Dexter 4x12

Eles prometeram e cumpriram. Sem dúvida esse foi o final mais chocante de toda série até agora. Impossível não ficar atordoando e pensativo por uns bons momentos e absorver tamanha audácia que foi a cena final do episódio.

Spoilers Abaixo:

O episódio começa exatamente onde parou na semana passada. Dexter e Arthur frente a frente. O que acontece em seguida é uma sequência frenética de momentos tensos onde ambos trocavam os papeis de caça e caçador no decorrer do episódio.

Ao longo da temporada a maior lição que Dexter aprendeu foi as consequências pelo afastamento do código de Harry. Obviamente que existe um motivo para esse afastamento, pois Dex quer ser uma pessoa completa. Devido ao Dark Passenger ele nunca será uma pessoa comum, mas ele precisa pelo menos tentar manter uma família e alimentar seus demônios interiores. Aliás, seu amor por Rita e as crianças é tão grande que ele até cogita sufocar de uma vez por todas seu Dark Passenger e tentar levar uma vida normal.

Assim como os outros inimigos, Arthur teve seu último suspiro na mesa de Dexter. John Lithgow esteve soberbo nos minutos finais de Arthur. Imagine a dificuldade de interpretar uma pessoa que está aliviada e até agradece a Deus por estar prestes a morrer. Esse foi o “getaway” de Arthur Mitchell: a morte.

Com Arthur no fundo do oceano, Dexter finalmente pode se dedicar a sua família e é sob a lua cheia de Miami que ele se lembra da sua doce Rita e de todos os sacrifícios que ela e as crianças valem a pena. Justamente quando compartilhamos esse sentimento com Dexter que é nos apresentado a cena final do episódio: Dexter encontra seu filho na poça de sangue de Rita que está morta na banheira da casa dele. Antes de partir, Arthur fez da amada do seu inimigo, a última vítima.

Antes de escrever essa review fiz uma pesquisa nos principais sites americanos e li e assisti todas as entrevistas com pessoas do elenco e o chefão da série, o produtor executivo, Clyde Phillips. Sim, Rita realmente está morta, foi morta pelas mãos de Arthur e não existem planos de trazê-la na próxima temporada como fantasma ou qualquer outro artifício. Chego até a ficar com um pouco de peso na consciência de ter odiado Rita nos primeiros episódios da temporada. Sou um grande fã de Julie Benz desde a época de Buffy e Angel. Rita realmente estava mais mala esse ano, mas ela sempre foi a ponte entre a luz e a escuridão de Dexter. A cena entre o casal, logo depois que ela busca Dexter na delegacia e diz que acredita que ele possa vencer seus demônios internos é um grande exemplo de como ela sempre amenizou a escuridão que existe dentro de Dexter.

Depois do choque da morte de Rita e parar para pensar sobre o episódio, fiquei refletindo sobre a quinta temporada. Matar um personagem tão importante como Rita não pode ser apenas uma mera artimanha para chocar e atrair audiência (esse episódio foi o mais assistido de Dexter desde o começo da série e a maior audiência da história do canal Showtime). E se a morte de Rita servir como um botão de reset para a história de Dexter? Alguém imagina Dexter adotando Cody e Astor? Como ele vai fazer com o pequeno Harrison? Embora essa tenha sido uma temporada fechada como as anteriores, é a primeira vez que ficamos tão largados imaginando sobre o futuro de Dexter.

O balanço geral da temporada é mais do que positivo. Não apenas tivemos o brilhante roteiro de sempre, o brilhante Michal C. Hall de sempre como ainda vimos a incrível evolução de Jennifer Carpenter e sua Debra Morgan. Logicamente que a cereja dessa fantástico bolo foi John Lithgow que fez Arthur Mitchell se tornar muito mais memorável que o Ice Truck Killer, Doakes, Miguel Prado ou qualquer outro antagonista que Dexter já teve.

Ainda prefiro a segunda temporada entre todas as quatro até agora e essa só não se tornou a minha favorita por alguns motivos: O maior deles foi Angel e LaGuerta. Precisaram criar um arco para os dois, mas infelizmente a química não estava lá e tudo que envolveu esse relacionamento foi desinteressante. Depois foi a falta de Masuka. Ele sempre foi o alivio cômico da série com boas tiradas e aquele humor sem noção que aprendemos a gostar, mas infelizmente apareceu pouco esse ano. Por fim teve uma situação que já vinha sendo preparada desde a temporada passada e parecia que seria uma baita dor de cabeça para Dex, mas acabou sendo um baita anticlímax. Deb descobre que Dexter é o irmão biológico do Ice Truck Killer. Só isso. Dexter não gastou nem dois minutos se preocupando com essa descoberta de Deb.

Como mencionei antes o saldo da temporada é super positivo e Dexter continua sendo parte do que existe de melhor da televisão. Esses foram apenas alguns pontos que não fizeram a quarta temporada ser a minha favorita, mas estou aqui esperando e torcendo que Dexter, Michael C. Hall e John Lithgow façam a limpa em tudo que for prêmio para a televisão.

Agora temos aqueles longos meses até a quinta temporada, mas eu não perco por nada. Até 2010.

Fofocas de bastidores:

Durante a minha pesquisa para esse post em que li e assisti tudo foi entrevista ligada a Dexter, descobri que Julie Benz foi enganada pelos produtores. Hoje pela tarde John Lithgow confirmou que antes mesmo de aceitar o papel de Arthur Mitchell ele teve o privilégio de ouvir da boca do próprio produtor executivo todos os segredos da temporada (incluindo a morte de Rita). Isso foi a grande motivação para ele aceitar o papel. Durante a Comic-Con, Lithgow deixou escapar que sabia de um segredo chocante sobre o destino de um dos personagens, mas que não podia contar para ninguém. Em entrevista ao Tv Guide, Julie Bez conta que depois de ouvir essa afirmação de Lithgow ela foi até os produtores da série e perguntou se eles planejavam matar Rita, e eles imediatamente responderam que nunca matariam um personagem tão importante como Rita. Ela só ficou sabendo da morte da sua personagem um dia antes da entrega dos scripts para o season finale onde ela foi chamada para uma reunião com os produtores. Na reunião eles disseram para Julie que decisão de matar Rita foi feita no decorrer da temporada e que não era a ideia inicial (o que é mentira, pois John Lithgow sabia da morte antes mesmo das gravações) e que isso foi a única maneira que o roteiro encontrou de continuar tratando Dexter como uma “alma perturbada”.  Em outra entrevista ao Entertainment Weekly o produtor executivo disse que Julie não ficou nada feliz e muito desapontada quando soube da morte do seu personagem, mas que aceitou de forma profissional.

R.I.P Rita

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