Será esse o fim do perigoso caminho traçado por Will Graham? Será esse, realmente, o seu design?

O jogo psicológico, dessa semana, entre Hannibal e Will definitivamente pulou para fora da tela e caiu direto no nosso colo. Sim minha gente, Bryan Fuller não está mais brincando somente com as mentes de Will Graham, Jack Crawford, Alana Bloom e Cia., ele está brincando, também, com a nossa mente, e está se divertindo muito a cada minuto que faz isso. Essa review demorou mais que o normal para sair, porque eu realmente tive que esfriar minha cabeça depois de assistir à esse episódio, e juntar os pedaços possíveis para a construção desse texto.

Nesse episódio, Hannibal falou sobre um assunto muito coerente com a própria série: limites. Onde e quais são os limites desses personagens? Em um episódio intenso, que serviu para nos mostrar que as ações e as pessoas em Hannibal realmente não possuem a menor noção de limite.

Um episódio feito, também, para reavaliarmos muitos dos nossos próprios limites como telespectador e, até mesmo, do que estávamos assistindo até então. Sim, Will Graham aparentemente chegou ao fundo do seu poço moral. Digo moral mas não psicológico, porque Will está mais consciente do que nunca. Ele sabe o que está fazendo, o problema, agora mais evidente e forte, é a forma com que ele está fazendo. Will completou uma jornada que de agora em diante só causará a sua própria destruição. Ele está sacrificando sua moral, suas crenças e até mesmo sua sanidade por causa de sua obsessão em parar as ações de Hannibal Lecter e, por tabela, provar que estava certo o tempo todo.

Sim, ainda acredito que é exatamente isso que Will está fazendo. Se tornando Hannibal Lecter para finalmente pegar Hannibal Lecter. Afinal, foi precisamente isso que vimos nesse episódio, Will se transformar em Hannibal Lecter. Claro que temos a forte sensação que, o que ele quer mesmo é soltar o cabelo e viver uma linda história de amor com Hannibal. Mas a real questão é que Will se perdeu e se perderá ainda mais. Portanto, entendo totalmente a quantidade de pessoas questionando as ações de Will depois desse episódio. Will sujou as mãos e não há mais como sair ileso, tanto fisicamente, quanto mentalmente e até mesmo moralmente, dessa situação.

Eu, particularmente, não cheguei a duvidar das ações de Will, afinal, os dois importantes diálogos entre Will e Freddie Lounds (um no começo e o outro no fim do episódio) deixaram bem claro, pelo menos para mim, as reais intenções de Will. É exatamente por causa desses diálogos que eu, também, não acredito que Freddie Lounds esteja morta, acredito que a partir desse episódio ela passou a ser uma forte e importante aliada de Will Graham. Essas são as minhas teorias quanto aos acontecimentos e realmente espero não quebrar a cara mais para frente e passar vergonha. Por isso, deixem as teorias de vocês nos comentários, por favor, assim nos ajudamos a entender melhor o que, diabos, está acontecendo!

Alguém ainda duvida que o Dr. Lecter mandou o Randall atrás de Will, não para matá-lo, e sim para acordar de vez o monstro dormente dentro dele? Will, como um bom ator, aproveitou a oportunidade para criar um espetáculo totalmente dedicado à Hannibal. A maneira com que ele expôs o corpo mutilado de Randall foi, sim, para atrair Hannibal e provar que ele está pronto, no ponto, que o monstro está livre e o gigante acordou. De fato ele liberou o monstro, e o dilema agora é como mantê-lo sob controle.

Vou um pouco mais além e digo que a carne servida no jantar de Will e Hannibal (no fim do episódio) é sim humana, mas não é de Freddie e sim de Randall, afinal Will guardou partes do pobre rapaz em seu freezer. Digo também que Jack Crawford está ciente dos passos de Will, e seu espetáculo é direcionado à Dra. Alana Bloom. Hoje, Alana é a conexão entre Will e Hannibal, é ela a prova definitiva da bondade e/ou maldade de um ou do outro. Se Alana estiver convencida que Will foi para o lado negro da força, será um passo maior para Hannibal também se convencer. A cena de sexo, ou melhor, o threesome mental (Bryan Fuller você realmente é um safado), além de perturbar, serviu para mostrar que a conexão entre esses três personagens é mais ampla do que realmente entendemos, ainda mais em um momento em que a linha da individualidade entre Lecter e Graham está mal desenhada.

E então nos perguntamos, por que Will está nesse joguinho, que cada vez mais o fará se perder? Por que ele simplesmente não deixa as coisas mais claras para Hannibal? Há duas respostas para isso. A primeira, porque isso já se provou infrutífero. A segunda, porque Hannibal Lecter é muito inteligente, mas muito inteligente mesmo. Já perceberam como Will e Hannibal falam e falam sobre os possíveis crimes que cometeram, mas na realidade não estão, de fato, falando nada concreto? Eles se comunicam através de analogias e metáforas, como: “ela era uma porquinha safadinha e ruivinha”. Essas analogias e metáforas servem para dar voltas ao redor do assunto desejado, e é exatamente por causa dessas voltas que Will não pode colocar as cartas na mesa. Afinal ele não tem, ainda, nenhuma prova concreta. Will já cometeu o erro de acusar Lecter sem provas uma vez, e com certeza não o fará de novo. Há, também, as questões de controle e segurança.

Mas, agora chegou o melhor momento dessa review. O momento em que eu falarei sobre Margot e Mason Verger. Admito que estava um pouco apreensiva em ver a interpretação de Michael Pitt, afinal, Mason é um dos personagens secundários dos livros de Thomas Harris que eu mais gosto. Mason e, claro, o “Fada dos Dentes”. Mason é especial para mim, porque ele foi o personagem mais obcecado por Hannibal Lecter (sim, mais que Will e Clarice), ele também foi aquele mais amava Hannibal ao mesmo tempo que foi aquele que mais o prejudicou. Mason é totalmente insano. Hannibal não precisou fazer muito para contribuir para essa insanidade. Na realidade ele precisou somente rejeitá-lo e o estrago foi feito. Por esses motivos a atração entre Mason e Hannibal foi, além de instantânea, espetacular.

Nos primeiros vinte segundos em que, realmente, vi o Michael, todos os meus receios acabaram. Eu disse e repito, esse rapaz é tão atraente e ao mesmo tempo tem um rosto tão fortemente insano, que o personagem, Mason, só ficaria melhor se o próprio Gary Oldman voltasse para interpretá-lo. Inclusive, percebi uma semelhança na voz do Michael e na voz de Gary, e isso, a meu ver, mostra o nível de atenção, respeito e carinho de Michael Pitt e Bryan Fuller com o personagem já tão bem estabelecido em nossas mentes.

Mason chegou mostrando um total descaso com os seres humanos. Afinal, comparar ser humano e porco prova a insanidade desse brilhante personagem. A pequena interação entre Hannibal e Mason nos deu um gostinho da força que esse embate terá, do relacionamento de amor e ódio que os dois estão destinados a ter, e pobre Will que ficará bem no meio desse jogo de poder e insanidade que será disputado entre Hannibal e Mason. Pobre Will e feliz Fernanda.

Margot vem correndo por fora. É muito bom ver que a Margot da visão de Bryan Fuller, não é a vítima indefesa, ela é tão manipuladora e decidida quanto os demais personagens. Margot lutará pelos seus objetivos, já que o Sr. Verger deixou bem claro que o controle do seu império sempre deverá ficar nas mãos de seus descendentes masculinos. Essa regra já é ruim o suficiente sozinha, mas ela também atrapalha os planos de vingança de Margot. É simples, se Margot matar o irmão ela perde tudo, e então Mason venceria de qualquer maneira. É então que entendemos e vemos mais a eficiência do roteiro da série, que nos mostra que Margot não se contentará, e que ela também tem seu plano, e de certa maneira controle da sua situação. Lembram quando eu mencionei em uma review passada que Margot, no livro, era lésbica? Aqui na série ficou claro que ela curte meninas, mas decidiu seduzir Will Graham, justamente para tentar garantir seu herdeiro homem e assim conseguir se livrar de vez do irmão. E isso meus amigos, deixa a trama ainda mais interessante e cheia de possibilidades. Possibilidades, inclusive, de mais personagens aparecerem, e aparecerem antes do tempo.

Devemos lembrar que a série é baseada no universo do livro “Dragão Vermelho”, mas, mesmo assim, a timeline é diferente. Hoje, estamos presenciando os pré-acontecimentos do livro, o que nos faz entender que Bryan Fuller tem uma extensa liberdade criativa e, assim, um extenso leque de possibilidades para o futuro da série. Vale lembrar também que os Vergers não aparecem no livro “Dragão Vermelho”, portanto, a entrada dos Vergers, nesse momento da história, é  Bryan criando sua própria versão para o universo de Thomas Harris. Uma versão que está funcionando muito bem. Arrisco dizer que essa versão de Fuller está deixando melhor o que já era muito bom. Sem contar que Bryan continua mostrando que tem total controle de onde quer levar a história.

Cada vez mais, não tenho dúvidas que Hannibal é, hoje, a melhor série que eu assisto. Uma série completa, tanto visualmente quanto no quesito interpretação, no quesito roteiro e no quesito planejamento, mas, principalmente, em alimentar nossa esperança referente aos futuros acontecimentos. #ObrigadoNBCPorRenovarHannibalSuaLinda

Artigo anteriorSurvivor Cagayan 28×11: Havoc to Wreack
Próximo artigoABC encomenda spinoff de Capitão America em forma de série