
A singela diferença entre monstros e vítimas…
Spoilers Abaixo:
Já sabemos que Hannibal conta com um ótimo time de roteiristas, um elenco poderoso e uma estética visual fora do normal, mas agora, pelo menos eu, começo a sentir falta daquele algo a mais.
Esses dois episódios continuaram nos mostrando o caminho percorrido por Will rumo a insanidade. A questão é que esse caminho, agora, parece um pouco mais estagnado, demorado e sem avanço ou evolução efetiva. Desculpa, vou me corrigir um pouco, esses dois episódios nos mostraram melhor o controle que o dr. Lecter terá sobre Will, e o que ele estará disposto a fazer para ter esse controle. Que manipulação brilhante do dr. Lecter que cada vez mais joga Will no fundo do poço mental.
Em Trou Normand, Abigail Hobbs volta para mostrar que Jack Crawford tinha razão desde o início quando desconfiava de seu envolvimento nos crimes do papai Garret Jacob. Abigail servia como isca para as ações do pai, era ela quem tinha o contato inicial com a vítima. Abigail se envolvia por medo de que se o pai não tivesse alguém para matar a vítima se tornaria ela, já que o perfil escolhido por Garret era de meninas parecidas com a filha. Tornando assim a pergunta de Abigail muito importante: o que ela fez que resultou no desejo do pai em matar garotas parecidas com ela? Nada mais justo Abigail querer se livrar do estigma de “filha de peixe, peixinho é” através de um livro de memórias, afinal livros de memórias estão na moda. Nada mais justo também a pessoa que escreverá esse livro ser Freddie Lounds, para desespero de Will.
Com a descoberta do corpo de Nicholas Boyle, Will começa a entender quem Abigail realmente é, mas o único resultado dessa descoberta é Will cair cada vez mais no controle do dr. Lecter, já que com a intenção de defender Abigail ele deita totalmente na cama com o inimigo, quando decide acobertar as ações de Hannibal Lecter (que por sua vez acobertou as ações de Abigail). E assim, fácil, dr. Lecter consegue estabelecer uma grande vantagem sobre Will Graham, uma vantagem psicológica. Esse segredo dividido entre os dois pode facilmente acabar com ambas carreiras, mas a realidade é que é Will quem tem mais a perder.
O caso paralelo em Trou Normand, foi sensacional pela sua simplicidade. Lawrence Wells (Lance Henriksen) comete assassinatos através dos anos como um plano de aposentadoria, já que em sua visão a prisão é melhor e mais confortável do que o asilo que teria condições de pagar. Mas o bizarro não acaba aqui. Lawrence “guardou” os restos mortais de suas vítimas durante os anos para no momento da tal aposentadoria criar um monumento/totem com esses restos. E no meio disso tudo, teve até espaço para descoberta do filho que ele não sabia ter, filho esse que ocupou o lugar de destaque em seu totem. Não podemos dizer que a equipe de roteiristas de Hannibal não é criativa.
Mas a real questão de ambos episódios é o forte indício do declínio mental de Will que além de alucinações intensas começa a sofrer lapsos temporais. Eu realmente ficaria bem irritada se Will, além de sofrer com seu dom da empatia extrema , fosse dono de distúrbios mentais. Isso possivelmente tornaria suas ações totalmente questionáveis e fora do contexto dado não somente ao personagem como também a série. Felizmente em Buffet Froid, descobrimos que na realidade Will é vítima da Encefalite (infecção aguda do cérebro, causada por vírus, bactéria ou até mesmo complicação de outras doenças infecciosas). Alguns dos sintomas da Encefalite, como alucinação e alteração da consciência, explicam mais o que acontece com Will.
Encefalite misturada com a empatia extrema fazem Will ficar totalmente a mercê do dr. Lecter, que como eu disse não medirá esforços para controlar e estudar Will. O interessante é ver como a evolução dos dois personagens são totalmente ligadas e ao mesmo tempo tão diferentes. Quanto mais Hannibal Lecter ganha poder, mais fraco Will se torna. Cada vez fica mais explícito o dom da dissimulação que Hannibal tem e assim cada vez mais o personagem se torna interessante. Eu nunca cheguei a duvidar da culpa de Hannibal na morte de seu colega, dr. Sutcliffe. Afinal, o controle e estudo da mente de Will não tem espaço para parceiros, é um segredo que Hannibal fará de tudo para ser somente seu.
Não entendo muito bem as ações da dra. Bloom, mas a real é que não me importo com ela e não sei bem explicar o motivo dessa minha falta de interesse. No que diz respeito ao livro sei a importância dela na história, mas na série, até o momento, acho ela totalmente desnecessária, mesmo sendo o interesse romântico de Will. E para falar a verdade a evolução da relação entre Will e a dra. Katz me interessa bem mais. As ações de Jack Crawford também me confundem um pouco. Ele se preocupa com Will, mas não quer abrir mão do seu melhor profiler, mesmo sabendo o quão prejudicial as investigações são para ele. De nada adiantou aquele discursinho de conte comigo, ainda mais quando ele mesmo diz que um pouco de loucura não é nada perto das pessoas que Will salvou ou salvará. Ele só esquece que Will não filtra, ele absorve tudo.
Agora além de Abigail Hobbs existe outra pessoa capaz de desmascarar Hannibal Lecter, afinal Georgia Madchen presenciou o momento em que ele silenciou de vez o dr. Sutcliffe. E não pensem que o dr. Lecter tem vantagem, já que Georgia além de sofrer de Síndrome de Cotard (rara síndrome psicológica, onde a pessoa acredita estar morta e não reage a estímulos exteriores e nem a outras pessoas. Inclusive essa síndrome pode até levá-la a acreditar que seus órgãos internos estão apodrecendo), ela não tem mais a habilidade de identificar os rostos das pessoas. Por enquanto! Ou não, afinal quem duvida que logo mais o dr. Lecter dará um jeito nisso?
Um salve poderoso para Ellen Muth, mais uma convidada da festa Bryan Fuller. Quem lembra dela como a George Lass de Dead Like Me? Mais bonito ainda é que aqui em Hannibal ela deixa de ser George para ser Georgia. Bryan Fuller e suas safadezas, que são verdadeiros deleites para aqueles que acompanharam suas outras séries.
Hannibal é sem dúvida uma série de conteúdo sério, bem feita e uma gostosura crocante para quem acompanha. Mesmo assim, chegou a hora de dar um pouquinho mais de velocidade a evolução de Will Graham e Hannibal Lecter.
Quem está feliz com a renovação da série? Agora só nos resta torcer para Bryan Fuller se livrar de vez de sua maldição de no máximo duas temporadas.














