Mas, se eu não gostei do capítulo anterior, logo voltei a dar boas risadas com “Dave of the Dead”. Desde antes dos créditos, as analogias em relação aos membros do grupo e filmes de zumbi já conseguem capturar a atenção.
A cena mostra uma conversa entre Dave, Brad, Max e Jane que desencadeará boa parte dos eventos episódio. Na conversa, eles discutem quem cada um seria em um filme de zumbi e chegaram à seguinte conclusão: Dave, devido à sua natureza metódica e pouco sonhadora, provavelmente seria o zumbi. Enquanto isto, Max e Jane discutem sobre qual dos dois seria o primeiro a morrer.
Pouco depois, já é visto uma alucinação em que Dave acorda e vai até o seu emprego do mesmo modo que um zumbi iria e o mostra trabalhando no local com outros zumbis como ele. Esta sequência funciona como uma epifania para o personagem, que logo decide não continuar mais no emprego e realizar seu sonho: Abrir um restaurante.
O problema é que essa idéia do restaurante não é muito bem vista pelos amigos, principalmente Alex, que resolve fazer com que os outros contem a verdade para ele. Algo que acaba não ocorrendo, porque todos acham que ele deve seguir seu sonho, ou no mínimo possuem medo de dizer que não querem que ele faça isso (Em um momento, Max fala explicitamente isso comparando ele ao ratinho Fievel do filme “Um Conto Americano”).
Esta trama, apesar de ser a menos engraçada, consegue carregar bem o lado mais intimista do episódio: Dave, um homem já maduro, percebe que o trabalho dele é uma droga, que ele está envelhecendo e nunca conquistou nenhum dos seus sonhos, tentando logo radicalizar e querer mudar tudo isto, por mais que esse sonho seja algo completamente irrealista. Algo que consegue ser balizado na conversa entre ele e Alex, que consegue fazê-lo chegar a um meio termo e continuar trabalhando enquanto monta um negócio menor. E vê-la entregando o anel de casamento para pagar o negócio de Dave consegue mostrar que, por mais que os dois não tenham dado certo no passado, ele sempre será uma pessoal especial para ele.
Enquanto isso, temos Max e Jane competindo para descobrir quem morreria primeiro em um suposto apocalipse zumbi. Executando assim diversas provas, como corridas, confronto de emoção e mira. Foi muito interessante ver os dois personagem com maior orgulho da série se confrontando para ver quem iria se dar pior. Entre os bons momentos destaco o teste de emoção, em que Max derruba cerveja em uma mesa sabendo que Jane iria se descontrolar, por exemplo.
Para finalizar, Penny conhece um homem enquanto estava na lavanderia e começa a sair com ele. O único problema é que ele é um hipster, o que faz com que a garota tenha que se transformar para saírem. Desde o início, vemos boas sacadas como o momento que mostra Penny no passado “se disfarçando” para agradar vários homens, ou a transformação dela em hipster e os conselhos de Max (e se no início o apontei como o grande destaque da série, estou cada vez mais indeciso se a merecedora do título não é Penny). Uma trama que, a princípio, parece destoar das demais, mas logo mostra o motivo de estar situada nesse episódio. Afinal, qual seria a enorme diferença entre esses hipsters que não se esforçam para nada ou sentem emoção com nada e um zumbi? A referência, no início, implícita se torna mais óbvia no final em que os mostra caminhando enquanto os amigos fugiam, quando finalmente as três tramas se encontram.
“Dave of the Dead” no final se mostra um capítulo bem interessante e que consegue manter o nível da série até o momento. Embora não seja a maior homenagem que os zumbis receberam em uma comédia, com certeza consegue divertir a ponto de conseguir fazer com que estas criaturas não saiam revoltadas do cemitério procurando o cérebro do roteirista.














