No episódio mais longo de toda a série, GOT conclui o 6º ano com a certeza que estamos caminhando para o fim da história em um capítulo que supera expectativas e entrega satisfatoriamente alguns dos momentos mais aguardados pelo público.

Essa 6ª temporada tinha o grande desafio de sustentar-se sem o apoio dos livros publicados por GRRM. Uma difícil tarefa para David Benioff e Dan Weiss que de posse de uma maior liberdade criativa também surgiam como alvos fáceis das prováveis reclamações dos leitores. Uma nova configuração foi estabelecida e ninguém sabia mais o que esperar dos próximos acontecimentos de Westeros. Sinceramente, o resultado não poderia ter sido melhor. Com uma audiência que estabelece recordes a cada episódio, uma produção digna dos cinemas e uma repercussão mundial que nenhuma outra série atinge atualmente, GOT escreve seu nome na história e prova que mesmo depois de seis anos ainda tem fôlego e qualidade para conquistar cada vez mais fãs.

Esse finale vem para encerrar mais do que a 6ª temporada, mas todo um ciclo da história da série. Quando GOT estreou em 2011 fomos apresentados as famílias Stark e Lannister e vimos o nascimento do conflito que acabaria culminando na Guerra dos Cinco Reis. White Walkers eram criaturas que habitavam apenas as histórias da Velha Ama, selvagens eram seres inescrupulosos e Daenerys, uma menina inocente e imatura. O Rei de Westeros era Robert Baratheon e Jon Snow não passava de um bastardo que se reunia aos criminosos da decadente Patrulha da Noite.

Hoje, os cinco Reis que disputavam a Guerra já pereceram e uma Rainha senta-se no Trono de Ferro. Os Starks que sobreviveram aos mais duros reveses estão completamente transformados e finalmente voltaram a sorrir em Westeros. O garoto aleijado que procurava o corvo de três olhos já é O Corvo. Do outro lado do Mar Estreito aquela ameaça que parecia uma frágil faísca queima cada vez mais forte e finalmente encontra-se navegando para tomar o que é seu.

Como um jogo que chega ao fim, agora é hora de recolocar as peças no tabuleiro e recomeçar em uma configuração completamente diferente. Um embate entre Rainhas aproxima-se, mas a ameaça dos White Walkers nunca foi tão real e palpável. O Inverno chegou e no Norte os homens já se aliam aos selvagens para enfrentar a Guerra contra o Rei da Noite. A 7ª temporada provavelmente mostrará batalhas geladas no Norte e os embates de fogo daquelas que lutam pelo Trono enquanto a neve não se estende até Porto Real…

E agora, pela última vez em 2016, vou viajar por cada núcleo de Westeros e Essos analisando as tramas e tomando a liberdade de divagar sobre o futuro do que a série reserva…

Porto Real

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“Matei seu Aldo Pardal e seus pardais, todos seus septãos, septãs e soldados sujos porque foi bom vê-los queimando.Foi bom imaginar seu choque e dor.” 

Há alguns tantos anos, o Rei Louco de Westeros clamava Burn them all, mas um Lannister o impediu de seguir adiante… E, agora, tempos depois é justamente uma leoa quem concretiza parte de seus mais sádicos delírios. Se antes Jaime Lannister conseguiu impedir o Rei Targaryen de ir adiante, agora ele chega tarde demais e o olhar consternado que lança à irmã evidencia todo o seu receio. O Regicida vê sua própria irmã prestes a governar uma cidade em cinzas… Cinzas que incluem as de seu último filho vivo…

E foi com uma trilha sonora profunda e penetrante que vimos a sucessão de eventos emblemáticos de Porto Real. O arranjo que definitivamente não parecia o tipo de música que nos acostumamos a ouvir durante todos esses anos em GOT gerou uma estranheza que só coroou o diferencial e a grandeza dos eventos que aconteciam. Nem sempre o público consegue contemplar a importância que a música tem para a construção de uma cena, mas o que vimos nessa sequência inicial foi exatamente a trilha sonora funcionando como um catalisador de nossas emoções. Sabíamos que algo grande viria. Nesse momento só me recordo de mais um momento em que algo parecido aconteceu na série, durante os eventos do Casamento Vermelho, ao som de Rains of Castamere.

O trabalho do compositor Ramin Djawadi criou aquela tensão crescente que arrepia aos poucos e nos deixa em uma espécie de estado de alerta enquanto acompanhamos o lento caminhar em direção de um clímax apoteótico. Ouso dizer que essa se torna uma das minhas sequências preferidas em toda a série. Desde as primeiras imagens quando o sino do Septo ecoava e víamos o simbólico ato da preparação dos personagens, ainda que ali somente Cersei soubesse para o que de fato estava vestindo-se…

E então a música começa em sincronia com a abertura das portas do Septo e vemos o início do julgamento de Loras. Toda a confissão do outrora elegante Cavaleiro das Flores parecia minuciosamente orquestrada por Margaery. Parte de um plano que, infelizmente, nunca iremos conhecer. E enquanto ele se entrega a Fé dos Sete, contemplamos a perspicácia de Margaery como a única ali a perceber que havia algo extremamente errado na ausência de Cersei e Tommen. A música volta a embalar as cenas com os passarinhos de Qyburn atraindo suas presas: Meistre Pycelle e Lancel Lannister. Anteriormente nessa temporada já havíamos visto Qyburn manipulando as jovens crianças com doces e com o temor causado pela presença de Sir Gregor. E agora elas confirmam sua lealdade apunhalando Pycelle até a morte e conduzindo Lancel para ser o primeiro a vislumbrar, sem saída, o estrago que estava por vir.

E os rumores dos quais Cersei e Qyburn conversaram alguns episódios atrás se confirmaram sendo justamente os barris de fogovivo espalhados por Aerys Targaryen nas fundações do Septo de Baelor. E cirurgicamente eles planejaram a explosão, derrubando os barris e colocando as velas a queimarem até a cera esgotar-se e o fogo alcançar a substância verde que conhecemos na Batalha da Água Negra.

Lancel tenta em vão apagar a vela para impedir que as chamas avancem enquanto a Fé esforça-se para evitar que a multidão espalhe-se e fuja do julgamento de Cersei. Mas o massacre era irrefreável e vemos nos olhares consternados de Margaery, Loras e o Alto Pardal, o temor e o tremor aproximando-se até que chamas verdes lambam o maior símbolo da Fé em Westeros.

img2Se em Battle of the Bastards Miguel Sapochnik nos deu 23 minutos de uma batalha extremamente visceral protagonizada por Jon, nesse season finale fomos presenteados com 25 minutos ininterruptos acompanhando a concretização de um dos planos mais sádicos já orquestrados por Cersei. Com um figurino completamente inovador (e extremamente belo e majestoso) aos seus padrões, mas mantendo o velho copo de vinho na mão, Cersei assiste sua epifania de camarote. Se há prazer e satisfação no sorriso da personagem, seu filho não poderia ter tido reação mais diferente. Aquilo tudo representava peso demais para os ombros do jovem Rei, tão distinto de sua mãe, tão oposto ao irmão que o precedera. Atordoado o garoto atira-se da janela para encontrar a morte que sua mãe tentou evitar.

Na premiere da 5ª temporada vimos um flashback que mostrava uma jovem Cersei visitando a bruxa que lhe daria a profecia que a atormenta por toda sua vida: “Você será Rainha por um tempo, mas virá outra, mais jovem e mais bela, para derrubar você e tomar tudo aquilo que lhe for querido. Ele (o Rei) terá vinte filhos e você três, de ouro serão suas coroas e de ouro serão suas mortalhas”.

A morte de Tommen vem para consolidar ainda mais as previsões da Maggy, a Rã. Agora que seus filhos estão mortos e ela é a Rainha que tanto sonhou ser, os acontecimentos do outro lado do Mar Estreito sugerem que seja Daenerys a ‘Rainha mais jovem e mais bela’ que irá derrubá-la. O fogovivo de Cersei enfrentará a fúria do Dracarys de Daenerys?

De todas as vítimas desse atentado ao Septo de Baelor, a Rainha Tyrell é a que mais me dói. Além de uma personagem instigante que conquistou cada vez mais espaço e importância ao longo dos anos, também fica a decepção de não vermos suas jogadas com o Alto Pardal e como e quando tudo aquilo reverteria ao seu favor. Em uma de suas últimas falas fica a sugestão que havia um acordo entre eles e que apesar de Loras ter confessado seus pecados e prometido dedicar a vida à Fé, ele estaria livre após o julgamento de Cersei. Eu realmente acreditei que de alguma forma Margaery seria uma das que conseguiria fugir antes da explosão. Fiquei paralisada enquanto as chamas verdes consumiam o Alto Pardal e o Septo, mas ainda mais quando finalmente percebi que ali era o derradeiro fim de uma personagem tão interessante. Ainda que por linhas tortas e caminhos completamente inesperados, Cersei enfim conseguiu o que queria quando rearmou a Fé Militante: destruir os Tyrell.

E sua vingança estava longe de terminar ali. Humilhada no season finale da 5ª temporada, agora é ela quem ridiculariza aquela que protagonizou sua desonra. Uma inversão completa aos eventos do auge de sua humilhação com direito a todas as referências à sua emblemática Caminhada da Penitência. CONFESS. CONFESS. CONFESS. Mais uma excelente cena da Cersei de Lena Headey que enfim confessa toda sua verdade para a Septã: todas suas ações – matar o marido, dormir com o irmão, explodir o Septo – ela as faz porque a fazem sentir-se bem. E agora é sua vez de torturar a Septã, afinal isso também a faz sentir-se bem e, após quase afogá-la com vinho e destruí-la com palavras, ela a deixa na presença de Montanha para que ele a humilhe e destrua também fisicamente. SHAME, SHAME, SHAME.

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Cersei já provou que é alguém extremamente difícil de quebrar. Casada com um marido a quem detestava, viu a morte dos filhos, do pai, a fuga do irmão que odiava (e que acredita ter matado Joffrey) e as transformações do homem que amava em uma direção cada vez mais dissonante da sua. Por fim sofreu uma das maiores degradações diante de todo seu Reino. A cada percalço vivido, ela ressurgia sempre mais forte, movida por uma eterna ânsia de poder e vingança contra aqueles que a humilharam. Cersei é arrogante demais para aceitar um final simplório. Prefere morrer louca e vingada a viver em uma redenção que nunca buscou.

Cersei torna-se cada vez mais fria, obstinada e ambiciosa. Seu lado humano era despertado pelo protecionismo aos filhos e ela fala isso a Sansa “Quanto mais pessoas você ama, mais fraca você é. Não ame ninguém além de seus filhos”. Mas a cada morte de um de seus herdeiros percebemos como ela está cada vez mais resignada. Se com Joffrey ela descontrolou-se, com Myrcella ela sofreu calada. E com Tommen, ela mal externaliza suas emoções. Se era o amor por sua cria que a humanizava, nada resto de humano na leoa, e com quase nada a perder, ela será ainda mais impiedosa e inconsequente. Sem os filhos a quem amava, ela segue ainda mais forte, segundo suas próprias palavras.

img4Diante da ausência de um sucessor para Tommen (todos aqueles que poderiam mais facilmente clamar pelo Trono estão mortos: Stannis, Myrcella, Renly, Shireen…) Cersei encerra essa temporada coroada como a primeira Rainha dos Sete Reinos. Há alguns questionamentos nessa coroação, porque de fato, em uma situação que a herança do Trono é incerta forma-se um Grande Conselho formado pelos grandes Lordes de Westeros que escolhem a reivindicação mais apropriada. Por ora, Cersei tomou a Coroa para si e nomeou Qyburn como sua Mão. As Grandes Casas inimigas dos Lannister deverão ver nisso mais um motivo para sua rebelião e na Guerra que se desenha pouco importará quem tem a reivindicação mais sólida, mas aquele que for capaz de tomar e, especialmente, manter o Trono para si.

E Cersei está em situação que não medirá quaisquer esforços para manter-se Rainha. Destemida, o estrago que ela é capaz de criar é imensurável. Sua maior fraqueza é sua fraquíssima habilidade política e a ausência de aliados. O que uma Rainha ambiciosa, louca e desesperada é capaz de fazer? Penso que se há alguém para concluir os sádicos planos de Aerys Targaryen, esse alguém é essa Rainha Louca que explodiu a Fé. Enfrentando uma forte ameaça como Daenerys é fácil ver Cersei reduzindo a Fortaleza Vermelha e Porto Real a cinzas para que a Rainha Dragão não tenha também o que governar.

Cidadela

Diante de tantos momentos reveladores e arrebatadores nos outros núcleos, o retorno de Sam e Gilly às telas parece até deslocado. A grandiosidade da imponente biblioteca dos meistres é inegável e rende imagens belíssimas, mas me vi mais intrigada pela desinformação da Cidadela (como assim eles ainda achavam que o Comandante da Patrulha da Noite era Jeor Mormont?) e encantada pelo vislumbre de centenas de corvos brancos voando aos Sete Reinos para comunicar que ‘O Inverno chegou’.

De qualquer forma é com alívio (e surpresa?) que vemos Sam, Gilly e o pequeno Sam chegando são e salvos após deixarem Monte Chifre como fugitivos, especialmente quando lembramos que eles levaram consigo a espada de aço valiriano da família Tarly. O pai de Sam sabe para onde o filho pretendia ir e se não o alcançou a caminho de seu destino, não tenho dúvidas que veremos mais desse conflito familiar na próxima temporada.

Vilavelha e a Cidadela serão alguns dos novos cenários grandiosos que conheceremos melhor em 2017 e o que vimos em Winds of Winter foi apenas um esboço do que esse local nos reserva. Com a queda do Septo, Daenerys deixando Meeren e Arya deixando Braavos, será a majestosa Cidadela que encherá nossos olhos nos domingos do próximo ano, trazendo junto uma vasta possibilidade de Sam aprender sobre a história de Westeros e os segredos das magias que a cercam. O que tem tudo para ser essencial na guerra que está por vir contra os White Walkers. Prevejo que Sam e seus conhecimentos serão peça fundamental desse embate.

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Vocês também não acharam esse símbolo na Biblioteca bastante familiar com o que vemos há seis anos na abertura da série?

Norte

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“Winter is here”

Finalmente é chegado o momento que Melisandre é confrontada sobre sua atitude mais deplorável. A atuação de Liam Cunningham externando toda a indignação e o sofrimento de Davos foi emocionante. A ligação entre o Cavaleiro das Cebolas e a pequena que o ensinou a ler sempre foi muito tocante e Davos merecia viver esse embate. Diante de Jon Snow, o maior acerto de Melisandre, Davos aponta que todas as suas falhas mataram não apenas uma criança inocente como diversos bons soldados.

Jon não condena a Mulher Vermelha à morte (afinal se não fosse por ela, ele também não estaria ali), mas a expulsa de Winterfell e do Norte. Melisandre parte e não tenho dúvidas que seu destino voltará a cruzar o de outro Stark, Arya, tal como ela previu na 3ª temporada. A separação de Jon e Melisandre afasta também a sensação de invencibilidade que surgiu após vermos o personagem renascendo. Longe de um sacerdote vermelho, a morte volta a ser definitiva para o Stark.

Sem maiores explicações a Jon (e a nós) sobre sua decisão em não revelar o apoio dos Cavaleiros do Vale, Sansa e Jon protagonizaram um belo momento nas torres de Winterfell. Jon evidencia a importância que eles não cultivem desconfianças entre si, o que pode ser fatal quando vivem conflitos com o interesse de tantos inimigos em jogo. A menor rusga de incerteza que Sansa tenha sobre Jon pode facilmente ser alimentada pelos jogos persuasivos de Mindinho (ou de um novo inimigo que venha a surgir), mas ao que tudo indica a menina tem completa noção do terreno que está pisando (“Só um tolo confiaria em Mindinho”) e Jon pode contar com sua absoluta lealdade. Isso é reconfortante, pois afasta quaisquer receios que essa nova Sansa ainda retenha as inseguranças e imaturidades da antiga Sonsa, características que a deixavam extremamente vulnerável a ambição do Lorde Baelish.

Lindo o momento em que a menina revela ao irmão primo sobre o corvo que chega da Cidadela. “O Inverno está aqui” e como lobos dignos de seus brasões, os dois sorriem. Há seis temporadas os Starks anunciam que ‘Winter is Coming’ e é extremamente simbólico que a família esteja se reerguendo justamente com a chegada do Inverno.

No Bosque Sagrado, Sansa e Mindinho tem um diálogo intenso no qual o Protetor do Vale revela seu mais profundo desejo: sentar-se ao Trono de Ferro ao lado de Sansa Stark. Como disse anteriormente, o novo jogo de Mindinho será o de trabalhar um possível embate entre Sansa e Jon, afinal o novo Rei do Norte tornou-se uma grande ameaça para que ele possa alcançar seus objetivos. Ainda que as palavras dele pareçam ainda ter alguma influência sobre Sansa, tudo indica que a menina parece bastante determinada a não confiar nele. Está na hora de a vermos jogando com ele exatamente como o próprio a ensinou. As Casas do Vale já o desprezam e ela já tem o carinho do verdadeiro Lorde Arryn, seu primo Robyn.  O terreno está pronto para Sansa triunfar.

No episódio que Jon nos é apresentado como filho de Lyanna Stark, é a pequena e feroz Lyanna Mormont quem o proclama Rei do Norte.

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Há uma clara, bela e nostálgica releitura na cena que coroa Jon Snow como Rei do Norte. Tal como Robb na reta final da 1ª temporada, agora é Jon que contempla admirado e surpreso os grandes senhores do Norte curvando-se ao seu nome. Ao lado dele não está Catelyn, mas uma igualmente impressionada Sansa. E os grandes Lordes erguem suas espadas, clamam e ajoelham-se tal como fizeram com o primogênito Stark.

Não tenho palavras para descrever como a adição da jovem Lady Lyanna de Bella Ramsey foi um acréscimo positivo à série. Tinha tudo para soar forçado e talvez até caricato, mas os discursos da criança são tão bem executados que só nos resta admirá-la. Quem seria mais digno do que aquela que cedeu seus 62 bons homens para apontar as falhas daqueles velhos Lordes Nortenhos? Ela não se importa com sobrenomes porque compreende que o sangue de Jon é tão Stark como o de seus irmãos primos. Ela sim é merecedora de bradar ‘The North Remembers’ e espero que a partir de agora o Norte não volte a se esquecer: O Lobo Branco que vingou o Casamento Vermelho é Rei do Norte!

Naquela histeria coletiva apenas Sansa reconhece que há um provável inimigo surge ali mesmo. Mindinho lhe lança um olhar sinistro e ela compreende o perigo de tê-lo tão próximo. 

Gêmeas

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“Meu nome é Arya Stark. A última coisa que você verá será um Stark sorrindo enquanto você morre”

A última mente por trás do Casamento Vermelho está morta e o sentimento é que os Starks definitivamente vingaram a traição e o massacre daquele dia. E a última coisa que o velho Frey viu foi o sorriso de uma jovem Stark. A loba caçula está de volta a Westeros pronta para concluir sua vingança com quantas faces forem precisas.

Que momento prazeroso! Foi na finale da última temporada que a vimos pela primeira vez trocando de face para cortar um nome de sua lista. E se assisti-la assassinando Meryn Trant já foi reconfortante, o que dizer de vê-la alimentando o maldito Lord Frey com os próprios filhos para depois assassiná-lo de forma tão marcante? Com o mesmo corte na garganta que encerrou a vida de Catelyn naquele mesmo salão.

Que simbólico mais um ‘banquete’ nas Gêmeas ser o prelúdio de sangue derramado. Nessa  ‘Torta Frey’ há uma clara referência a eventos do livro, mas também nos vêm a lembrança das habilidades culinárias que Arya provavelmente aprendeu com seu velho amigo, Torta-Quente.

E os últimos momentos de Walder Frey não foram fáceis. Ele ainda viveu para ver Jaime apontando a inutilidade da aliança com sua casa.

A lista de Arya está cada vez menor, mas alguns nomes importantes permanecem suscetíveis a sua vingança nas temporadas que virão: Cersei, Cão, Montanha e Sir Ilyn Payne. Sorte a de Jaime ter partido antes dela decidir-se por vingar-se de todo Lannister vivo.

Dorne

Você percebe como um personagem é incrível quando ele é capaz de tornar o pior núcleo da série em algo aceitável. Vovó Olenna está de luto pela perda de sua família, mas ainda assim falou tudo o que gostaríamos de dizer às insossas Serpentes de Areia. Se Olenna não luta mais por sobrevivência, ela encontra aliados dispostos a lutar por ‘Vingança. Justiça. Fogo e sangue’.

Uma aliança Girl Power foi formada: Ellaria Sand de Dorne, Yara Greygoy de Pyke e Olenna Tyrell de Jardim de Cima curvam-se à Rainha dos Dragões em um movimento extremamente bem pensado por Varys.

Além-da-Muralha

Benjen Stark cumpre seu papel e deixa Bran e Meera aos pés de um represeiro e da Muralha, já que não pode avançar mais. Não tenham dúvidas que aquela sua fala sobre a proteção da Muralha não foi à toa. Há magia para impedir que mortos, como Benjen, atravessem a Muralha e a teoria que Bran possa destruir essa proteção quando atravessá-la me agrada bastante. Afinal foi a marca que o Rei da Noite deixou no menino que revelou a localização da Árvore Coração e do Corvo de Três-Olhos e assim ‘destruiu’ a magia que protegia o local do avanço das criaturas.

Compreendendo que é agora o Corvo de Três-Olhos, Bran nos presenteia com sua mais reveladora visão verde…

Visões de Bran: Torre da Alegria

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“Prometa-me Ned”

Em 1996, GRRM publicava o primeiro título de sua saga de fantasia épica. Entre as centenas de páginas, uma questão brotava e as dúvidas a seu respeito cresceram conforme a saga expandia-se através dos anos e de mais quatro livros. Mas foi em 2011 que a pergunta alçou vôos maiores devido à adaptação televisiva que realmente apresentou GOT ao grande público e me faz estar aqui escrevendo essa review.

Ironicamente, a resposta dessa questão não vem das palavras escritas de seu criador, mas através do impacto visual de uma das cenas da série que a propagou. E assim, 20 anos depois dos primeiros leitores serem apresentados a Ned Stark, finalmente confirmamos quem afinal é a mãe do bastardo Jon Snow. E a resposta não poderia ser mais emocionante e concisa com tudo que vimos até aqui.

Jon é filho de Lyanna com Rhaegar Targaryen. Jon não é filho, mas sobrinho de Ned Stark. É filho do irmão de Dany, é sobrinho da Mãe dos Dragões. Jon é fogo e gelo, Jon é lobo e dragão! A teoria mais propagada e comentada pelos fãs (R+L=J) de GOT prova-se real. A honra de Ned permanece inabalada e essa é mais uma prova do homem admirável que era que optou por ‘manchar’ sua reputação para proteger o sobrinho.

As pistas estavam lá, ainda que passassem despercebidas. Escondidas e diluídas ao longo desses 60 episódios, chamavam mais a atenção dos leitores que já conheciam e acreditavam na teoria R+L=J do que dos espectadores que conheciam aqueles personagens pela primeira vez.  Mas o fato é que, sim, desde o primeiro episódio da série, há inúmeras referências ao passado de Lyanna e Rhaegar. Como esquecer de Ned Stark falando a Jon: “Você pode não ter meu nome, mas tem meu sangue”.

Esse vídeo é excelente e compila todas essas pistas:

Por isso havia Guardas Reais (incluindo o extremamente habilidoso Arthur Dayne) protegendo a Torre da Alegria enquanto o Príncipe e herdeiro do Trono travava batalhas de guerra. Ali dentro também havia sangue real a ser protegido. E por isso Lyanna fala que Robert mataria seu bebê se soubesse de sua verdadeira origem. Robert nutria ódio contra os Targaryen e tinha acabado de triunfar sobre Rhaegar na Batalha do Tridente. Não, não há dúvidas que a série confirmou que R+L=J é real. Não tivemos a afirmação contundente, mas é óbvio dentro de tudo que nos foi apresentado. O que ainda está em jogo é o tipo de relação que existia entre Lyanna e Rhaegar. A visão da Torre da Alegria não deu provas explícitas que os dois viveram uma história de amor e fugiram juntos (como a teoria dos fãs prega), ainda que fique implícito que o Jovem Dragão não a seqüestrou e estuprou. Talvez a confirmação esteja no sussurro que não escutamos… Talvez (e torço para isso) as respostas definitivas estejam em novas visões de Bran.

Para quem não está familiarizado com a teoria (SHAME!), a história conta que Rhaegar raptou Lyanna, prometida de Robert Baratheon, o que ajudou a deflagrar a Rebelião de Robert e culminou com a queda da dinastia Targaryen. Mas a teoria acredita que Rhaegar e Lyanna amavam-se, afinal ele a coroara como Rainha da Beleza mesmo na presença de sua esposa Elia Martell, e fugiram juntos.

É importante ressaltar que se essa revelação coloca sangue de dragão nas veias do bastardo Stark, por outro lado ela não coloca Jon como um sucessor de direito ao Trono de Ferro. Nascido de uma relação extraconjugal do Princípe Targaryen, Jon ainda carrega a alcunha de bastardo. A não ser que Rhaegar e Lyanna tenham oficializado sua relação em segredo, o que colocaria Jon acima de Dany na linha de sucessão. Vale lembrar que a poligamia era uma prática extremamente comum entre os Targaryen.

Agora que nós já saibamos quem é a mãe de Jon e, especialmente, quem é seu pai, fica a expectativa dos personagens da série terem também essa revelação. Além de Bran, há mais um homem vivo em Westeros que conhece a verdadeira história: Howland Reed, o pai de Meera, que duelava ao lado de Ned na Batalha da Torre da Alegria e foi o único a sobreviver além do Lord Stark.

Meeren, Baía dos Dragões

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A Baía dos Escravos tem um novo nome e a Mãe dos Dragões tem um novo (velho) destino.

Às vezes a grandiosidade das batalhas, a imponência dos efeitos especiais e o choque dos plot twists são o que se destacam e propagam o nome de Game of Thrones aos quatro ventos. Mas devo ressaltar que os grandes momentos da série também surgem nas mais simplórias e despretensiosas cenas… Momentos que nos atingem pela maneira bem construída a qual foram concebidos e pela empatia que criamos ao longo dos anos com tantos e tantos personagens. Somam-se a isso atuações extremamente felizes dos atores envolvidos… Nesse episódio posso citar alguns desses momentos, como o sorriso entre Jon e Sansa, a emoção de Davos confrontando Melisandre sobre Shireen, mas especialmente, o momento em que Daenerys nomeia Tyrion como sua Mão.

Eu realmente me emocionei com o olhar do anão contemplando aquela que mais do que sua Rainha, é também a primeira pessoa que ele realmente acredita. Joffrey bradava para que o anão se curvasse a ele, mas foi Daenerys quem conquistou um ajoelhar espontâneo do anão. Simples, sem grandes malabarismos e ainda assim uma cena marcante. Peter Dinklage esteve sensacional e mesmo Emilia Clarke, despida de suas feições caricatas, fez uma cena bonita e sincera.

Aliando sua força, senso de justiça e carisma aos sábios conselhos de pessoas que realmente conhecem as engrenagens de Westeros – Tyrion e Varys – Dany torna-se uma força dificilmente superável. Sua decisão em deixar Daario em Meeren é sábia e apropriada ainda que uma sombra da loucura Targaryen possa estar presente quando ela confessa a Tyrion que não sentiu nada ao dispensar a companhia do homem que a amava.

Esse finale espetacular termina com a cena que sonhávamos desde a distante 1ª temporada: De posse de seu khalasar, oito mil Imaculados, três dragões e o apoio de grandes Casas de Westeros, Dany e seus aliados navegam em direção a sua casa para que ela possa finalmente retomar o que é seu com ‘fogo e sangue’. Eles vão aportar em Dorne? Como lidarão com Euron Greyjoy e seus desejos de aliar-se a sua causa ao mesmo tempo em que deseja a morte dos sobrinhos? Dany tem consciência da importância de alianças matrimoniais. Sem qualquer herdeiro Tyrell ou Martell, Theon é uma opção? Jon?

As velas Targaryen colorem o Mar Estreito e novos ventos sopram em direção a Westeros. Ventos de Fogo e Ventos de Inverno.

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Balanço Final da 6ª Temporada

Quando coloco essa temporada na balança, sinto que o saldo é extremamente positivo e um sorriso de satisfação preenche meu rosto. Falhas existiram, mas foram pequenas perto dos grandes momentos que as envolveram. Até então eu considerava a 4ª a melhor de todas as temporadas de GOT, mas diante dos grandes episódios, dos momentos decisivos, revelações e conclusões que tivemos nesse 6º ano, essa temporada assume o topo de meu ranking. Foi épica e consistente.

Nunca uma temporada foi tão favorável aos ‘heróis’. Se GOT já provou que em seu universo ninguém está a salvo, nem mesmo os protagonistas e mocinhos, é chegada a hora de confirmar que todos também podem reerguer-se e triunfar, desde figuras mais maquiavélicas como Cersei até os personagens que mais se assemelham a heróis.

Sansa e suas utopias de conto de fadas, Arya e suas pretensões imaturas de enxergar apenas as belezas de ser uma guerreira e Jon esmagado pela aceitação de sentir-se um bastardo inferiorizado nunca triunfariam no Jogo dos Tronos. Da mesma forma, uma Daenerys pueril, inocente e facilmente manipulável e um Tyrion que acreditava saber de tudo. Foi uma longa jornada de momentos determinantes e duros para criar nesses personagens a casca necessária para não se tornarem homens quebrados. Foram necessários seis anos para transformá-los no que Cersei já sabe há tanto tempo: jogadores conscientes que no Jogo dos Tronos ou você vence ou você morre.

Suspiros Finais

– Enfim, o símbolo Stark volta a aparecer na abertura da série em Winterfell!

– Cersei, Olenna, Jon, Jaime, Daenerys, Tyrion, Elaria… Todos vestiram preto nesse season finale. Luto pelo fim?

– Todas as Grandes Casas de Westeros perderam os Lordes que as comandavam no início da série. Mace Tyrell foi o último a perecer, depois de Jon Arryn, Viserys Targaryen, Robert Baratheon, Ned Stark, Hoster Tully, Tywin Lannister, Doran Martell e Balon Greyjoy.

Torta Frey: No finale da 3ª temporada há uma cena em que Bran conta a Hodor, Meera e Jojen sobre a história do Cozinheiro Ratazana que serviu a um Rei Ândalo uma torta que tinha feita de bacon e do próprio filho do Lord. Os deuses revoltados pelo cozinheiro da Patrulha ter assassinado um hóspede sob seu telhado o amaldiçoaram e transformaram-no em uma ratazana branca que só podia comer os próprios filhos.

Por mais que seja Arya quem tenha servido a Torta de Frey, parece mais que foi o Lorde Frey quem foi castigado pelos eventos do Casamento Vermelho, não? Afinal os deuses não perdoam aqueles que matam hospédes sob seu teto.

– Nem Varys, nem Arya ou Mindinho tem um teletransporte. Vale ressaltar que a linha temporal de GOT não é perfeitamente contínua e que não é simultânea em todos os seus núcleos. Não sabemos quanto tempo passou entre a cena de Dorne e a imagem de Varys navegando com Dany. Se nas primeiras temporadas grandes acontecimentos aconteciam durante as jornadas, agora tudo precisa ser mais rápido já que são os destinos tem papéis cada vez mais importantes.

– O diretor Miguel Sapochnik confessou que a ausência de Fantasma no último episódio (e provavelmente nesse) tinha uma explicação: falta de dinheiro. Era bastante caro colocá-lo na Batalha e eles precisaram escolher entre o lobo e Wun Wun. Uma pena também para esse episódio. Imaginem como a coroação de Jon como Rei do Norte seria ainda mais simbólica se o Lobo Branco estivesse ao seu lado.
– The Winds of Winter superou para mim o Battle of the Bastards. Preferências a parte é inquestionável que o encerramento dessa 6a temporada, nesses últimos episódios, foi o melhor que a série já nos apresentou. Hoje, ambos os episódios estão com nota 10 no IMDb. Se o 6×09 fez história como o episódio melhor avaliado da história do IMDb, esse finale parece estar seguindo o mesmo caminho.

– Cadê Brienne e Podrick nesse finale?

Agradecimentos

Eu, Steffi da Casa Hanschke, Primeira de Meu Nome, afirmo aos Sete Reinos que foi um grande prazer fazer a cobertura dessa excelente temporada de GOT aqui para o SM. Semana após semana as centenas de comentários com teorias, críticas e elogios só me faziam ter vontade de tornar esse texto o mais bem-feito e completo que eu pudesse no menor tempo que conseguisse. Obrigada por todas as palavras de carinho e por terem embarcado comigo em minhas *longas* análises episódio a episódio. Em 2017 voltamos a nos ver e que todos os deuses de GOT (mesmo os que Cersei explodiu) continuem nos abençoando com grandes momentos como os que vimos e discutimos nessa 6ª temporada!

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