
Um novo Doctor, uma nova companion, até mesmo uma nova TARDIS… Quem poderia imaginar que de lá pra cá andaríamos tanto? Claro, o tempo voa, mas mesmo assim a jornada foi exaustiva e a nossa recompensa não poderia ter sido mais gratificante. Após criar um quebra cabeças de quase onze horas, Moffat não poderia ter arrumado uma maneira melhor de iniciar esse finale, de jogar os nossos queixos no chão e mostrar que tudo fez parte de um plano sutil, sombrio e maravilhoso.
Spoilers abaixo!
Logo de cara, uma cold open que é brilhante tanto na ideia quanto na execução. A profecia de Van Gogh passando das mãos de seu médico para as do senhor de guerra, Winston Churchill, das dele para as da rainha do século LII, Liz 10, e das dela para as da Dra. River Song, que finalmente entrega para o seu docinho aos pés de Stonehenge a prova final de que sua amada nave vai explodir e iniciar o fim do universo como conhecemos. Sem saber como encarar com isso, dúvida que ele poucas vezes tem, o Doctor vai lidar com problemas mais urgentes no local citado acima, onde podemos notar o poder da série em sua terra natal. Afinal, não é qualquer programa que tem direito a realizar filmagens durante horas no símbolo nacional do país e em uma das maravilhas do mundo, correndo risco de danificar as pedras e o solo. E ao contrário do que possa parecer, Stonehenge não foi o local do confronto só por ser, não. Ele foi posto em contexto e revelado como o sinal que marcava o local onde estava guardado o objeto mais importante do universo, a Pandorica. Grande, típica, assustadora, de pouco a pouco se abrindo e se aproximando de revelar um vilão banhado no sangue de milhões de espécies.
Enquanto éramos recompensados com a grande carne de mitologia que manteve o Doctor ocupado por metade do episódio, tivemos o outro lado da história – o humano – também vindo a uma conclusão, com o retorno de Rory, todo paramentado de soldado, pronto pra consertar as coisas com a noiva. Mas não existem milagres, e ele, revelado como um Auton produto da imaginação, acaba ceifando toda a felicidade de Amy, e também a sua vida. Sem falar que essa reviravolta é, assim como vários outros momentos no decorrer dessa temporada e desse episódio, uma amostra de até onde essa série pirada e erroneamente definida como boba pode ir, destruindo o universo, mexendo com as nossas emoções, trancando todas as esperanças…
E convenhamos, isso era inevitável. Doctor Who já extrapolou a escala épica inúmeras vezes, porém, funciona melhor quando junta isso aos sentimentos de seus personagens, seus conflitos que soam pequenos em vista da magnitude da situação. Chegamos ao fim percebendo como o arco desse ano foi elaborado a dedo e de como os altos e baixos íntimos moveram as coisas adiante e fizeram os momentos finais bem mais significantes. River, tentando escapar da explosão da TARDIS e da misteriosa força que a controla, Rory, tentando tomar o lugar do seu eu robô enquanto segura a sua amada morta nos braços e por fim, o décimo primeiro Doctor sendo arrastado ao seu fim definitivo por todos os seus desafetos, uma ideia muito bem executada. Teve o elemento surpresa, o peso, o exagero e conseguiu, apesar disso tudo, soar real. A Pandorica foi feita para conter o ser mais temido de todas as galáxias e lá ele estava. Intrigado, completamente enganado, se gabando para todos num momento arrepiante, só para depois ser chutado e zombado, sendo finalmente detido depois de séculos e jogado na melhor prisão já construída.
Destruído. Impotente. Perdido.
Steven Moffat conseguiu o impossível com uma primeira parte maravilhosa. Agora é esperar para ver se ele vai conseguir encerrar tudo com a mesma eficiência.
Texto postado previamente no Portal de Séries (24/06/10)













