Durante a sua ausência.

Spoilers Abaixo:

Uma das maiores curiosidades surgidas na Season Premiere de Fringe, que nos abre para o mundo pós-Expurgo, sob o domínio total dos Observadores, era sobre a vida de Etta sem a presença da família. Sendo assim, ganhamos um episódio que é mais ou menos explicativo, embora não utilize flashbacks como recurso principal. O foco são as consequências e o modo como esse novo mundo transformou para sempre a vida dos humanos.

Mais uma vez, o roteiro cumpre seu papel, embora não seja exatamente empolgante. De qualquer forma, as informações novas não deixam de ser interessantes e abrir novos caminhos para a temporada final. Há uma jornada a cumprir e os escolhidos devem começar imediatamente.

No maior clima de #LostFeelings, teve gente que viu referência até na abertura do túnel para Harvard com a escotilha, mas o que me lembrou mesmo a série da Ilha foi o vídeo de Walter, já no finalzinho. Poderia ser Dharma Harvard Station ou algo assim que eu não estranharia.

Aliás, o episódio inteiro é dedicado a recuperar o conteúdo da câmera presa em âmbar e o resultado até que foi bacana. Além da mensagem em si, que mostra que Walter é doido, mas não confiava apenas na tática de September para encriptar o plano, fiquei injuriada com um detalhe: porque não tem uma maldita dica de onde encontrar as fitas?

Imaginem que fossemos nós ali. Veríamos aquele vídeo borrando as calças e depois não faríamos ideia de como salvar a humanidade, já que não há gênio no mundo que saiba onde estão as fitas sem uma ajudinha. Com Walter sem memória, a coisa piora e já quero saber que desculpas vão dar para acertarem o paradeiro desses VHS’s, mas sei que vai ser bom, porque Walter constrói lasers com clipe de papel e copia a assinatura da íris de um legalista e coloca num olho de porco. Ou seja, tudo é possível.

Falando no tal olho de porco, aposto que muita gente achou que Walter iria arrancar o do legalista com uma colherada, a sangue frio. A cena toda é construída para que pensemos assim, inclusive porque Etta está dando demonstrações de frieza e crueldade, logo, não seria estranho se Walter também agisse do mesmo modo.

Esse comportamento de Etta tem gerado discussão entre os fãs e muita desconfiança. Já vi gente falando que ela não é a filha de Peter e Olivia (mas é, porque ela tem os poderes do cortexiphan e aposto que não tem muita criança nascida de mãe com overdose de cortexiphan) e há quem afirme que ela é estranha e está trabalhando como agente dupla. Concordo que as atitudes dela são muito diferentes das do resto da família, mas há bons motivos para isso, todos expostos nesse episódio.

O mundo mudou. Homens do futuro vieram para dominar o cenário atual e eliminar a raça que lhes deu origem. Famílias foram destruídas e todos agem em nome do medo. Etta fala bem sobre isso, dizendo que os Observadores tratam as pessoas como escravos porque o instinto de sobrevivência fala mais alto, mesmo diante de grandes sofrimentos. Etta age de acordo com o que aprendeu e o sofreu, apenas. Tanto é que ela demonstra afeto pelos pais em muitos momentos.

A relação familiar, vale ressaltar, está sendo bem desenvolvida. É notável a facilidade que Etta tem de lidar com Peter. Ela sempre o escolhe como parceiro. Com Olivia ela sente uma barreira, mesmo que elas sejam parecidas em alguns aspectos. O legal é ver que Peter e Olivia dominam o papel de pai e mãe e mesmo que de forma mais madura, tentam orientar a filha para agir do melhor modo possível. Isso acontece quando Etta vê a cabeça de Simon num dos laboratórios de Harvard e quando Olivia, mesmo sem dizer muito, planta nela a dúvida sobre o refém legalista. Sem aquela conversa, o homem jamais sobreviveria aos instintos revolucionários e vingativos de Etta.

Outra coisa que fica registrada aqui é o significado do título do episódio: ausência. É ótimo o modo como todos os diálogos nos guiam para preencher as lacunas, mas ainda não sabemos da missa a metade. Há fotos no apartamento de Etta que precisam ser explicadas. Quem a criou e como ela se tornou agente da Fringe Division e membro da resistência. Esse episódio é mais para que paremos de julgá-la como alguém apenas ruim. As circunstâncias em que Etta viveu devem ser amplamente consideradas.

Numa pesquisa rápida, acabei descobrindo que “Absentia” é também nome de um filme de horror, lançado em 2011. Nem citaria aqui não fosse pelo enredo, em que duas irmãs vão atrás de misteriosos desaparecimentos ocorridos dentro de um túnel. Pode ser bobagem, mas talvez haja alguma ligação ou referência rasa. Lembrando ainda que nos túneis que levam à Harvard há o desenho de um dragão chinês e o aparecimento de mãos pintadas nas paredes, visíveis apenas depois daquele vapor ser liberado. Nada disso parece ter maior significado, tentei ver se as mãos tinham seis dedos, mas era tudo bem normal. De qualquer forma fica o registro.

Aproveitando minha fluência em sueco (só que não) eis aqui o que Walter diz naquela cena do começo do episódio: “the worlds *something* depends on it. What (it is), I have forgotten”. Pois é. Se tivessem nos mostrado a cena em português o mundo estaria mais perto de ser salvo. Fica ainda a dúvida sobre quem é o “grande 19” citado pelos Legalistas. Provavelmente algum Observador ou o próprio Windmark.

O Glyph Code da vez é Faith, fé, na tradução. Engraçado o paralelo com o da semana passada, significando dúvida. Nesse caso, porém, o uso parece clara alusão à Olivia e seu efeito sobre as pessoas. Etta e o refém ficam absolutamente tocados pelo seu olhar e a mensagem que ela transmite de que tudo ficará bem.

P.S* Completa é minha fé de que Gene está naquele âmbar.

P.S* Muito bacana o ‘Dispositivo Angelical’, usado para treinar os Observadores a viajar no tempo (com o lance das ´moléculas bagunçadas) e transformado em arma. A transformação do refém em um idoso foi muitíssimo bem feita e pareceu completamente real, com o envelhecimento acontecendo gradualmente durante o diálogo.

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