Miranda Bailey é o centro das atenções em (Don’t Fear) the Reaper, esse belíssimo episódio de Grey’s Anatomy e meu primeiro pensamento sobre isso foi: Já não era sem tempo. Parem para pensar. A última história relevante com a personagem foi há séculos e, convenhamos, Bailey sempre foi uma das mais emblemáticas mulheres da série.

O mergulho em seu passado, onde vislumbramos pela primeira vez sua família, infância e adolescência foi um elemento importantíssimo para que a compreendêssemos e saímos do episódio não apenas com lágrimas nos olhos e uma sensação boa de realização, mas com a certeza de que é possível sim, ir além e aprofundar até mesmo os personagens que julgamos conhecer por completo.

Vimos em flashbacks e também na atual situação de Bailey que ela é uma pessoa capaz de suportar grandes pressões. Ao mesmo tempo, ela é humana e encontra seu limite aqui e ali. Miranda Bailey é uma mulher que sabe o valor de suas conquistas. Mulher, negra, mãe, filha, esposa, profissional de sucesso, chefe de um grande hospital. Nada disso veio fácil e é claro que ela lutou sabe-se lá quantas vezes mais do que um homem qualquer ou que uma mulher branca, por exemplo. Miranda Bailey é incrível. Mas mesmo os incríveis precisam de ajuda de vez em quando.

Além dessa questão toda, (Don’t Fear) the Reaper não hesita em mostrar assuntos absolutamente pertinentes a todos nós. É de uma identificação sem limites, o tempo todo. A começar pela relação entre Miranda e a mãe, que nos faz lembrar dos cuidados excessivos e de que, afinal, é provável que nos tornemos nossos pais, em algum nível pelo menos. Foi um dos pontos altos do episódio, sem dúvida. Emocionante e esclarecedor.

Grey’s Anatomy 14x11: (Don't Fear) the Reaper
Grey’s Anatomy 14×11: (Don’t Fear) the Reaper

Depois, vemos a luta de Bailey para ser levada a sério pelo médico. E aqui, convenhamos, qualquer um pode se enxergar. Quem nunca foi negligenciado num hospital? Isso acontece todos os dias, em todos os lugares. Foram poucas as vezes em que cruzei um médico que estivesse disposto a ouvir antes de tirar conclusões óbvias. E se você for mulher ainda pode ter sues sintomas tratados como “histeria”, que é algo comum de se ouvir. Se você tiver alguma doença como depressão ou TOC pode ser só um “surto” ou sei lá, “vontade de chamar a atenção”. A lista de preconceitos poderia ser longa se eu fosse continuar. Nesse caso específico, Bailey é uma profissional de saúde. Ela tem a vantagem de SABER o que está acontecendo. Quem não tem curso de medicina segue indefeso e dependente da sorte.

Para piorar, temos a situação com Maggie. Especialista em sua área de atuação, mas claro, questionada e sem mérito para opinar e ensinar por ser, basicamente, mulher (e negra, é claro). A expertise dela é tão subestimada que fiquei furiosa, mesmo sabendo que é uma obra de ficção. Na vida real acontece todos os dias também. É patético ver que Richard precisa interferir para que seu estimado colega baixe a bola e deixe quem entende do assunto de verdade resolver a questão. Era uma vida em jogo, no entanto, o ego do chefe de cardiologia parecia ser a prioridade ali.

Com tanta coisa para pensar, ficamos ainda com a lição de que a vida é muito curta para passarmos por ela fazendo algo que não amamos. Lindo para quem pode colocar em prática, mas difícil e frustrante para quem não tem opção e precisa sustentar a família e pagar as contas, sem muita chance de escolher se vai ser médico, bombeiro ou pular de paraquedas no Chile. Honestamente, achei essa parte meio “gourmetizada”, mas não quero dizer que a mensagem não tenha valor. Ela tem, sim, mas é pra quem tem condições.

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No caso de Ben, pelo menos as coisas se resolvem e Miranda percebe que não pode cercear o direito do marido de fazer essa escolha. A agonia dela é compreensível e sua experiência no hospital e suas lembranças do passado se unem para mostrar que ela já esteve nessa situação e seguiu em frente. Miranda, assim como sua mãe, só pode desejar que marido tenha sucesso e fique sempre bem.

REVISÃO GERAL
Nota:
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