Depois de mais de 1 ano, Dragon Ball Super finalmente finalizou seu arco mais longevo na TV e também a série em si. Em uma história complexa, com 80 personagens na arena lutando entre si, a série conseguiu trabalhar relativamente bem vários desses personagens e, por enquanto, finalizou sua história na telinha de maneira bem satisfatória.
Após o arco do Goku Black, passamos por alguns fillers esperados. Enquanto alguns foram bem divertidos, como o crossover com Dr. Slump e o jogo de beisebol entre os Universos 6 e 7, outros foram bem irrelevantes, como os episódios envolvendo Gohan como Grande Saiyaman. De qualquer forma, eles não influenciam muito no decorrer da saga que estava por vir.
Torneio de Exibição Zen-Oh
Primeiramente, antes do Torneio envolvendo os 8 universos, aconteceu o Torneio de Exibição Zen-Oh, graças ao Zeninho do futuro que não havia visto o Torneio entre os Universos 6 e 7. Por isso, os Universos 7 e 9 foram convocados, pois eles tinham os piores níveis de média mortal. Basicamente, essa primeira fase da saga serviu para aprofundar um pouco os principais personagens do Universo 9, o Trio Perigo, e começar a construção de rivalidade entre o Universo 11 e 7, com Toppo apontando Goku como o principal vilão e anunciando Jiren como o guerreiro mais forte do Torneio. As lutas, apesar de boas, não foram empolgantes. As animações não estavam caprichadas, mas entendo que isso aconteceu para que os animadores se dedicassem aos vindouros episódios, muito mais importantes, e felizmente não decepcionariam. E é preciso dizer como foi um alívio não ter Boo no Torneio do Poder. Que personagem mais sem graça, vazio e com tão pouco a oferecer.
Convocação do time do Universo 7
Como os membros anunciados previamente, nós já sabíamos quem ficaria dentro e quem ficaria fora da seleção do Universo 7, certo? Errado! Todos os membros tiveram algum episódio dedicado ao modo como Goku os convenceu a ir lutar no Torneio do Poder. Foi muito legal ver o carinho e calma que os responsáveis pelo anime tiveram com a preparação do time. Alguns receberam mais atenção do que outros, isso é verdade, mas de modo geral esses episódios foram essenciais para a construção de tudo que estava por vir, principalmente levando em conta o desfecho do Torneio. De modo geral, quem teve menos atenção nesses episódios, também teve menos atenção durante o Torneio. Foi coerente, apesar de um pouco decepcionante.
Por outro lado, outros universos também receberam algum tipo de atenção do roteiro para apresentação de seus guerreiros. Vimos o Universo 2 com Ribrianne e Cia, o Universo 3 com as máquinas, o traiçoeiro Universo 9 com o Trio Perigo e seu Kaioshin que se daria muito bem com o falecido Zamasu, o Universo 10 de Gowasu e seus guerreiros genéricos. Porém, quem recebeu mais tempo de tela e mais aprofundamento foram os Universos 11 e 6. Tivemos a apresentação de toda a Tropa do Orgulho, principalmente de Toppo, Dyspo e Jiren, ao mesmo tempo em que também finalmente conhecemos as primeiras Saiyajins mulheres da franquia. Preciso confessar que gostei muito de Kale e Caulifla. As incoerências apontadas pelo fandom simplesmente são exageradas e a entradas delas na franquia foi um frescor necessário.
Sobre a saída de Boo e a entrada de Freeza: não poderia pensar em algo mais inesperado, arriscado, corajoso e que deu tão certo. Se Boo tivesse ido para o Torneio, ele não seria mais do que um coadjuvante. Arrisco a apostar que ele seria um dos primeiros do U7 a cair. Trazer Freeza de volta, mesmo que possa soar um pouco repetitivo graças à saga Golden Freeza, é muito inteligente. Ele é o maior vilão da franquia, é o mais querido entre os fãs, é o mais carismático. Fato interessante é que todos os minutos dedicados ao seu recrutamento nos deixaram bem claro que Freeza não estava se tornando bom, como ocorreu com praticamente todos os amigos atuais de Goku. Ele foi ardiloso, extremamente não confiável e poderia ter dado tudo errado já ali. Então um senso de perigo constante se instalou desde cedo.

Com todos os personagens apresentados e prontos para o Torneio, vamos às análises de alguns grupos de personagens que tiveram mais destaque:
Kuririn, Mestre Kame e Tenshinhan
Kuririn foi um personagem que se beneficiou muitos dos episódios de recrutamento e também de alguns fillers anteriores. Seu medo de lutar com adversários mais fortes, depois de tantas mortes, foi superado e ele ajudou seu time eliminando alguns guerreiros. Sua participação se justificou, mas infelizmente ele foi derrubado por um descuido seu e pelo oportunismo de Frost.
Mestre Kame foi outra grata surpresa no Torneio. De idade bastante avançada e sem participar de lutas desde o Dragon Ball clássico, Kame já havia sido lembrado na saga Golden Freeza e novamente aqui teve um papel importantíssimo. Sem força bruta e sem transformações, ele soube trabalhar em sua experiência e explorar suas limitações. Dentre os de baixo potencial do U7, Kame certamente foi o melhor deles. Quem diria!
Já Tenshinhan foi a grande decepção de todo o U7, em minha opinião. Como eu disse anteriormente, Tenshin não recebeu tanta atenção em seu episódio de convocação e sua breve e apagada participação do Torneio não foi tão incoerente. É claro que ele não foi derrubado simplesmente sem ter feito nada, inclusive ele ajudou Piccolo e Gohan a derrotarem um adversário que estava dando trabalho, porém, é muito pouco para um dos personagens mais dedicados ao treinamento e ao mundo das lutas de Dragon Ball e que frequentemente era colocado como o humano mais forte da Terra, junto de Kuririn. Foi um pouco decepcionante, mas vida que segue.
Kale, Caulifla, Kyabe, Hit e Frost
O Universo 6 foi o que teve mais atenção, provavelmente, dentre todos os outros adversários. Kale e Caulifla foram tendo lutas bem espaçadas, trabalhadas com calma e personalidade. Caulifla ser uma espécie de versão de Goku foi muito legal, com a obcessão por sempre ser mais forte, a personalidade avoada, enquanto Kale é o Broly canonizado. Foi muito interessante vermos uma personagem retrair todo seu poder (algo que me lembrou muito o Obscurus da série de filmes Animais Fantásticos) e, por causa disso, tornar-se algo incontrolável e super poderoso.
Inesperadamente, tivemos também o surgimento de Kefla, a fusão por brincos entre as suas Saiyajins. A inserção de não uma, nem duas, mas sim de três personagens mulheres e saiyajins mostra um grande passo de Dragon Ball em ser um pouco mais inclusiva. Independente disso, a nova Saiyajin deu bastante trabalho ao Goku, fazendo com que ele tivesse que reativar o Instinto Superior para conseguir derrotá-la. Aliás, a luta dos dois se configura facilmente dentre as melhores e mais emocionantes lutas do torneio. O modo como Goku conseguiu derrotá-la foi sensacional, digno de uma série com lutas tão marcantes como Dragon Ball sempre teve.

Menos marcante do que em sua primeira aparição, Hit foi bem discreto no torneio. Dentre os personagens com maiores expectativas, ele não lutou tantas vezes quanto queríamos, já que teoricamente ele era o mais forte do U6, mas pelo menos teve uma boa luta contra Jiren, quando este havia acabado de derrotar Goku com Instinto Superior no 1º Round deles.
Kyabe foi também outro que não impressionou tanto. Tomando para si a responsabilidade de ser uma espécie de líder ou mentor das Saiyajins do U6, ele tomou danos quando Caulifla e Kale estavam se recuperando, pois ele sabia que elas tinham mais potencial que ele. E novamente a relação mestre/discípulo entre Vegeta e Kyabe aconteceu, fazendo com que isso se tornasse motivação extra para o Príncipe dos Saiyajins.
Frost foi uma cobra traiçoeira – e não poderia ser de outro jeito. Ele foi o responsável pela queda de Kuririn, atrapalhou muito Vegeta e Mestre Kame, mas teve o que ele merecia: ser enganado por Freeza. Se ele se achava tão esperto, ser enganado pelo Imperador do Universo foi impagável, já que, teoricamente, eles são quase a mesma pessoa de universos diferentes.
Gohan, Piccolo, Androide 18 e Ribrianne
Gohan e Piccolo foram bastante discretos no torneio. Ficaram juntos a maior parte do tempo e não empolgaram tanto quanto outros personagens. Eles se tornaram secundários há um bom tempo na franquia, mas tiveram seu momento de destaque no Torneio, mesmo que breve, e está de bom tamanho. Piccolo protegeu Gohan em diversos momentos – gerando até um certo desconforto por parte dos fãs com o “filho medíocre de Goku” – porém, em seu momento de brilho, foi de apertar o peito. Ver o sacrifício e esforço dos outros Namekuseijins do U6 ao mesmo tempo em que Nail e Kami Sama ajudavam Piccolo a se levantar e continuar lutando foi muito bom.
Enquanto isso, Gohan tinha suas próprias questões. Desde o período do recrutamento, quando ele voltou a alcançar a forma “Mística” e até chegou a cogitar uma nova transformação, ele estava motivado pela sua família. Gohan teve que eliminar oponentes com motivações parecidas com as suas, teve de levar uma surra de Freeza, quando este fingia trair o U7, porém, quando foi preciso, ele conseguiu atender bem às expectativas. Salvou Piccolo, fazendo o papel inverso do tradicionalmente conhecido entre mestre e discípulo, lutou bem contra o U11 e ficou entre os 5 últimos guerreiros do U7 a permanecer na arena. Gohan teve de cair para eliminar Dyspo que estava dando trabalho para Freeza. Os fãs precisam não botar mais tantas expectativas em Gohan, pois ele nunca mais será o mesmo de antes. Configurar entre os melhores do universo vencedor do Torneio é um feito e tanto para quem nem sabia se podia se transformar em Super Saiyajin há uns tempos atrás.
Androide 18 foi uma personagem também bem secundária. Ela lutou junto de Kuririn no começo do Torneio e depois fez parceria com seu irmão até o fim, quando ela foi responsável por eliminar Ribrianne, que estava irritando e atrapalhando fazia já um bom tempo. Ela provou que amor e beleza são subjetivos: são definições quase impossíveis de ser impostas. Ribrianne, que havia lutado contra vários guerreiros do U7 e já havia cansado os fãs com a sua temática mais voltada para o humor, foi eliminada pela Nº 18 e aprendeu uma grande lição. Aliás, todo o U2 tinha esse tom mais humorístico, mas que infelizmente era repetitivo e cansativo. De qualquer forma, as duas guerreiros tiveram seus momentos de brilho e suas participações foram justificadas.
Goku, Vegeta, Freeza, Toppo e Jiren
Começando por Goku, o protagonista da franquia, não podíamos esperar por um desempenho menor que formidável. Eu tenho minhas ressalvas sobre como Goku é construído como personagem dentro de toda a franquia, mas em uma saga em que basicamente tivemos só lutas, Goku conseguiu brilhar. Como um gênio de batalhas, ele é brilhante em assimilar técnicas de seus amigos, em se recuperar rapidamente de lutas destruidoras e em se superar sempre. Ele não se acomoda nem por um instante.
Primeiramente, Goku foi o responsável por ter unido o time do U7 inteiro, praticamente. Com exceção de Gohan e Mestre Kame, todos os outros membros foram rivais (Kuririn) ou inimigos de outrora. A capacidade de fazer amigos e de mudar o caráter de pessoas antes ruins é impressionante e cada um deles tem uma dívida de vida com Goku.
Após a convocação do time, Goku brilhou em vários momentos no torneio. Ele eliminou o U9 praticamente inteiro junto com Vegeta, lutou com as Saiyajins do U6 e – pra variar – também fez amizade com elas. Fez boa parceria com Vegeta em várias lutas, como a luta final contra Jiren, e surpreendentemente com Freeza também. O seu arqui-inimigo o salvou de cair da arena algumas vezes e até doou energia para ele em um momento crucial. Juntos, os dois foram responsáveis por empurrar Jiren para fora da arena em uma cena belíssima, com um sacrifício mútuo e que não sairá da cabeça dos fãs. Goku utilizou todas as suas transformações, desde o SSJ até o SSJ Blue, alcançou uma nova forma, que não ficou muito bem definido se era uma técnica ou uma transformação, mas de qualquer forma, o Instinto Superior foi o fechamento de um ciclo. Desde quando ele conheceu Bills no começo de Dragon Ball Super, começou a aprender a usar o poder dos Deuses e alcançou o SSJ Blue, Goku ter o corpo respondendo automaticamente à uma batalha parece ser o ápice e total entendimento desse poder adquirido nessa série. Tudo bem que, ao final do episódio final, Goku disse não saber utilizar mais, mas é óbvio que eventualmente, em uma nova série, num novo filme ou até mesmo num possível retorno de Super, ele irá alcançar o Instinto Superior de novo. Uma vez que disseram que o SSJ Blue + Kaioken acabaria matando Goku pelo seu corpo não aguentar tanta energia e que agora usa essa combinação a torto e direito, dominar esse novo poder parece ser o mais provável que aconteça.
Por fim, Goku disse querer enfrentar Jiren novamente algum dia, assim como disse para Piccolo, Vegeta, Boo, Hit, entre outros, e provavelmente continuará dizendo sempre. Ele cativa todos ao seu redor e certamente continuará afetando todos ao seu redor com seu carisma e bondade imensuráveis.

Vegeta foi também formidável no Torneio do Poder: é a sua consagração como herói na história da franquia. Quem imaginaria que o Príncipe dos Saiyajins algum dia recusaria algum tipo de batalha para ficar ao lado de Bulma no nascimento de sua filha? Vegeta teve momentos importantíssimos durante toda a saga, como no momento em que ele salvou Kyabe e somou a promessa de reviver o U6, caso ele vencesse, às suas motivações. Ele também conseguiu superar suas limitações e alcançou um nível SSJ exclusivo seu, o chamado SSJ Blue Evolution. Vegeta eliminou vários oponentes, ajudou Mestre Kame, os Androides, fez belas lutas em conjunto com Goku, porém, foi no fim que ele foi sensacional. Vegeta, ao enfrentar um Toppo com poderes de Deus da Destruição, mostrou que pode tudo. Ao repetir a mesma técnica que outrora resultou em sua morte, dessa vez ele permaneceu vivo, mostrando uma grande evolução, tanto de força como de caráter. Vegeta, mesmo esgotado e sem força alguma, foi pra cima de Jiren. Mesmo nunca tendo alcançado um SSJ3, se equipara com o protagonista da franquia em força e, para mim e para muitos, Vegeta é o melhor personagem da franquia. Tá de parabéns.

Quem também está de parabéns é Freeza. O maior vilão da franquia foi essencial para a vitória do U7 e, mesmo que sumido a maior parte do tempo e só aparecendo em momentos cruciais, suas intervenções eram certeiras. Com o medo constante de sua traição, Freeza foi uma incerteza até o último minuto em campo. Tentando arranjar aliados de outros universos, Freeza enganou todo o U7 e todos os fãs quando fingiu trair seu próprio Universo para conseguir a confiança de Frost. Sempre que ele surgia em tela, nós já tínhamos um pé atrás com ele. Foi assim com Dyspo também, apesar de pouco provável que este cedesse às suas investidas. De qualquer forma, Freeza foi revivido por Whis e promete ser uma pedra no sapato. Eu não acredito que ele vá se tornar amigo de Goku, afinal, Freeza ficou repetindo o Torneio todo sobre seus planos de reunir as Super Esferas do Dragão e controlar os Deuses… Eu não duvido que ele consiga isso e, assim, teríamos o embate definitivo entre ele e Goku no futuro.

Em relação a Toppo e Jiren, ambos foram adversários formidáveis no Torneio do Poder e que desde o Torneio de Exibição Zen-Oh haviam sido anunciados como grandes guerreiros e que dariam trabalho para Goku e Cia. Toppo, com sua personalidade mais falante, seus golpes anunciados sempre com “Justiça” no nome e suas poses, tinha um ar mais cartunesco, que foi se tornando bem cansativo com o passar dos episódios. Até pela sua forma física, com a barriga avantajada e suas mãos enormes, Toppo não passava um ar muito sério e ele parecia muito ser alguém que seria um mero coadjuvante ou que seria um adversário para Vegeta mesmo – aliás, há uma piada sobre ambos serem os segundos mais fortes de seus universos no anime. Porém, o lutador do U11 se mostrou muito mais que isso. Dragon Ball é mestre em brincar com aparências e nos tapear: Toppo, após ser encurralado por ataques de Nº 17 e Freeza e zombato por este, renuncia seus valores de justiça e atinge um nível de poder de luta absurdo, como um Deus da Destruição teria. Ele me lembrou muito o personagem Jinpachi, da franquia de jogos Tekken.
Após atingir essa nova forma inescrupulosa, Toppo humilha Freeza (como ele bem merecia) e é derrotado por Vegeta num quase auto-sacrifício do Príncipe dos Saiyajins, juntando forças daqueles que ele ama e dando uma bela lição em Toppo sobre abrir mão de seus valores em prol de obter mais poder de luta. Os valores de uma pessoa deveriam ser intrínsecos à sua jornada e deveriam ser utilizados para obter mais motivação e força. De qualquer forma, Toppo aparentemente aprendeu a lição… Será que o veremos como Deus da Destruição no futuro?
Finalmente, vamos falar sobre Jiren. Confesso que tenho sentimentos conflitantes sobre o mais forte do U11. Nunca gostei de adversários com força descomunal e pouco desenvolvimento. Majin Boo foi assim e foi um saco, em termos de desenvolvimento de personagens e de narrativa. Somente no fim tivemos um rápido flashback sobre o passado de Jiren, porém, já era finzinho do Torneio… Como eu deveria me importar, torcer contra ou a favor de alguém que esteve quieto a maior parte da saga, não tem grandes expressões, ou seja, é só um puta brutamontes invencível? A desculpa que Jiren era somente um trampolim para que outros personagens brilhassem não cola pra mim… Ele foi pintado como o “Final Boss” desde o começo. Com a fala de Goku, no fim de tudo, que ele quer reencontrar Jiren não me anima tanto. Eu sinceramente não queria ver mais os guerreiros do U11. Nenhum deles cativou tanto ao ponto de eu querer vê-los em outras aventuras – diferentemente dos personagens do U6. De qualquer forma, a lição de que devemos nos apoiar em nossos amigos nas situações de dificuldade e não nos isolar foi dada: somente assim o U7 conseguiu vencer. Jiren foi um oponente muito forte e teve boas lutas contra Goku e Vegeta, principalmente. Foi realmente sufocante vê-lo sempre ter energias para voltar para o combate.
Androide 17
Eu não vi ninguém que ficou descontente com a vitória do Nº 17. O trabalho em cima do personagem foi invejável: seus episódios de recrutamento foram bastante importantes, aos poucos ele foi ganhando espaço e atenção dos fãs no Torneio e, contrariando expectativas, foi o último lutador a ficar na arena e, assim, pediu pela restauração de todos os outros universos apagados naquele dia.
Analisando este personagem, antes um cara arrogante, rebelde e infantil, agora Nº 17 tem uma família e trabalha como Guarda Floresta. Sempre associado a uma das maiores tragédias da franquia (Futuro de Trunks) ou à icônica cena em que ele arranca e pisa na cabeça de Dr. Gero, o Androide passou por uma tremenda ressignificação. Sempre com grandes tiradas, uma frieza fora do normal e presença em diversos momentos cruciais, protegendo seus companheiros com sua barreira de energia e com sua energia infinita, Nº 17 será lembrado agora como o melhor personagem dessa saga. Ela foi dele, não tem discussão. A cena em que ele “morre” é simplesmente linda: “não há nada mais humano do que se sacrificar pelos outros”.
Porém, como em Dragon Ball ninguém permanece morto por muito tempo, Nº 17 revela que sobreviveu à sua autodestruição e volta para vencer o torneio. Se irmos mais a fundo em uma análise, quem ganhou o Torneio foi um ciborgue, cujas memórias anteriores foram apagadas, feito para matar Goku, que em um futuro alternativo foi responsável pela destruição de praticamente o planeta inteiro e que foi lutar num torneio importantíssimo, que definiria o destino de 8 universos, vestido com sua roupa de trabalho. Em uma situação semelhante, seria como se o zelador do seu prédio vencesse o Torneio com o uniforme da firma e desse uma puta lição em um time altamente treinado, com uniformes táticos e tudo mais, tipo a polícia ou o corpo de bombeiros. É claro que estou extrapolando, mas Dragon Ball Super fez basicamente isso aí: botar pra vencer alguém esquecido, sem grandes expectativas e que se alguém me perguntasse, eu diria que seria eliminado em meados do Torneio. Surpreendente e muito empolgante. Vida longa ao Androide 17!

Conclusão
Dragon Ball Super finaliza (por enquanto definitivamente) com 5 grandes arcos completos, 131 episódios e um saldo extremamente positivo. A série foi cambaleante em seus dois primeiros arcos, com animação capenga e uma sensação de perda de tempo, já que os filmes comprimiam muito bem os eventos espaçados entre aqueles episódios. Somente com o arco de Champa e o Universo 6 foi que começamos a ter novidades e empolgação com o anime. A consolidação veio com o arco de Goku Black, com uma trama mais séria, sombria, que contrastava com o tom predominante cômico e mais leve das primeiras sagas, que emulava muito o Dragon Ball clássico.
Então veio o arco Sobrevivência do Universo que fechou com chave de ouro essa série. Apesar de pouca história, graças ao número absurdo de lutadores, a saga compensou com grandes reviravoltas, lutas emocionantes, uma animação excelente e novas transformações e técnicas: praticamente uma feijoada de Dragon Ball. Não foi uma saga perfeita, mas o saldo final foi muito positivo.

É isso aí pessoal. Deixem nos comentários o que vocês acharam dessa saga e quais as expectativas para o futuro da franquia. Vejo vocês em breve!
Curiosidades
– É a primeira saga a mostrar uma Super Saiyajin mulher (se ignorarmos que Videl, de certa forma, também obteve uma aura de SSJ no início de Super).
– É a primeira saga em que Goku e Nº 17 se encontram e lutam oficialmente.
– É a primeira vez, desde meados da saga de Cell, em que os Androides Nº 17 e 18 estão juntos como aliados.
– É a maior saga de Dragon Ball Super (55 episódios) e durou 1 ano e 2 meses.














