É notório que, como conceito, essa terceira temporada de Euphoria é totalmente descartável. Uma prolongação desnecessária de algo que já deveria ter encontrado seu fim há muito tempo.
Mas dentro desse microcosmo isolado da vida adulta dos personagens, esse terceiro episódio se destaca como o melhor, até então, dessa reta inicial do que todo mundo espera ser o último ano da série.
Assumindo um tom jocosamente irônico, a trama de The Ballad of Paladin foca no casamento de Cassie e Nate como uma exploração do amor e dos relacionamentos tóxicos na vida moderna.
Nate nunca foi flor que se cheire. E Cassie sempre viveu numa bolha egocêntrica de ilusão onde todos gostavam dela. E precisamos concordar que por causa disso eles foram feitos um para o outro. São duas forças destrutivas em rota de colisão lutando pra ver que ativam os gatilhos um do outro.
Esse núcleo é o melhor dessa narrativa. Ouso até dizer que se essa temporada fosse um derivado focado no relacionamento caótico dos dois, seria muito melhor do que o resultado que está sendo exibido..
O casamento deles foi a apoteose disso. Foi interessante não ver a fachada de bom moço de Nate caindo na frente da família e dos colegas, mas também o novo surto de Cassie perante a descoberta da real natureza de seu marido.
Correndo em paralelo tivemos os diversos pontos de vista dos convidados acerca do relacionamento dos dois, algo que também explorou os próprios relacionamentos entre eles mesmos.
O descontentamento de Maddie, o recalque da mãe do noivo, a relação conturbada do pai dele com Jules, foram vários pavios sendo acesos caminhando para um final explosivo. Mas desses pavios, o melhor de todos foi a mãe de Cassie. O modo como ela contou a própria experiência de casamento, enquanto levava a filha para o altar, está entre uma das melhores sequências da série, não pelo seu choque ou violência, mas sim pelo seu humor sarcástico.

A temática dos relacionamentos tóxicos finalmente colocou Jules em evidência. Toda essa experiência de ser sugar baby, assim como o amor entre Cassie e Nate,é uma repetição de padrões tóxicos adquiridos na adolescência. Ela sempre foi colocada numa posição de exploração, de fetichização por parte dos outros. A única coisa diferente, agora na vida adulta, é que ela está capitalizando com a violência que sempre sofreu. Se é algo que se sustenta a longo prazo, é uma questão que fica para ser trabalhada nos próximos episódios.
Falando em violência, Sam Levinson continua atacando a boa vontade do espectador com a trama de Rue. A personagem está presa num ciclo de más decisões, o que torna difícil se importar com ela. Foi Laurie, depois Alamo e agora a DEA, Rue é um peão na mão dos outros, quando na verdade deveria estar lutando pra assumir seus erros e ter uma mudança concreta de vida.
Mantendo o que foi entregue aqui, Euphoria pode até ter um final digno. Não será algo do mesmo nível da temporada inaugural, mas também não será nada tão vergonhoso como os dois episódios anteriores.












