Grey’s Anatomy segue tentando nos levar para novos caminhos e tropeçando no meio disso tudo por insistir em trazer antigas narrativas com uma nova abordagem que claramente não funciona mais tão bem, ou até mesmo que nunca funcionaram.
Reunited
Os fins justificam os meios? Meios estes que são entediantes e um tanto quanto irritantes? Foi essa pergunta que me fiz ao assistir o terceiro episódio desta nova temporada, não que tenha sido completamente ruim, os últimos dez minutos foram muito bons e mostraram um bom ápice, porém os outros trinta minutos foram tão desinteressantes ou desnecessários para a história em si que me pergunto se realmente valeu a pena.
Começando por um arco ridículo onde colocam o Koracick perseguindo o Owen, que acaba saindo como herói de tudo isso, realmente não consigo entender como a Teddy escolheu este homem, gosto da ideia de ver mais ela do que o Owen, como eu disse nem tudo foi ruim. É clara a tentativa de limpar a imagem do ruivo agora e isso não fez efeito nenhum em mim, as cenas da Teddy explicando sobre casos que ela teve na Alemanha e o passeio pelo hospital foram tão entediantes.
Seguindo para o “grande” caso da semana que teve a participação especial de duas das três protagonistas de “Charmed”, que para quem assistiu a série deve ter sido muito bom, infelizmente para mim não foi, a reviravolta da terceira irmã estar viva foi legal e colocaram o Webber ali, mas poderia ser qualquer personagem também. Falando em Webber, irei apenas perguntar: colocar o personagem pra trair de novo? Dá pra presumir que encontrar a antiga amiga dele gere alguma coisa agora que ele e a Catherine estão desentendidos, caso ele traia de novo, pela terceira vez, ficará mais evidente que não sabem o que fazer com ele.
Meredith apareceu apenas para servir de assistência para Jo e para sua paciente que não queria se operar sem Grey, o que mais me irritou em tudo isso nem foi a Bailey, mas sim a posição de Qadri desrespeitando a Jo, que não tem culpa e só estava fazendo seu trabalho, sei que a atriz saiu da série por uma decisão sua, mas aquele espetáculo e a demissão depois foram um tanto quanto incoerentes se pararmos pra pensar que a Bailey já relevou tanta coisa de seus residentes. DeLucca também apareceu pouco, mas gostei da lição que ele deu ao Levi.
A melhor parte do episódio fica para Amelia e Link, aqueles pacientes que não se encontravam há anos foi um pouco forçado demais, porém fingirei pelo fato de ter Amelia e Link felizes contando sobre a gravidez.
It’s Raining Men
Vocês lembram lá na décima terceira temporada quando contrataram a Minnick para cuidar da metodologia do hospital e os médicos se dividiram em dois grupos? Eu também não, mas digamos que agora é diferente, com uma problemática mais palpável e motivações que realmente importam vão repetir essa divisão, o que pode ser legal para movimentar as relações de Grey’s Anatomy.
E não é que a onda de cancelamento chegou até o Grey-Sloan por causa do artigo mal interpretado e publicado de Meredith, de forma completamente sensacionalista e as consequências chegaram ao hospital, o que não deu para descer muito foi os pacientes se negando a receber tratamento lá por conta disso, mas de resto foi bem interessante de se assistir.
Diferente da semana passada, Jackson teve um papel importante nesse episódio, infelizmente foi dentro do plano de transformar o Koracick numa espécie de vilão, o que não faz nenhum sentido dentro do que já foi apresentado do personagem, Avery não errou de fato em tirar a cirurgia de todo aquele espetáculo para limpar a imagem do hospital, o que Levi falou sobre os privilégios faz sentido só não naquele contexto, mas percebem como já começam a dividir os personagens em dois lados? Acho que isso vai ser interessante de acompanhar.
Outro flashback: lembram quando a Amelia descobriu que estava agindo de forma impulsiva por conta de um tumor em seu cérebro, pois é, não que engravidar seja de forma alguma uma doença, mas percebem a reutilização de contextos? Bailey está grávida e possivelmente na menopausa, o que com certeza trará algum tipo de complicação no futuro já que estamos falando de Grey’s Anatomy, o que foi usado como justificativa para a forma como ela estava agindo, espero que desenvolvam de forma satisfatória este arco para a personagem.

Meredith até tentou amenizar o impacto de suas palavras fora de contexto mas não deu muito certo, a cena com a Bailey foi algo que eu precisava, é positivo tirar a personagem da sua zona de conforto e trazer uma cena que antes poderia ser considerada comum, como uma conversa com Bailey e que agora tem um peso muito importante para a história sendo contada.
Até o desentendimento com DeLucca foi bem inserido no episódio, existem limites que os dois podem cruzar pelo outro, Meredith tem um propósito e DeLucca tem seu emprego, apesar de seu relacionamento, os dois têm motivos coesos na “discussão”.
Outro que teve uma participação mais agradável foi Owen e sua ida para o Pac North e assim aumenta a separação dentro do núcleo de personagens, espero que pelo menos um se junte ao novo hospital da série. Quero um episódio que tenha mais foco lá também, sinto que esse núcleo tem muito a oferecer.
Mais uma vez a melhor parte do episódio fica com Link e Amelia, chega a ser repetitivo dizer o quanto os dois têm química, o discurso do Link foi lindo e eu gosto como o roteiro constrói essa relação aos poucos, de forma natural, mas também sem pontas soltas, é um longo caminho ainda e a caminhada dos dois tem sido muito boa.
Grey’s Anatomy começa a realmente traçar seus objetivos e pretende mudar a dinâmica da série por completo pelo menos por um tempo e acredito que seja isso que precise mesmo, com um episódio mais ou menos e um agradável a série entrega uma narrativa coerente até onde pode.















