It’s all about the money.
O espaço é capaz de causar um deslumbramento muito particular em todos nós. Quem nunca se imaginou viajando pela imensidão acima de nós, flutuando e fazendo acrobacias na gravidade zero, admirando as estrelas, os planetas e tudo mais? Tudo muito lindo e poético quando pensamos dessa maneira, mas quando o Time Lord mais querido da população surge para nos lembrar de que nem tudo são flores lá em cima a coisa muda um pouco de figura. Vamos concordar que pulmões explodindo, suor fervendo e trinta segundos de vida tornam um passeio no espaço sideral bem menos atraente. É aquele lado da moeda que gostamos de ignorar.
A maioria de nós entenderia tudo isso como um sinônimo para a morte certa, mas para o Doctor isso tudo representa mais uma aventura e todos nós sabemos que ele não gosta de desperdiçar uma boa aventura, mesmo que isso possa resultar em condições não muito agradáveis. É muito difícil ver o Doctor tão vulnerável como nesse episódio: sem TARDIS, sem sonic screwdriver e cego!! Tudo bem que no fim das contas o Doctor sempre levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, mas vislumbrar esse tipo de condição é uma coisa positiva, pois eles engrandecem e humanizam o personagem. E as coisas estão começando a ficar difíceis para o Doctor, pois nem mesmo toda a tecnologia presente na TARDIS foi suficiente para restaurar a visão perdida. Seria um sinal de que a regeneração está batendo à porta?

Oxygen segue aquilo que parece ser a tendência dessa temporada: o “inimigo” não é um monstro maligno, mas algo causado por algum tipo de comportamento ou sentimento humano. Os “trajes assassinos” estavam apenas atendendo ordens dadas por pessoas movidas por uma ganância sem limites, consequência de um sistema desenfreado, que busca o lucro acima de tudo.
Eu gosto quando uma série se propõe a discutir certos temas, a fim de fazer críticas ao comportamento humano e mostrar as consequências que certas escolhas podem acarretar. Eu não estou querendo levantar uma discussão sobre qual modelo econômico é melhor ou pior para a humanidade, mas quando chegamos ao ponto de vender oxigênio para que as pessoas possam viver é bem provável que alguma coisa deu muito errado no meio do caminho. Concordar ou não com isso é uma questão pessoal, mas não há como não admirar a coragem para se tocar nesse tipo de assunto.

E finalmente pudemos apreciar uma pouco mais do Nardole. Eu questionava os motivos que levaram os produtores a mantê-lo na série, mas nesse episódio ele mostrou que pode ser muito mais do que apenas um personagem unilateral. A discussão com o Doctor no fim do episódio mostra que ali existe um personagem muito maior do que um simples “moço que faz chá”. É claro que ele ainda está há anos-luz de ser uma Bill Potts, mas já é suficiente para diminuir minha birra com ele, pelo menos por enquanto.
É bem provável que os segredos do cofre sejam revelados na próxima semana, além disso, teremos o retorno da nossa Mary Poppins psicopata! Até a semana que vem!














