E quando o quintal da sua casa está mais sujo do que o resto da cidade?

Essa pergunta pode facilmente ser direcionada para Bruce Wayne, que começou a descobrir em “Viper” que a Wayne Enterprises é parte importante da corrupção que assola a cidade de Gotham. Com isso, a trama da série continua no mesmo caminho de desenvolver sua trama central, da disputa pelo poder em Gotham, utilizando-se dos casos da semana como pequenas peças de um quebra-cabeças bem maior.

No caso da semana – mais uma vez criativo e bem desenvolvido – conhecemos Stan Potolski, um brilhante bioquímico que desenvolveu a droga Viper, que dá super-força a quem a usa e, ao ver o uso que a WellZyn (uma subsidiária do grupo Wayne) teria para sua invenção, decide dar uma mensagem para a empresa e para toda a cidade, distribuindo a droga nas ruas e causando um caos em Gotham.

Mas ainda que tenha sido interessante ver a delegacia de Gotham tomada por moradores de rua superpoderosos, a figura central deste quinto episódio foi o pequeno Bruce Wayne. E tudo isso porque o garoto acabou descobrindo o papel central da Wayne Enterprises em tudo o que acontece na cidade de Gotham, o que inclui a corrupção das instituições públicas e a briga pelo poder.

A própria série já nos tinha adiantado, em seu segundo episódio, que os Wayne eram parte central na trama que envolve Falcone, Maroni e Cia. Tanto é que o próprio Falcone já tinha dito à Fish Mooney que eram os Wayne quem davam um equilíbrio para as diversas facções da cidade, e que a morte deles teria causado um desequilíbrio. Depois dos acontecimentos deste episódio – que guarda muita semelhança com “Arkham” – já não é de se desconfiar se a morte de Thomas e Martha não tenha sido encomendada de dentro de sua própria empresa.

Com essa trama central, quem ganhou todo o destaque e correspondeu à altura do personagem que lhe foi dado, foi o pequeno David Mazouz, que conseguiu imprimir, ao mesmo tempo, características fortes do Bruce Wayne e do Batman que veremos daqui uns anos. Além do destaque óbvio aos dons investigativos de Bruce, tivemos ainda o estabelecimento de uma dinâmica do garoto com Alfred que se assemelha muito com a que os dois terão num futuro não muito distante.

Eu não quero vingança… Quero entender como Gotham funciona”

– WAYNE, Bruce.

Mas nada supera a brilhante cena em que Bruce vai até o almoço de caridade da Wayne e confronta Mathis sobre as irregularidades existentes no projeto de Arkham. O garoto mostrou uma firmeza e convicção tão grande, que em nenhum momento nos passa pela cabeça que se tratava de um pré-adolescente pressionando uma executiva de uma empresa bilionária. Bruce dominou aquela cena, e a composição de David foi tão brilhante em demonstrar, ao mesmo tempo, a doçura de uma criança daquela idade, mas também o ímpeto de uma pessoa à procura da verdade, que foi naquele momento que vi com maior clareza, desde a estreia da série, a sombra do Batman no pequeno Bruce.

E é ainda mais chocante perceber – e a cena final no Armazém 39 só intensifica essa situação – de que Bruce apenas estava ali inquirindo sobre irregularidades no projeto de Arkham, sem que, naquele momento, nada soubesse sobre a WellZyn e Viper. Creio que daqui para frente, conheceremos cada vez mais detalhes internos da Wayne Enterprises e vamos acabar descobrindo o que já era esperado: que a empresa, como um órgão vital desse organismos chamado Gotham, está tão suja, ou ainda mais, do que os guetos e partes obscuras dominadas por Falcone e Maroni.

Aliás, falando nos dois, achei interessante também que mesmo focando na Wayne Enterprises, o episódio não deixou de lado a disputa por poder entre os dois criminosos, e muito menos os planos de Fish Mooney para obter para si o comando de Gotham.

Enquanto vimos uma guerra declarada entre Falcone e Maroni, com este último assaltando o cassino daquele apenas para demonstrar sua perda de força, Fish Mooney jogou por debaixo dos panos, seja com sua aliança com Nicolai ou no treinamento de sua “arma secreta”, Mooney mostrou mais força – e que é mais perigosa – que os outros dois.

Mas Fish Mooney terá um competidor de peso, já que Oswald Cobblepot – o Pinguim – também arquiteta seu próprio plano, que avançou mais uma casa nesta semana após sua aliança com Maroni. Apesar de ter levado uma surra, sabemos que o Pinguim suporta muito a dor, e usa sua aparente fragilidade a seu favor, o que nos faz afirmar que tudo foi arquitetado, e que este era o momento certo de confiar a Maroni quem Oswald era.

O engraçado foi notar que, além da cena no restaurante de Maroni, James Gordon teve pouquíssimo destaque no episódio, que deixou que os personagens já citados dominassem tudo do começo ao fim… E ainda que a investigação tenha sido feita com perfeição por Jim e Bullock, o episódio deixou claro que este não era o momento de dar destaque aos detetives, pois a cidade de Gotham, e seus personagens peculiares, mereciam mais holofotes.

E merece mesmo, sempre!

O que Gotham mostrou de inovador nesses cinco episódios é exatamente o fato da cidade ter vida própria, e nos propiciar casos da semana absurdos e deliciosos… E se as tramas individuais de Jim e Bullock forem o preço a se pagar por um maior desenvolvimento desse personagem chamado Gotham, eu não tenho do que reclamar.

Um pouco mais sobre o VIPER: Em determinado momento do episódio, quando Jim e Bullock vão conversar com o professor na Gotham University, nos é revelado que a droga Viper era apenas um protótipo (tanto é que matava seus usuários), mas que ela já havia sido evoluída para outra versão, que seria capaz de dar forças à um homem “quebrar um outro homem ao meio”, chamada… VENOM. Sim, senhoras e senhores, esta é a droga usada no Bane.

Um pouco mais sobre o CHARADA: Nosso querido Edward Nygma continua colaborando com a polícia de Gotham, sempre nos dando dicas decifradas a cada episódio, em participações que, mesmo sem muito utilidade, são fantásticas.

Um pouco mais sobre o BATMAN: E o pequeno Bruce Wayne assistindo filmes do Zorro enquanto se foca na investigação sobre Gotham, hein? E essa imagem onde muitos estão vendo o símbolo do Batman, HEEEEIN?

Um pouco mais sobre GOTHAM: acabou que me esqueci de falar disso na review passada, mas como você já dever ter lido aqui no SM, Gotham recebeu encomenda de mais episódios e terá uma temporada de 22 episódio. Honestamente? Acho que a série ficaria melhor com temporadas mais curtas, mas não vou criticar antes de ver se vão conseguir manter o nível durante toda a temporada. É difícil, mas não impossível.

Um pouco mais sobre o HALLOWEEN: Semana que vem teremos episódio especial de Halloween em Gotham, e se até agora já tivemos assassinos como o do balão e os efeitos da droga Viper, imaginem o nível do vilão da semana que vem? Desde já, na expectativa.

CORINGA DA SEMANA: Novamente, não peguei a referência ao Coringa dessa semana (brincadeirinha difícil essa), mas em uma olhadinha nos fóruns gringos, verifiquei que em algum momento do episódio, ao mostrar a cidade, havia um prédio onde estava escrito “SMILE” e um sorriso… Se alguém pegou essa referência, me avisem em que momento do episódio ela apareceu.

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