Já se tornou uma tradição em Euphoria que o quarto episódio da temporada aglutine as tramas trabalhadas até então na série. Foi assim na primeira, com todos os personagens interagindo no parque de diversões da cidade, com tantas reviravoltas que mais parecia um season finale do que o meio da temporada. Cá estamos novamente com a mesma sensação, mas ao contrário da temporada passada aqui as coisas foram confusas e turbulentas.
O movimento natural de quando se está no fundo do poço é subir. Sair do problema, dar a volta por cima. Mas algumas pessoas comprovam que sempre se pode cavar mais um palmo de terra para se enfiar ainda mais numa situação complicada. Essa seria uma metáfora perfeita pra esse episódio: todos os personagens estão no fundo do poço. Mas em níveis diferentes.

E lá, em provocações que ecoam pelas paredes escuras, Rue e Jules disputam um complicado jogo de poder e influência. Rue definitivamente ama Jules. Mas a droga já tomou um pedaço tão grande da vida da garota que nem mesmo esse amor romântico é capaz de salvá-la. Tudo depende única e exclusivamente de Rue. E ao invés de se agarrar com unhas e dentes na chance, ela solta o pedregulho da oportunidade e cai em direção ao escuro do fundo do poço.
Mais uma vez a personagem se encontra numa situação de vida ou morte. Uma nova overdose talvez? Ainda não sabemos, mas o certo é que esse encontro com o divino e com o falecido pai não parece ser boa coisa. E o mais irônico disso tudo é que com essa indiferença em que ela vai vivendo, com a existência nublada pelo torpor dos narcóticos, Rue acabou juntando indiretamente Jules e Elliot.
O que começou como algo desafiador, com ares de curiosidade, agora se demonstra uma conexão palpável. Não sabemos se tão real ao ponto da que é a de Jules e Rue. A única coisa que podemos prever é que ambos vão acabar se envolvendo nos problemas que Rue vai acabar criando, e que não são poucos.

Outra personagem que se debate, se agarra de todas as formas a borda iluminada é Cassie. Ela se encontra num nível de adicção tão perigoso quanto o de Rue, mas as endorfinas agem na figura de Nate. O garoto trata ela como lixo, coloca ela em posições cada vez mais humilhantes, mas assim que ela ganha qualquer migalha de afeição dele, passa a enxergá-lo como um cavaleiro de armadura reluzente quando na verdade ele se arrasta por aí com uma couraça enferrujada e carcomida pelos seus próprios segredos.
Falando neles, Cal resolveu abandonar todos os pudores e se entregou a uma versão do que ele acredita ser de verdade. Numa cena crua, franca e, em certos pontos, divertida ele revelou toda a sua vida perante um incrédulo Aaron, uma conformada Marsha e Nate, impassível. Se por um lado isso remexeu com as estruturas do único núcleo familiar “certinho” da série, por outro não apaga o comportamento tóxico e problemático de Cal. Os traumas do passado não são motivação para ser um completo lixo de gente no futuro, não importa quais sejam.

Com muita coisa a se dizer, mas poucas delas entendíveis, essa semana Euphoria pede muito da credibilidade do público. Se isso é só um passo proposital em uma figura maior e mais impactante, precisaremos esperar pra ver.
Dose 1: Vai vir bronca pesada pro Fezco por aí, a gente só não sabe o que ainda…
Dose 2: Botticelli, Yoko e John Lennon, Frida Khalo, Magritte, Ghost, Branca de Neve e Brokeback Mountain. Essas foram as referências da montagem do começo do episódio.
Dose 3: Cassie explodir e contar pra Maddy o caso com Nate, Kat dizer a Ethan que não quer mais namorar com ele ou a peça de Lexie. O que vai acontecer primeiro?













