Bem vindos à Hearst University.

Depois de um final de temporada que deixa todo mundo apavorado (só que não) pela relação de Veronica e Keith estar ameaçada com a ausência dele na viagem à New York, eis que a terceira e última temporada de Veronica Mars nos traz um novo cenário (que nem é tão novo assim). Com a formatura, o desafio dos roteiristas é conseguir levar os mesmo personagens, ou pelo menos a maioria deles, para uma localidade que não fuja muito do universo já criado pela Neptune High e a escolha é Hearst University, que aparece já na Season 2, introduzindo o caso dos estupros, algo que, inclusive, eu havia adiantado (pra quem ainda não viu a série toda) numa das reviews.

Revendo os episódios, percebi que, ao contrário da minha lembrança, essa temporada começa bem. A mudança de ares não é radical e com tantas reviravoltas na trama, parece crível que Veronica, Logan, Mac, Wallace e Dick acabem todos na mesma faculdade. Nesse novo cenário, ganhamos ainda a presença de Piz (Chris Lowell) e Parker (Julie Gonzalo), duas figuras que logo ganham destaque e que ajudam essa Season Premiere.

Com o primeiro dia de aula chegando, logo descartamos as mágoas entre Veronica e o pai (com direito a um carrão para comprar o perdão da filhota) e ganhamos o misterioso caso do sumiço das cuecas de Piz. Das cuecas e da guitarra caríssima que ele largou num carro aberto, confiando que na faculdade só tem gente honesta.

Obviamente, Veronica entra na história e conduz o caso até a resolução, provando que ela é realmente muito talentosa. No final, é lindo vê-la ao lado de Piz, assistindo de camarote à prisão do criminoso, que usava garotos de um programa especial (que deveria retirar os jovens da criminalidade) numa quadrilha focada em limpar a bagagem dos calouros. Aliás, outra cena excelente e que pontua bem o futuro de Veronica é aquela na primeira aula, quando ela resolve um crime “imaginário” em apenas seis minutos (e com a ajuda do Google!).

O que realmente pesa contra essa temporada é a repetição de mais um caso de estupro. Incrível a obsessão de Rob Thomas com esse tipo de crime, algo que permeia a série em todas as três temporadas. Dessa vez, para piorar, os estupros na Hearst viram o arco central e temos de ver alunas carecas e sem memória episódio após episódio. O que motiva Veronica a resolver esse crime é o fato de Parker logo se tornar uma das vítimas e da própria Veronica ter ignorado um crime que testemunhou sem saber.

O retorno de Dick acaba sendo até uma surpresa no meio disso tudo e ele ganha um pouco mais de destaque após a morte de Beaver, o que lhe traz alguns traumas, mas não diminui o índice de babaquice extrema do personagem. Logan parece meio de escanteio. Apesar de boas piadas e de comentários maldoso super pontuais, a respeito da “macheza” de Veronica, o personagem fica bastante fora de órbita nesse começo de temporada. O mesmo vale para Wallace, mas nesse caso nem é tão ruim, porque ele nunca rendeu muito bem, de qualquer forma.

É bacana o desfecho dado para o caso em que Keith trabalhou para Kendall, com mais um Fitzpatrick aparecendo em cena. Se os roteiristas decidiram não levar mais nada da personagem adiante, tiveram a decência de encerrar tudo e dar um final lógico para essa história, contando com a presença inebriante de Vinnie Van Lowe, para completar o quadro.

P.S*Tenho ódio profundo da nova abertura e da música estilizada. Será que esse foi o estopim do cancelamento?

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