Muita gente tem a falsa sensação de que antes tudo era melhor. E isso vai desde seu avô, até seu colega de escola ou faculdade. Claro que isso tem muito a ver com o fator nostálgico ou de como a vida adulta te deixa mais cético e faz com que os tempos mágicos da infância e adolescência desapareçam. E você vai tomando pancadas da vida que apenas reforçam isso.

Aposto que a maioria das pessoas que conhece, reclamam de tudo. Até você faz isso. Eu, com certeza, faço. E desconfio de que foi sempre assim. Antigamente, naquela época boa que não volta mais de todos nós, também era assim. Quem tem twitter viu tudo isso se potencializar e eu que me considerava um cara que reclamava muito, me senti um amador perto de muita gente que sigo.

Bom, o que quero dizer com tudo isso? É que as coisas não mudam tanto, nós mudamos. E guardamos melhor as coisas boas do passado e as ruins vão caindo no esquecimento. Então fica aquela lembrança linda e maravilhosa do antes e o presente, duro, não consegue igualar esta memória.

A industrialização, o desenvolvimento dos países, o grande aumento da população. Tudo isso nos possibilitou criar e ter a acesso a uma gama infinita de coisas à nossa disposição. Formamos milhares de médicos todos os anos, temos uma quantidade enorme de filmes e séries sendo produzidas. Inúmeros restaurantes e bares e etc. Isso foi aumentando e estamos justamente vivendo no ápice de toda essa evolução.

O fato de termos uma grande quantidade de opções à nossa disposição, acaba nos deixando em contato com o mediano. Você vai a um médico e quando não é mal atendido, sai com aquela sensação de que poderia ter tido uma atenção maior em outro local. Vai comprar algo em uma loja e quase sempre sairá insatisfeito de alguma forma. E poderia dar outros mil exemplos. O mundo parece que foi nivelado por baixo.

O mundo esta meio assim mesmo. E dai junta-se nosso cinismo, nossa mania de reclamar e praticamente estamos vivendo num mundo pós-apocalíptico.

Eu já passei por maus bocados médicos e fui numa farmácia meio assustado e perdido na vida, lá então, fui atendido por uma moça que me tratou tão bem, que quase me emocionei depois pelo timing perfeito que foi a situação. Tem outros casos que posso citar, de uma funcionária numa padaria, numa locadora e até de lojas pequenas em que você nem acredita que encontraria um atendimento que deveria ser padrão para todo o resto.

Sim, continuamos tendo as coisas boas. E deve ser no mesmo volume ou até maior do que antes. Acontece que a quantidade de acontecimentos desagradáveis é tão grande que nos chama mais a atenção, fazendo parecer que nada presta e estes casos que contei se tornam um acontecimento. Mas eles ainda existem.

A quantidade de filmes lançados hoje é assombrosa e a maioria deles nem são dignos de nota. Parece que estamos vivendo o fundo do poço da criatividade. Porém tem muitos filmes maravilhosos sendo lançados, alguns dos melhores de sempre. Não é tão fácil ver alguns, outros tem que garimpar. Mas eles estão lá. E nas séries também é assim. Temos lixos e lixos sendo lançados a cada Fall Season. Muitas e muitas séries medianas que continuam no ar apenas sendo agradáveis e bons passatempos. E nunca irão além. A maioria é assim.

Um dos motivos de eu ter criado o blog, era poder escrever e recomendar séries que eu adorava, partilhar os pensamentos e opiniões com outros apaixonados. De tempos em tempos surgem algumas séries que me fazem ter vontade de gritar e convocar a todos a verem a exceção, aquela que deveria servir de padrão para todas as outras.

A Fall Season está para começar e espero encontrar nela alguma série que me faça sentir isso. Não preciso de dez (não que eu fosse reclamar), mas apenas um seriado assim. Algo como Community ou The Good Wife. Muitas vezes vamos ver aquela série maravilhosa apenas após seu fim ou no meio dela após uma recomendação. Mas é uma satisfação enorme poder presenciar o surgimento e o desenvolvimento de algo assim. De sentir aquele frio na barriga de pensar que ela pode ser cancelada, da comemoração da renovação…

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Recomendação: Meia Noite Em Paris, Woody Allen

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