Com Personal Jesus, um episódio construído para instigar a reflexão sobre diversos temas, Grey’s Anatomy entrega mais uma semana bem-sucedida nesta 14ª temporada. Parece que os tempos de enrolação ficaram em 2017 definitivamente e agora as histórias são resolvidas de um jeito tão prático que chega até a ser estranho.
É claro que estou falando do cliffhanger do episódio anterior, onde vimos Paul sendo atendido após um atropelamento. Foi quase confuso ver a suposição de que Jo e Karev seriam os responsáveis, passando a vez para Jenny, finalizando a questão com um motorista bêbado. E no meio disso Paul está lá, dono da situação, arrogante à máxima potência, ameaçando Jenny – que ganhou uma súbita consciência sobre seu relacionamento abusivo e agora decide que vai denunciá-lo – sem imaginar que iria cair da cama, bater a cabeça e ficar nas mãos de Jo, que finalmente decide doar os órgãos do marido com morte cerebral e seguir com a vida. Sou eu ou isso foi MUITO rápido?
Longe de mim querer plot arrastado. Tenho pavor, inclusive. Mas me pareceu apressado e fácil demais. Tive a impressão de que essa história seria desenvolvida de um jeito mais profundo e não ao acaso. O que Jenny fala é real. Ela queria ver Paul na cadeia, sofrendo as consequências por seus atos e aí, no meio de tantas demonstrações de sororidade o cara simplesmente morre e segue o baile? Só em um seriado, filme ou novela o pesadelo acabaria tão facilmente. Claro que Jo está há anos sob a sombra do terror, mas tudo foi meio providencial demais. Falta usar melhor o senso de timing na série, isso é certo. Apesar disso, ficam os elogios pela atuação de Camilla Luddington, que esteve incrível neste e no episódio anterior e pelo modo como o que importa de fato foi tratado na série.

Com esse assunto finalizado, o foco muda para April, que narra o episódio e tem sua fé testada de diversas maneiras. O caso do garoto Eric é extremamente importante e mostra um lado aterrorizante que faz parte da vida de todo negro. Não tenho a menor ideia do que seja passar por algo remotamente parecido com isso, mas é doloroso saber que coisas assim acontecem todos os dias e que existe um número incontável de famílias que precisam ensinar seus filhos a não agir de modo inesperado para não sofrer com as reações da polícia. A revolta de Avery e de Bailey é real e sim, esse é mais um tópico indispensável para nossa convivência em sociedade.
O que acontece com a esposa de Matthew é uma fatalidade. Terrível, mas não se pode culpar alguém. Mesmo assim, esse caso entra na conta de Kepner. O dia no hospital é tão intenso que a faz questionar tudo em que acredita. Mesmo assim, fica a sensação de que é estranho uma medica que já passou por tanta coisa e que se fortaleceu muito com suas experiências de vida, mude de atitude num estalar de dedos, a ponto de se mostrar fria e de se punir. Sim, pois para April, sexo casual, bebida e coisas do tipo são algo que vai contra sua própria natureza. Como não sei para onde querer ir com isso, melhor esperar e entender qual a mensagem aqui.
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Como sempre, para aliviar os momentos de tensão, Grey’s Anatomy nos reserva cenas como a do laboratório com Maggie ou a aula sobre masturbação com Carina DeLuca. Talvez seja cruel achar graça de um garoto que não sabe interpretar textos (os bíblicos então, são um clássico, cada um interpreta e usa como melhor lhe couber, não é mesmo?) e que é capaz de cortar a própria mão só para evitar recaídas, mas enfim, não nego que ri (um pouco) de tamanho absurdo. E também da insistência no tal concurso e do jeito como Kepner descobre que está sendo manipulada por Richard. Daqui a pouco encerram a competição por falta de quem organize e julgue a coisa toda.















