Funcionou! 3-0!

Spoilers abaixo:

“I don’t know how to be better.” – Vince Howard

Seguindo o caminho contrário do seu antecessor, “The Right Hand of the Father” é uma surpresa ao apresentar, logo no começo da temporada, a tensa e marcante cena na qual Vince se abre para o Coach sobre os problemas que ele está passando em casa devido ao retorno de seu pai. Eric Taylor não é um homem sentimental na superfície, porém, em momentos parecidos com esse – mais notavelmente nessa cena da segunda temporada – passa incrível segurança e afeto pelos garotos, mesmo sendo obrigado a manter posição no pedestal que ser treinador necessita.

Vince, por sua vez, também não é dos mais sensíveis. Aliás, quase ninguém em Friday Night Lights demonstra ser (é um duro ainda que simples mundo onde as aparências importam) sendo por isso que nos momentos onde somos permitidos um vislumbre desse núcleo, a série se excede e cruza a barreira, deixando de ser um ótimo drama para se tornar um dos melhores, ao lado de The Wire, Battlestar Galactica e outras preciosidades. Isso costuma ocorrer na reta final das temporadas e o fato de ter sido antecipado aqui é curioso e agradável, mostra um desejo de não deixar a bola cair e de não jogar a série em uma rotina e em um bolo de tramas da qual não vai conseguir se desvencilhar, ao mesmo tempo em que marca o tom para as horas finais da série e é brilhante representando os sentimentos de Vince. O modo como o roteiro trabalhou a angústia dele nas cenas dentro de casa, nas interações com os outros alunos, nas conversas frustrantes com o pai, no seu relacionamento com a Jess… Choca pelo poder da história, pelo seu clímax que está relacionado à vitória dos Lions e pela rapidez com a qual eles conseguiram jogar o personagem adolescente principal do ano em um furacão.

Em duas outras histórias, aliás, a tendência permanece e o ritmo fogoso domina sem se deixar tornar artificial quando comparado com os outros episódios. Tami pára sua busca por apoio e vai direto pra batalha, tentando conscientizar as garotas do colégio sobre como a reputação atual delas pode refletir no futuro; enquanto Buddy se vê de mãos atadas devido à descoberta do comportamento desenfreado de seu filho. Ambas as tramas se amarram perfeitamente com a de Eric e Vince por invocarem um senso de proteção instintivo e mostrarem como os dois decidem lidar com isso. Buddy doa uma porção considerável do seu tempo para um filho cuja mãe rancorosa disse não ser mais seu problema e Tami tem uma conversa dura com Maura sobre o que ela quer pra si mesma e o que pretende atingir na posição de garota fantoche da escola. Há uma clara diferença no fato de uma cena ser ríspida e a outra emocional, mas ainda assim, são sinceras e mostram dois ótimos personagens estendendo suas mãos e declarando o desejo de ajudar.

Nessas notas puras, “The Right Hand of The Father” foi recheado de acertos precipitados responsáveis pela transformação do ordinário terceiro episódio em um vigoroso e precoce início da porção intermediária da temporada. Que continue assim para que Friday Night Lights possa de uma vez por todas cravar a bandeira entre o seleto grupo de melhores dramas da história recente  com algo que todas elas têm: um final satisfatório.

Outras observações:

– Eu poderia ter vivido sem a trama da Jess como gerente de equipamentos do time. As tensões que isso pode causar vão soar bobas depois do que o Vince passou ou disse para o Coach Taylor no escritório.

– Esse ano, o Emmy ignorou completamente a atuação monumental do Zach Gilford em “The Son”. Mas não temam! Tanto ódio pode e provavelmente será reciclado quando, no ano que vem, Michael B. Jordan for esnobado após uma performance igualmente boa.  Só nos resta torcer pro raio cair duas vezes no mesmo lugar e a dupla Kyle Chandler e Connie Britton ser indicada.

– Não compartilho do imenso desgosto que muitos fãs têm do arco da Julie na faculdade. Claro, ele parece um pouco deslocado em relação ao que está acontecendo em Dillon, mas creio que no fundo, tem algo realmente importante e digno para ser dito sobre essa personagem desvalorizada – que finalmente deu a Aimee Teegarden a chance de brincar com um âmbito de emoções maior, em tentativas que foram geralmente sucedidas – ao jogá-la em uma situação que nos padrões texanos seria 100% condenável. É, no fim, um choque cultural entre a cidade pequena e a cidade grande através dos olhos de alguém cujos acontecimentos anteriores em sua vida colocam tremendo peso nas ações usadas para ilustrar isso. Incrível como as pequenas engrenagens do seu namoro com Matt refletem no que ela faz educacionalmente e emocionalmente.

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