
E a lista de pessoas que não aturam o Ross apenas cresce.
Unir duas pessoas não é simplesmente uma decisão que é tomada por causa do arco sozinho. Comédias possuem a necessidade de expandir para esse eixo pelo fato de que a escolha criativa traz consigo uma gama de possibilidades que acompanha todos os personagens envolvidos. “The One with Chandler’s Work Laugh” é o produto dessa noção, atingindo Monica, Chandler e Rachel em um nível que pode ser visto até como necessário nesse estágio da quinta temporada. Joey é bastante competente no seu papel de confidente do relacionamento da dupla, mas a simples lógica de saturação faz com que a série mude para um novo foco. O melhor é como Friends não repete o fundamento que se fez presente em Joey com Rachel para o mesmo propósito cômico, possuindo um caráter dramático que atinge um ponto até cativante na sua conversa final com Monica.
Rachel colocando sobre si a responsabilidade de fazer com que Monica abra o jogo coloca ela em uma posição desesperada que não se encaixa muito bem no curto espaço de tempo das suas cenas. Não é uma questão de desenvolvimento inapropriado, mas o segmento é mais voltado para um desfecho cuja lógica é reafirmar o elo das duas. É por essa razão que a grande cena final funcione tão bem. Além de ser mais longa e sóbria que o normal, ela utiliza da pressa de Rachel para criar toda a atmosfera apropriada para o diálogo, tornando até as desculpas das duas para estarem ali em algo convidativo para sentirmos os sentimentos delas. O grande foco do roteiro aqui é arquitetar um momento que deixa que as piadas sobre o novo emprego da Monica permaneçam em segundo plano. O fato delas serem melhores amigas sempre foi um aspecto da série que se manteve estabelecido baseando-se apenas através da premissa de Friends e alguns comentários breves. A situação da semana é um grande instante para a dupla por não apenas falar da boca para fora, mas provar esse vínculo por intermédio de ações sinceras.
A carga humorística que não está presente nesse segmento, tem indícios de existir na situação envolvendo Chandler, Monica e as pessoas do trabalho dele. É interessante como o roteiro engloba o casal em uma questão que combina uma característica marcante do primeiro, envolvendo agora sua namorada. Isso é um retrato das novas possibilidades que o novo casal proporciona para a série. Entretanto, essa versatilidade não funciona muito bem quando tem o objetivo de fazer rir. Existe uma boa piada que compara a presença de Monica na festa do trabalho com a de Joey, mas o resto é um conjunto de gargalhadas falsas que ganham caráter antipático com o passar do tempo. Friends possui essa estranha dificuldade de introduzir as idiossincrasias dos colegas de trabalho de Chandler na série porque o seu emprego é uma piada recorrente que funciona pelo mistério relacionado ao que acontece lá. Essa magia é desconstruída do ponto narrativo quando vemos que Chandler finge uma risada para babar o ovo do chefe.
Essa premissa prejudica a construção humorística por mostrar-se com uma única dimensão ao longo do episódio. O roteiro tenta encapsular a competitividade de Monica na partida de tênis, mas isso é mais direcionado a geração da motivação para o desfecho do segmento do que para trazer piadas. É gratificante ver Friends estabelecendo o casal de um modo que não envolva situações clichês de triângulos amorosos, porém, as condições da premissa não permitem muito mais que isso.
É interessante como o outro segmento de “The One with Chandler’s Work Laugh” é construída a partir da mesma lógica do resto do episódio. Provar o quanto Ross está virando um bebê chorão através de Janice é uma ideia que cria por si só uma condição favorável para o humor. O segmento também é bem construído ao utilizar o novo casamento de Emily como motivação para Ross dormir com a ex-namorada de Chandler. É ainda mais agradável vermos como o lado chorão do personagem não se faz tão presente nas piadas, que são mais direcionadas a como o resto do grupo (incluindo Janice) não aguenta mais as atitudes dele.
Possuindo segmentos que eventualmente convergem em uma construção psicológica cativante daquele grupo de personagens, “The One with Chandler’s Work Laugh” traz grandes epifanias que a temporada vinha elaborando naturalmente. Se existe uma região em que o roteiro não toma tanto cuidado é com a utilização do humor nesses momentos. Esse quesito resume-se apenas a Joey e Phoebe brincando de forma hilária com o galo e o pato (uma ótima cena que aproveita bem as peculiaridades da dupla) e o julgamento de Ross por parte do grupo após eles descobrirem que ele esteve com Janice.














