Dureza é saber que vem aí a segunda parte.

Glee não fez um bom episódio com The Hurt Locker. Até imagino que alguns fãs tenham gostado, mas no geral e até em quesitos técnicos, essa semana pecou e o resultado final foi um episódio arrastado, onde o humor se perdeu na sobrecarga de exageros e na falta de sentido. Geralmente nada disso me incomoda em Glee, pois as doses são pequenas. Dessa vez, no entanto, resolveram que seria boa ideia focar em Sue e em seu plano para destruir inimigos, enquanto tenta ser a “garota das flores” no casamento que ela mesma idealiza para Kurt e Blaine. Junte-se a isso a escolha de quatro músicas executadas com frieza e pronto. Quarenta e tantos minutos de Glee que fazem sofrer.

Como os episódios anteriores já deflagraram, Glee está voltando às origens e a eterna briga entre Sue e Schue é inevitável, mas não faz sentido nem mesmo para quem está num hospício. No começo, até achei interessantes as loucuras de Sue elevadas à máxima potência, afinal, um garfo pode detonar uma guerra, como bem aprendemos, mas o grande plano de Sue já aconteceu e já deu certo, afinal, ela conseguiu tirar Will de sua vida. Ele está em outra escola, com outro coral e o novo inimigo natural da personagem é Rachel Berry. Consegui esboçar leves sorrisos às piadas internas de Glee com personagens sumidos e inúteis que já passaram pelo elenco e foram até esquecidos, menções à Game of Thrones e The Hunger Games, mas depois de uns vinte minutos de longos diálogos de agressividade paspalhona eu já estava farta.  Fui uma vítima quase fatal da overdose de Sue e caí num tédio hipnótico, como Sam.

Aliás, gosto bastante da proposta de juntá-lo com Rachel. Sam é fofo e bobalhão na medida e fez o que sabe fazer bem nesse episódio: ser um galã galhofa. Rachel estava bastante suave em sua primeira tentativa de romance depois de Finn e dois fatores contribuem para a aceitação desse casal potencial: tempo e fofura. Foi importante esperar passar a comoção que a morte de ator e personagem causou na série, mas a história continua e Rachel não pode ser uma viúva amarga aos 20 anos. Como ela é uma presença forte, a doçura de Sam traz equilíbrio, basta ver a performance de A Thousand Miles ( a mais bacana dessa semana, não que  isso seja algo a se louvar) para comprovar. Vamos ver se isso realmente vai adiante ou se Sam ficará eternamente preso à meta de tirar a virgindade de Mercedes.

Falando em casais, como escapar de Klaine? Até um ursinho foi permanentemente danificado psicologicamente para que fizessem a piada sobre Karofsky curtir os gordinhos peludos e barbudos. O fato de Sue ser a maior fã desse casal dá uma dica sobre o quanto esse tema já se tornou um aborrecimento e uma grande perda de tempo. Sabemos que eles vão ficar juntos e essa certeza tirar toda a graça do processo de assistir à série e se surpreender com os acontecimentos.

As músicas do episódio foram terrivelmente medíocres. Bitch, entoada por Sue, foi até uma boa escolha em termos de encaixe com a personagem, mas só. As apresentações do Vocal Adrenaline são tão qualquer nota que fica difícil acreditar que alguém se impressione. O líder, Clint, não canta bem (ou não mostrou a que veio) e tirando as coreografias mirabolantes, o grupo é feito de robôs. Competições de coral são sobre canto e não exigem que o grupo seja o Cirque Du Soleil. Embora a harmonia coreográfica também conte na apresentação, o principal é cantar bem e criar um link emocional entre o grupo e o público, por isso não venham me dizer que a música da lagosta, Rock Lobster, ou Whip It são maravilhosas, porque foram duas performances chatas e sem brilho.

A única coisa boa, se é que podemos chamar assim, foi ver Will sendo esfolado pelos alunos, depois de seu tradicional “pep talk”, mas nem mesmo isso justifica a falta de caráter e profissionalismo em sequer considerar o pedido de Rachel, de fazer uma apresentação ruim, para não assustar os novatos do New Directions, o que nos traz uma questão: Porque não estão aproveitando o talento descomunal de Roderick e dos demais novatos? Glee cai no erro de apostar no canto de Sue, em vez de colocar esse pessoal bacana para cantar músicas que queremos ver e ouvir na série.

Num episódio tão dispensável e que – ainda por cima – tem continuação, o que fica mesmo é a imagem de Figgins. Os dois. Irmão e Irmã, numa vida dedicada à administração escolar e à árdua tarefa de desgrudar chicletes mastigados na parte de baixo das cadeiras do auditório.

Músicas no episódio:

“Bitch” – Meredith Brooks: Sue Sylvester

“A Thousand Miles” – Vanessa Carlton: Rachel Berry and Sam Evans

“Rock Lobster” – The B-52’s: Clint and Vocal Adrenaline

“Whip It” – Devo: Clint and Vocal Adrenaline

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