Fear the Walking Dead nos entregou um episódio razoável, recuperando-se da decepção da semana passada.

Essa semana Fear the Walking Dead fechou parcialmente um de seus arcos, pondo um fim precoce ao vilão Connor, e abriu um novo leque de possibilidades para a série. Captive foi um episódio bem razoável, trazendo um saldo positivo pela evolução de alguns personagens como, principalmente, Alicia, com o fim de sua relação com Jack e a sua redenção. Além disso, ele também respondeu alguns mistérios, mas, ao mesmo tempo, trouxe-nos novas incógnitas, que precisam ser respondidas com o desenrolar da trama nos próximos episódios.

Vamos, primeiramente, ao saldo negativo de Captive, que está diretamente ligado à Madison, Chris, Alex e a troca do Reed pelo Travis. Começando pela Madison: mais alguém concorda comigo que ela foi extremamente irritante nesse episódio? Se tem algo que a personagem precisa aprender urgentemente, antes que ela morra por isso, é aprender a tomar decisões em conjunto, ouvindo o que o outro tem a dizer. Salazar alertou-a de que eles (ela e Travis) precisam enxergar de uma vez por todas que seus filhos já cresceram e que, para se alcançar a sobrevivência do grupo como um todo, é preciso que todos os integrantes do grupo aprendam a lutar e cuidar de si mesmos. Nick e Alicia, por exemplo, estão evoluindo de forma gradual, no entanto Madison não percebe isso e continua os tratando como crianças. Entendo que o grupo ainda é muito novo, que o apocalipse mal começou, mas sempre é bom ter uma pessoa a mais lutando ao seu lado. Ninguém precisa de um ser inútil, como a Ofelia, num ataque de uma horda de zumbis. E é exatamente por aí que entramos no caso do Chris, que está associado às atitudes da Madison e do Travis, faladas anteriormente.

Chris começou aprendendo sozinho, se jogando de cabeça no novo mundo, mas, ao mesmo tempo em que esse tipo de atitude é importante, ela também é extremamente perigosa. Seu personagem não recebeu liberdade do Travis e da Madison, então ele mesmo tomou suas decisões, como, por exemplo, ao atirar estupidamente no Reed, irmão do Connor. Madison e Travis precisam saber lidar com Nick, Alicia e Chris, cada qual com suas características diferenciadas. Chris ainda está afetado pela morte de sua mãe, então é normal que ele esteja agindo de forma desequilibrada, o que precisa de atenção constante. Outro ponto negativo, associado à Alex, consegue redimir Alicia dos seus erros do começo da temporada. Alex, após ter sido expulsa da Abigail, foi capturada pelo grupo do Connor e, por vingança, visto que Jake morreu, ela decidiu entregá-los a Abigail em troca de permanecer no grupo. Mais uma vez eu preciso reclamar com relação à entrada da sua personagem, que estava prevista para ser uma personagem permanente na série. Alex foi mal utilizada até o momento, sendo, inclusive, jogada de lado no grupo do Connor, sendo que o mesmo pode nem aparecer mais. Qual é o objetivo de criar o voo 462 se ninguém iria entrar na série original? E porque diabos a Alex guardaria rancor do Travis e não do Strand, que cortou a corda? Simplesmente não faz sentido!

Mas, o prêmio de sem sentido algum vai para o resgate de Travis e Alicia. Reed (transformado em zumbi) fez barulho (“rosnando”) o episódio inteiro ao lado de Madison e os outros, com um pano cobrindo o rosto. Foi só chegar ao local de troca, frente à frente com Connor e os outros, que o zumbi simplesmente se manteve calado. Ai, então, eu lhes pergunto: cadê o nexo nessa troca? O zumbi decidiu se calar ao ficar perto do seu irmão? O barulho de Reed era bem alto quando ele ainda estava na Abigail, mas, surpreendentemente, ao chegar à troca, ele era silencioso ou seu som era mais contido. Erro dos produtores ou algo que eu não consegui pensar apropriadamente?

Já no saldo positivo temos Salazar, Strand e Alicia. Tivemos a resposta de como será o México, onde Strand planeja levar o grupo. No entanto, a entrada é feita apenas com dinheiro e eles possuem apenas o suficiente para duas pessoas. Mas a pergunta, com relação a essa trama, que fica é: o que será que eles encontrarão na fronteira do México? Algo me diz que ao chegarem ao local ela será apenas mais uma zona morta, sem perspectiva de sobrevivência como Strand vem prometendo. E Salazar? Bem, Daniel agora vai substituindo a incógnita que Strand antigamente era. O que será que os produtores guardam para o seu personagem? Ele ouviu uma voz ordenando-o a pegar a arma, sendo que apenas ele ouviu. A minha teoria é: Salazar tem dupla personalidade. Que outra explicação teríamos para ele escutar vozes? Será que o lado que estava cuidando de Reed era seu lado “bom”, enquanto seu lado sádico (Dexter?) estaria disposto a matar logo o zumbi à sua frente? Não sei que resposta a série nos reserva sobre esse assunto, mas isso não importa no momento. O que importa é que esse fator não seja esquecido, pois os produtores não podem jogá-lo sem motivo na trama, sem explicá-lo ou abordá-lo apropriadamente.

E Alicia? Bem, Alicia foi a estrela dessa semana. Sua personagem evoluiu grandiosamente de um episódio para o outro, mostrando-se como uma pessoa calculista em suas ações, pensando sempre em novas alternativas de fuga ou de se defender dos seus inimigos. Sua redenção, através da confissão de Alex, mostrou-nos que ela não foi a culpada pela chegada de Jack e dos outros, e isso enriqueceu ainda mais a sua participação nesse episódio. Alicia revelou de forma brilhante que ela não é tão influenciável como pensávamos, que ela tem sua própria opinião de mundo e que, principalmente, ela não precisa iniciar um romance com ninguém para se desenvolver na trama. Alicia crescerá com ou sem Jack, o que é um enorme alívio, pois não precisamos de uma formação de casal nesse momento. FTWD precisa urgentemente fortalecer seus personagens, de forma individual, revelando sua história e nos mostrando a sua evolução gradual no novo mundo. E, afinal, quem gostou do Jack, da Vida e da Alex (puro amor, mesmo dedurando a Abigail) pode ficar tranquilo, pois provavelmente esse não foi o último episódio deles. Tudo indica que eles retornarão em busca de sangue, abrindo um grande leque de novas possibilidades para o futuro da série nos próximos episódios e/ou temporadas. Enfim, isso é tudo pessoal. Até a próxima!

Placar da Semana

Caminhante: Troféu caminhante/errou feio (ou troféu estupidez extrema, dessa vez) vai para o Chris. Matar o Reed sem necessidade? E o seu pai, cara, esqueceu-se dele? Não é difícil imaginar que ele poderia servir de moeda de troca pela sua família, né? Assim fica difícil te defender, Chris! 

Balofo: Troféu balofo, ou fale-me mais sobre isso, vai para o Travis. Ok, ele não fez muito no episódio, eu sei disso. Mas o que foi aquela brilhante cabeçada dele no capanga do Connor?! Zidane deve ter ficado orgulhoso com essa cena! 

Corredor: Troféu “not bad” para o Salazar. Ele possui as características mais importantes para a sobrevivência no novo mundo e, no episódio dessa semana, ele mostrou-se ainda mais útil ao utilizar o Reed (mesmo zumbi) na cena da troca. Seu plano foi bem sucedido e todos foram felizes para sempre, com exceção, claro, do Connor que foi mordido pelo próprio irmão. Grande Salazar, agora aproveite e ensine o restante do grupo, pois eles estão precisando de treinamento com urgência! 

Abominação: Troféu “badass” para a Alicia! Alicia e Salazar mereciam o troféu “abominação”, ambos foram brilhantes nesse episódio e, exatamente por isso, foi difícil de avaliar o placar máximo dessa semana. Mas, considerando todas as variáveis (como, por exemplo, utilidade do feito no episódio, evolução do personagem, entre outros), eu optei por premiar a Alicia com o prêmio “badass”. Ela de fato enganou o Jack, se vingou da mulher grávida ao lutar e prendê-la numa cela (vingança pelo roubo do bife no início do episódio, quando ela ficou literalmente a ver navios) e ainda desceu, like a boss (se inspirando na Lexa, de The 100), a rampa do barco para fugir. Meus parabéns, Alicia, você finalmente alcançou o troféu Abominação!

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