Ele não faz a menor ideia.

Spoilers Abaixo:

Não sei se posso dizer que estou surpresa com essa temporada de Grey’s Anatomy, mas a verdade é que é assim que me sinto. Não é uma surpresa de “oh, nunca imaginei que seria bom, isso nunca aconteceu antes”, mas a sensação vem do fato de que, lá no começo da temporada, eu havia, digamos assim, perdido muito da minha vontade acompanhar a série. Sei que esse sentimento era amplamente compartilhado, e sei também que, nesse exato ponto da temporada, as opiniões convergem para um único lado: Grey’s Anatomy está ótima. E é muito bom poder dizer isso, apesar da sombra negra que sempre paira sob a produção. Não citarei nomes (continuo achando que é mau agouro), mas todos sabem exatamente do que estou falando.

A trama da venda do hospital tem mostrado muito mais potencial do que se poderia prever. Não é a coisa em si, mas o tratamento que ela recebe. E é impossível negar que o grupo formado por Derek, Meredith, Cristina, Callie e Arizona está dominando o cenário de forma espetacular. Todas as cenas em que eles discutem, pensam no assunto ou se mobilizam são excelentes e tem imprimido um ritmo ágil à história. Não é só um trabalho dos atores, é necessário admitir. Percebe-se que essa é uma trama bem escrita e bem dirigida. E não poderia ser de outra maneira, porque desde o desastre de avião o espaço para erros em Grey’s ficou extremamente reduzido. Essa temporada veio com o peso de manter o público que começou a duvidar se valia ou não a pena continuar assistindo aos episódios.

Foi difícil desprender a atenção na tela nessa semana. A tensão estava embutida e era possível senti-la à distância. Por algum motivo, fiquei muito preocupada com tudo o que se desenrolava e me senti parte da ação. Senti todos os medos. O de o hospital falir sem comprador e o de ser comprado pelo grupo errado. Por isso, não tinha como não adorar o modo como nossos cinco protagonistas se uniram para salvar o Seattle Grace Mercy Death. Apesar do clima pesado, o andamento foi divertido, entremeando os momentos de seriedade com outros mais leves e engraçados. Como não rir de Meredith roubando um prospecto financeiro? De Derek mandando um interno fazer chifrinhos em suas imensas fotos promocionais? De Cristina chamando atenção para o fato de que ninguém ali manja nada de administração?

Sou só elogios para a sequência em que todos se demitem e são observados por um Owen embasbacado e traído. Por uma Cahill chocada e amedrontada pelo fracasso e por Richard, com aquela expressão de quem pegou as crianças fazendo arte. Sensacional.

O caso com Owen deve ganhar feições interessantes e acho que será ótimo para o personagem, que perdeu um pouco de sua personalidade original quando se tornou Chief. A relação com Cristina será igualmente abalada, mas nesse caso, espero que dure pouco. Quando o hospital for comprado, por meio desse golpe perfeitamente arquitetado, Owen terá de enxergar as verdadeiras intenções.

Também devemos esperar muitos outros conflitos, não só administrativos, mas éticos e legais. Parece que essa compra, como foi estruturada a partir da demissão, pode causar novos processos, afinal, a Pegasus foi sabotada, de certa forma. As questões mais práticas ficaram bem pontuadas por Bailey e o menininho com câncer. Vai ter muita briga sobre procedimentos e dinheiro, o que nos dará uma nova visão sobre o universo hospitalar. O lance de Owen com as enfermeiras é outro bom exemplo para o caso.

Mas nem tudo girou em torno disso. Houve excelente aproveitamento do elenco nas tramas mais leves e românticas. Já torço muito por Karev e Jo, embora ela esteja mais interessada em outros médicos. A cara de Alex foi impagável ao descobrir que todas as perguntas sobre relacionamentos com colegas de trabalho não se referiam a ele. Também gostei de ver Kepner arrumando um homem que compreende e compartilha de suas crenças, apesar de que, na prática (e na teoria) ela não é mais virgem. O simples fato de não ter contado logo de cara é o que vai gerar problemas e, quem sabe, levá-la de volta para Avery, que afinal, está pegando a interna, mas ainda afirma que é só diversão, nada além disso.

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