Bem-vindos à quinta edição do GoT Maníacos!

Lembrando, mais uma vez, que essa coluna trata dos eventos apresentados na série até o último episódio (6×05), bem como de fatos ocorridos em todos os livros já publicados. São grandes as chances de algumas das teorias apresentadas se mostrarem verdadeiras, então há – sempre – a possibilidade de spoilers. E para todos: espectadores e leitores.

Dessa vez, a abertura do episódio trouxe de volta a Cidade Livre de Bravos, desenvolvendo mais o núcleo de Arya Stark, e retirou Vaes Dothraki, já que Dany está saindo de lá. Hoje falaremos sobre Arya, os Filhos da Floresta e sobre toda aquela cena final.

A Garota Sem Face

À garota foi dada uma segunda chance. Não haverá uma terceira

Os Homens Sem Face são uma ordem de assassinos a serviço do Deus de Muitas Faces. Eles aceitam matar qualquer um, desde que o preço seja pago. O treinamento de Arya depende de convencê-los de que ela está lá para servir a esse deus, e não em busca de vingança.

A participação de Arya no episódio deixou alguns pontos de dúvida. Após toda a explicação da origem dos Homens Sem Face e da Casa do Preto e do Branco, que fundaram a cidade de Bravos, a garota percebe que, no presente, eles funcionam apenas como assassinos de aluguel. Aceitam pagamentos para matar qualquer um, independentemente de ideologias. Se antes ela estava decidida a se tornar um deles e abdicar de sua vida anterior pelo menos em parte, agora pode ter mudado de ideia.

Outro momento que a leva a ter dúvidas é na cena do teatro de rua retratando a morte de Ned e a aparição de Sansa na peça. Relembrar a família e todas as tragédias por que passaram despertou novamente a Stark dentro dela, dando forças à vingança e ao processo de riscar nomes da sua lista. Arya também parece ter notado que foi a atriz jovem que pagou pelo assassinato da atriz veterana, de quem tem inveja. Será que ela vai matar a jovem, ao contrário das ordens de Jaqen?

O teatro da série não tem paralelo com nenhum livro já lançado, mas está presente em um capítulo, divulgado por GRR Martin em seu website, do próximo livro da série, ‘Os Ventos de Inverno’. Nesse capítulo, Arya faz o papel de Sansa, mas o dilema com o seu passado surge quando ela encontra uma pessoa de sua lista para matar: Ralf, o Querido. Neste caso, ela acabou tomando uma decisão que pode colocar em risco o seu treinamento. Na série, essa morte de Ralf foi retratada em parte quando ela matou Meryn Trant – que também foi enviado para Bravos quando o Trono de Ferro quis negociar com o Banco de Ferro – e também quando ela matou Polliver – que na série foi quem matou Lommy. Resta, agora, saber como será retratado o “segundo erro” de Arya na série.

A menção de Mindinho no começo do episódio, sobre Correrrio e as Terras Fluviais, também se relaciona com Arya. Quem está correndo solta por lá e tocando o terror é Nymeria, a loba gigante dela que não vemos desde a primeira temporada. Com mais um lobo morto (R.I.P. Verão), será que teremos uma redenção dos lobos gigantes daqui em diante com Nymeria e Fantasma? Há uma teoria que aponta que Arya pode entrar na pele da loba – como já fez em sonhos nos livros – e atacar os exércitos Lannister e Frey, atuando na vingança da garota.

Os Filhos da Floresta

Nós estávamos em guerra. Estávamos sendo massacrados. Nossas árvores estavam sendo cortadas. Precisávamos nos defender

Segundo os estudos da Cidadela, os Filhos da Floresta e os Gigantes foram os primeiros povos a habitar Westeros. Enquanto os gigantes eram rústicos, os Filhos eram menos bárbaros e não trabalhavam com metal. Este povo teria desenvolvido uma grande arte no estudo da obsidiana, também chamada de “vidro de dragão” – ou, para os valirianos, “fogo congelado”.

Os Filhos colocavam olhos nos represeiros para que seus videntes verdes (como Bran, por exemplo) pudessem ver através deles. Nesse povo também teve origem a habilidade de troca-peles, também presente entre os os Stark.

Em algum momento da história, os Primeiros Homens vieram de Essos, que na época era ligado por terra ao território de Westeros. Para construir seus fortes e aldeias, os primeiros homens derrubaram represeiros, mesmo aqueles com os rostos esculpidos, iniciando uma guerra com os Filhos, que eram muito menores e mais fracos. Mesmo com a ajuda dos animais, eles não conseguiram conter o avanço dos primeiros homens.

Segundo a história, eles teriam tomado ao menos um ato de desespero, que seria provocar um grande dilúvio ao ponto de separar o território de Westeros de Essos, e assim deter o fluxo de Primeiro Homens.

Após uma guerra de gerações e extremamente desgastados, os dois povos teriam enfim chegado a um acordo e selado a paz. Após esse pacto, viria a Era dos Heróis, que apenas seria interrompida pela Longa Noite.

A Longa Noite foi um inverno que durou gerações, quando os Caminhantes Brancos teriam aparecido. Segundo a lenda do Último Herói, os Filhos da Floresta e os primeiros guerreiros da Patrulha da Noite venceram os Outros e os expulsaram, encerrando o inverno. Junto com Brandon, o Construtor, eles ainda teriam ajudado a erguer a grande muralha.

Isso era tudo o que sabíamos até então, pela série e pelos livros. No último episódio, descobrimos ainda que foram os Filhos que, utilizando uma obsidiana, criaram os Caminhantes Brancos para ajudar naquela luta contra os Primeiros Homens.

Em algum momento, algo deu errado.

Ambições Sulistas

Se comporte com dignidade no Vale. Tente ficar longe de brigas. Mas, se tiver que lutar, vença!

Era um momento de tensão no episódio. A caverna estava sendo invadida, Bran estava no passado e eles precisavam utilizar Hodor. Mas, enquanto tudo isso acontecia, uma cena importante do passado era apresentada: Lorde Rickard Stark estava mandando seu filho Ned para o Vale, onde ele seria criado por Jon Arryn.

A prática de enviar os filhos para serem criados por outra casa é bastante comum e reforça as alianças entre as principais famílias, apesar de ser raro o filho de um Lorde ser enviado para uma casa que não é de um de seus vassalos. De todo modo, o envio de Ned para o Vale pode ter significado algo maior do que isso: como Lady Dustin disse no último livro, Rickard Stark tinha “ambições sulistas” (termo que acabou batizando essa teoria).

Sabemos que o Rei Aerys estava o tempo todo vendo conspiradores e traidores – ele acreditava que o Torneio de Harrenhal era uma apenas uma fachada para isso e desconfiava do seu próprio filho, incentivado pelos sussurros de Varys. O que poderia ser considerado apenas mais um sintoma da Loucura Targaryen, que ocasionalmente atingia alguns membros dessa família, pode ter um bom fundo de verdade.

A teoria diz que haveria uma conspiração entre alguns Lordes Protetores, principalmente Jon Arryn, Steffon Baratheon, Rickard Stark e Hoster Tully. Por isso os filhos de Steffon e Rickard foram enviados para serem criados por Jon Arryn, enquanto Hoster Tully planejava casar suas filhas com Brandon Stark e Jaime Lannister (isso traria também os Leões e Tywin Lannister para a “conspiração”, mas o casamento foi evitado pelo Rei Louco com a nomeação de Jaime para a Guarda Real). E Rickard ainda havia aceitado casar Lyanna Stark com Robert Baratheon.

Assim, as grandes casas de Westeros estariam forjando uma grande aliança, grande o suficiente para fazer frente ao trono de ferro e promover mudanças no reino. Mas, quando o Rei Louco executou Rickard e Brandon Stark e pediu a Jon Arryn que lhe enviasse Robert e Eddard, enfim os conspiradores tiveram que se revelar.

No fim, talvez não da forma que pretendiam, os conspiradores sobreviventes acabaram assumindo o controle dos Sete Reinos. A pergunta que fica aqui é: por que o Corvo de Três Olhos estava mostrando essa cena ao Bran? E justamente naquele momento tão crítico…

Bran e Meera

Ele te tocou

Na série pode não ter ficado muito claro, mas a Muralha possui uma proteção contra “criaturas das trevas” da mesma forma que a caverna em que Bran estava. Essa magia era fundamental para defender o reino dos homens dos Outros – afinal, os Filhos da Floresta estavam na caverna e também ajudaram a construir a Muralha. A dúvida agora é: quando Bran foi tocado e perdeu a barreira mágica da caverna, a magia da Muralha também acabou? Há poucas informações sobre essa magia nos livros, então teremos que aguardar para saber a resposta.

Vimos também Meera destruir um Caminhante Branco da mesma forma que Jon havia feito na temporada anterior. Alguns fãs viram ali uma evidência da teoria de que eles seriam irmãos, a qual nós já falamos em uma coluna anterior. Mas, aparentemente, não se trata de uma prova. Meera estava empunhando uma lança com vidro de dragão (o mesmo vidro de dragão que Sam usou para destruir um Caminhante Branco), assim como Jon utilizou “aço de dragão” para destruir o seu – a espada Garralonga. A Filha da Floresta tentou atacar o Caminhante Branco com uma lança comum e nós vimos como falhou.

Keep Calm and Hold The Door

Hold The Door

Por essa, nem os fãs dos livros esperavam. No mundo da internet, havia uma teoria de que Hodor teria esse nome por ouvir sua mãe dizer “hold the door” como últimas palavras. A teoria dizia que Hodor seria Aegon Targaryen (filho de Rhaegar e Elia Martell, assassinado junto da mãe pelas forças Lannister no Saque de Porto Real) e não teve muita repercussão nos fóruns. Essa tese errou em praticamente tudo, mas, aparentemente, foi a única teoria que pelo menos associou o nome dele a essa frase.

A cena final ficou um pouco confusa. Ao que tudo indica, Bran estava vendo o passado através do represeiro e teve que, ao mesmo tempo, utilizar a habilidade de troca-peles em Hodor. Com a morte do Corvo de Três Olhos, algo deu errado no que Bran estava fazendo, e o Hodor do passado acabou sentindo o que acontecia com o Hodor do presente.

Tudo isso serviu para confirmar que Bran não apenas via através do represeiro, como também conseguia influenciar eventos passados.

Aqui teve início um paradoxo famoso de viagens no tempo, o loop de causalidade, com a intervenção de Bran no passado tendo consequências para Hodor e em tudo que ele fez depois daquele momento, gerando justamente a situação em que Bran estava no futuro.

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Mindinho e Varys, dois dos maiores estrategistas da série, pareceram acuados neste episódio. Será mesmo? Falaremos mais deles nas próximas colunas! Ficou com alguma dúvida? Tem alguma teoria interessante? Deixe um comentário!

Por Daniel Loureiro e Vinicius Carvalhosa

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