Eu sou culpado do crime de ser um anão!

Que presente que ganhamos neste “The Laws of Gods and Men”! O julgamento de Tyrion Lannister pela morte do rei Joffrey ocupou mais de 20 minutos do episódio e nos proporcionou os melhores momentos do anão em muito tempo. Prevejo que Peter Dinkgale voltará a ser lembrado nas premiações vindouras. Toda a sua linguagem corporal e facial ao longo dos testemunhos, culminando com a cena final onde vimos ele enfim destilar todo o ódio e ressentimento acumulados por anos pelo simples fato de ser alguém diferente dos outros foi sensacional. Que cena, meus amigos! Que cena!

A justiça em Porto Real, pelo que foi visto, não parece ser muito confiável. Não importava o que fosse dito ou negado ali, Tyrion já tinha o seu veredito decidido antes mesmo de tudo começar, graças aos esforços da Rainha Regente em ver seu irmão sem a cabeça. Meryn Trant, Maester Pycelle e a própria Cersei tomaram a liberdade de repetir todas as frases agressivas que o pobre anão já tinha desferido contra o finado rei ao longo do seriado, entretanto, tais frases fora do contexto e ditas da maneira desejada só reforçaram o caso contra o réu. Até mesmo Varys preferiu se manter a salvo e não recusou o pedido de Cersei para testemunhar contra o anão (pedido similar ao que fez Podrick fugir da capital). Varys é esperto e sabe que é melhor não desobedecer quem tem o poder. Uma pena que Tyrion acabou pagando o pato por isso.

Mas o momento mais doloroso foi quando Shae entrou pela porta do salão do trono e começou seu testemunho. Mentiras cruéis unidas a revelações degradantes levaram Tyrion ao fundo do poço. A partir daquele momento, ele viu que não tinha mais nada a perder, nem mesmo a lealdade daqueles que considerava fiéis a ele. Só foi uma pena que a atuação de Sibel Kekilli tenha tirado boa parte do impacto que toda essa cena poderia ter tido. Nunca foi segredo de que ela era uma das atrizes mais fracas do seriado, mas o estrago nunca foi grande, já que suas cenas não tinham tanta importância. Mas agora, ficando bem no centro de um dos momentos mais cruciais da temporada, se mostrou gritante o grau de sua limitação como atriz. Comparando com o show que Peter Dinkgale deu logo depois então… Só posso dizer uma coisa: Sibel, volte a fazer pornô.

Tyrion assim jogou fora a oportunidade de passar o resto dos seus dias na Muralha e toda sua indignação com o teatro de justiça que estava sendo regido por seu pai e irmã o levou a pedir um julgamento por combate. Então, assim como aconteceu na primeira temporada, onde Tyrion foi julgado no Ninho da Águia e se livrou da punição quando Bronn venceu o seu combate, um novo embate porá em jogo a vida do mais amado personagem do seriado. Quem será o campeão do anão? Jaime? Bronn? Shae (rs)? E quem representará a acusadora Cersei? Apenas perguntas que surgem na expectativa do desfecho do que foi desencadeado pela morte do detestado bastardo Joffrey.

E depois deste episódio, Stannis voltou a ser um concorrente poderoso ao trono de ferro, status que ele tinha perdido ao fim da Batalha de Água Negra na segunda temporada. Stannis Baratheon e seu ultrafiel mão do rei, Davos Seaworth, conseguiram convencer o Banco de Ferro de Braavos a financiar a guerra do último Baraheon pelo trono. Mas o melhor nesse segmento da história foi poder enfim ver a cidade de Braavos. Localizada em Essos, com inúmeros canais que lembram Veneza, além do enorme titã que fica logo em sua entrada, Braavos é a terra dos grandes ídolos de Arya: Syrio Forel e Jaqen H’ghar, e uma bela adição aos créditos iniciais do seriado.

E depois de cinco episódios ausentes, os dragões fizeram uma sensacional aparição. Ao que parece, deixar seus filhos à solta nos arredores da cidade de Mereen ainda vai dar muita dor de cabeça para a khaleesi. E não é só isso, ser rainha não é nada fácil. Que o digam os 212 suplicantes que a esperavam no seu primeiro dia no novo emprego. Decisões drásticas podem trazer graves consequências, e a justiça cega que Daenerys segue não deverá trazer os efeitos esperados a longo prazo. A jovem rainha ainda não sabe, mas o mundo tem mais tons de cinzas do que ela parece imaginar, e toda a cena envolvendo o filho do mestre crucificado foi a primeira lição que ela ganhou sobre esse assunto.

Agora, não posso deixar de dizer o quanto foi decepcionante a investida de Yara Greyjoy e dos homens das Ilhas de Ferro no Forte do Pavor a fim de resgatar o perturbado Theon Greyjoy a.k.a. Fedor das garras de Ramsay Snow. Toda a ação foi confusa e mal orquestrada, além de ter se concluído de maneira corrida, com Yara desistindo do irmão em questão de segundos, após dar a volta no continente inteiro de Westeros para poder resgatá-lo. Uma pena, pois era um acontecimento que eu esperava que pudesse gerar ramificações interessantes no núcleo do Norte. Ao menos tivemos o deleite de assistir mais do terrorismo psicológico cruel que Ramsay não cansa de aplicar em Theon. O banho dado como presente por manter-se fiel ao seu dono foi de uma tensão constante. Ao fim, tudo fazia parte do novo plano dos Bolton entrando em ação: para livrar o Fosso Cailin das mãos das tropas dos Greyjoy, Fedor terá que encarnar o homem que um dia foi. Mais um caso de Síndrome de Estocolmo no seu maior extremo possível.

Assim, trazendo um dos momentos mais esperados pós-morte de Joffrey, o julgamento de Tyrion nos brindou com um show de Peter Dinkgale e a promessa de que a definição de seu destino ainda vai trazer fortes emoções. O combate decisivo deve acontecer em breve e o futuro do anão depende desta última tentativa de salvação.

Em Tempo de Melhor Frase do Episódio: “Watching your vicious bastard die gave me more relief than a thousand whores!” – Tyrion Lannister. E quem somos nós para julgá-lo? Acho que todos os espectadores sentiram a mesma coisa ao ver Joffrey morrer.

Em Tempo de Morte do Episódio: Não tem o que argumentar. O ataque de Drogon ao rebanho do pastor de Mereen tornou a morte das ovelhinhas as melhores do episódio.

Em Tempo de Novidades: Vale destacar a entrada de Tycho Nestoris no seriado, interpretado por Mark Gatiss, cujos trabalham incluem as adoradas “Doctor Who” e “Sherlock”.

Em Tempo de Deboche: Pobre Mace Tyrell, reduzido ao trabalho de pegar papel e pena para o todo poderoso Tywin.

Em Tempo de Fantoches: E o rei Tommen mostrado ser o melhor no que faz. Disse tudo que o vovô mandou falar sem errar nenhuma vez.

Em Tempo de Fantoches 2: O joguinho que Tywin fez para conseguir com que Jaime largasse o manto branco e voltasse a ser seu herdeiro? Papai Lannister se mostra o jogador mais sagaz que jamais existirá em Westeros.

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