Se Maria do Bairro, Marimar e Maria Mercedes participassem de um episódio de Grey’s Anatomy, “Adrift and at Peace” seria esse episódio. Virgem de Guadalupe, olhe por essa série!

Spoilers Abaixo:

Antes que atirem a primeira pedra ou comecem a xingar minha mãe, é inegável que esse fall finale de Grey’s Anatomy foi agradável. Bons momentos, boas atuações, casais fofos e cenas emocionantes, mas nada disso me impede de pensar que Grey’s Anatomy virou um barato e canastra dramalhão mexicano. E eu explico:

Não é de hoje que venho criticando essa temporada de Grey’s Anatomy, e às vezes posso até assoprar após bater, mas prestem atenção, eu sempre disse que com essa temporada a série corria um grande risco de virar uma grande bagunça, cair na mesmice e perder a graça. Ou quase isso.

O problema pode não ser Cristina Yang, mas está claro que essa trama da personagem é chata e desnecessária, e durou muito mais que o suficiente, parece que Shonda Rhimes e sua equipe pensaram: “Essa trama tem que rolar até o fall finale, vamos fazer de tudo, Sandra Oh terá até que fazer a lap dance.” – E foi isso que aconteceu. A trama teve ótimos momentos, ótimos mesmo, cenas que fizeram os fãs (me incluo) gritar: “Emmy para Sandra Oh” – mas até Chiquititas fez isso, eu queria um Troféu Imprensa (prêmio equivalente á um Emmy, é claro) para Fernanda Souza quando a Milli ficou cega na novelinha, foi lindo, foi comovente, foi mexicano e eu tinha apenas cinco anos (ou menos), mas hoje sou um velhote, sem coração e um pouco mais inteligente, então Shonda Rhimes, não desafie minha inteligência, não desafie meu senso crítico…

Contudo, como foi dito e também batendo e assoprando ao mesmo tempo, a cena em que (a meu ver) cai a ficha de Yang e ela percebe que está pescando ao invés de abrindo corpos e salvando vidas, que ela está deixando todos seus sonhos para trás e prestes a se tornar uma pessoa infeliz e sequelada, foi realmente linda. E esse foi um daqueles momentos: “Emmy pra Sandra Oh”, sabe? – Mas o restante da trama NO episódio: Marimar, Maria Mercedes, Maria do Bairro.

Mas nem todos os santos mexicanos e todos os novelos da alta cúpula da Televisa chegaram tão baixo, tão inacreditavelmente clichezento (palavra nova no seu dicionário, anote), ao ponto de desenvolver essa trama da Teddy. Se eu fosse a Kim Raver pedia para sair.

Quando anunciaram um romance à lá Denny Duquette para Teddy já pensei: “Essa Shonda Rhimes não desiste nunca” – trama batida e rebatida na série, mas agora, golpe no plano de saúde? Primeiro que a trama não é nada original (foi brincadeirinha o que foi dito acima), e segundo, alguém quer apostar que Teddy e paciente-sem-plano-de-saude se apaixonarão verdadeiramente, mas isso após inúmeras brigas e situações constrangedoras ou após todo e qualquer outro lengalenga que todos já conhecem. O plot não foi bem desenvolvido, foi precipitado, é ruim, é mais do mesmo, e não irá funcionar. Mas, espero, quem sabe, morder minha língua como inúmeras outras vezes.

Outro momento “vamos esperar até o fall finale” foi esse retorno esdrúxulo de Lexie e Mark. Ela fugiu dele a temporada toda até então, pegou o Karev, flertou com o Jackson, não demonstrou sentir saudade. Ele ficou babando e rodeando. Foi feio. Outra trama mal desenvolvida, mas essa teve dez episódios para ser desenvolvida, e deu nisso, um beijo no bar e um retorno à sexta temporada. Fim.

Como um episódio não pode ser de todo ruim, a competição da Bailey entre Lexie, Jackson e April foi divertida, gosto deles juntos. E apesar da cena em que a Bailey entra na sala de reuniões ter sido desnecessária, até que foi legalzinho. O que não é legalzinho é esse novo namorado da personagem. Se não fosse Shonda Rhimes a criadora dessa série, eu começaria a formar uma teoria de racismo dos roteiristas, já que todo namorado da Bailey é negro, porque ela é negra. Boo you, para a série.

A discussãozinha entre Owen e Meredith sobre o futuro de Cristina foi simpática, meio mal feita, meio exagerada, mas no fim até que funcionou, e Dra. Grey estava adorável.

Já o grande trunfo mexican de “Adrift and at Peace” foi o retorno da chatíssima Arizona. A cena foi realmente linda, admito, e Sara Ramirez mesmo sem falar é genial, contudo, Arizona bem que podia ter sido esmagada por um elefante ou ter pego malária, sei lá. Queria que essa porta fechada da Callie fosse uma porta de Grey’s Anatomy fechada para a pediatra. Até o Dr. Stark poderia continuar, nem ligo.

É triste ver uma série que por anos foi uma das minhas favoritas, virar isso, um barato, canastra, sem graça e pobre, dramalhão mexicano.

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