Finalmente uma dose boa de emoção em Grey’s Anatomy. Nossa carência nesse sentido estava absurdamente crônica nessa décima quarta temporada de puro improviso e falta de cuidado. Como semana que vem encerramos esse ciclo, é hora de começar a fechar o cerco para as despedidas de Arizona e Kepner.
Como as atrizes não sacanearam ninguém e Shonda não ficou com raivinha de nenhuma delas, a saída de ambas parece que será em bons termos, em vez das tradicionais mortes violentas. Parece, no entanto, que Kepner pagou alguns pecados para nos entreter com seu acidente de caro, seguido de hipotermia e revelação de romance secreto, que aliás, era super previsível. De qualquer forma, a inesperada probabilidade de Kepner não suportar mais esse baque foi bem intensa. Era notável o clima de adeus e de certa tristeza nos personagens, muito mais porque esse parece ser o sentimento do próprio elenco do que pelas cenas e atuação em si.
April sofreu seu bocado nesses anos de Grey’s Anatomy. Amadureceu, mudou, mas não deixou aquele jeito chatinho de ser jamais. Confesso (não que eu precise, é notável que Kepner não é uma das minhas favoritas e nunca será) que não sentirei a menor falta dela na série, mas a trajetória dela como um todo se fecha de forma positiva. Gosto de vê-la se reencontrando e reconstruindo a vida depois de ser atingida por mais realidades do que ela jamais esteve preparada para enfrentar.
Foi bem importante que April e Maggie estivessem de mãos dadas nesse momento, com Maggie salvando a vida de April, numa clara tentativa de acalmar os ânimos de quem ataca Kelly McCreary por sua personagem estar envolvida com Jackson (e por ser negra). Pois é. A internet pode ser bizarra e quase não creio quando vejo que Sarah Drew precisa apartar briga de babacas de fandom e implorar para as pessoas não serem completas idiotas com uma colega de trabalho dela que, afinal, é só mais uma personagem numa obra de ficção. E a coisa é nesse nível mesmo, a ponto de os roteiristas se deixarem influenciar e criarem um jeito de mostrar que as suas não estão brigando e não se odeiam por causa de Jackson.
Outro ponto interessante foi com Avery e sua fé de que April iria sobreviver. Não acho que ele passa a acreditar em Deus, mas a oração é mais uma intenção para o bem e não necessariamente um pedido mágico para uma entidade específica.
Arizona, por sua vez, foi uma dessas personagens absolutamente adoráveis, um raio de sol na série, que foi perdendo força e se tornou alguém sem brilho. Callie, que seguia esse mesmo perfil teve o mesmo problema e parece que o importante é que as atrizes (sempre elas), sabem a hora de bater em retirada e encerrar suas participações com o mínimo de dignidade. Foi ótimo ver que Arizona sai de Seattle para algo incrível e que tem a ver com ela e o que representa. A aparição de Nicole Herman vem para dar um novo curso para Arizona e encerrar (talvez) os traumas de Amelia, eternamente presa ao próprio tumor. Foi super bonita, também, a declaração de amor que Bailey fez para ela. Resume bem o sentimento do elenco e de todos nós.
Agora, resta esperar pela Season Finale, pelo casamento de Karev e Jo e, quem sabe, por um final feliz para essa temporada, já desejando que a próxima tenha mais acertos do que erros.














