Crossover de CSI Las Vegas e CSI NY traz novo fôlego para as duas séries.

Spoilers Abaixo:

Vou começar este texto explicando que escolhi fazer uma review única para este crossover de CSI e CSI: NY porque os dois episódios tratam do mesmo caso, que teve início em Las Vegas e foi finalizado em Nova York. No entanto, vou fazer essa review por partes, começando por Las Vegas e depois chegando à conclusão do caso em Nova York.

O início do episódio nos traz uma cena extremamente intrigante, como não via há muito tempo nos momentos iniciais de um episódio de CSI. O glamour daquela casa, com um casal bem vestido entrando no que parecia um clube fechado foi uma escolha interessante e que funcionou muito bem, principalmente por se mostrar ser mais do que imaginei inicialmente, quando todo aquele ambiente me pareceu uma casa de swing (troca de casais). E o início teve um desfecho inteligente, que me deixou ainda mais atraída pela situação, ou seja, o que estaria aquela cortina vermelha escondendo? Confesso que ao descobrir o que ela escondia me decepcionei um pouco, mas não por muito tempo. Porém, vamos por partes.

Como já havia sido divulgado que seria feito um crossover das duas franquias de CSI achei inteligente a maneira como introduziram o personagem de Mac no laboratório criminal de Vegas. A mudança do tom de Hodges ao ouvir de D.B. com quem estava falando foi uma ótima escolha, além de ser engraçado vê-lo em situações como esta. E, já que estamos falando deste personagem, preciso abrir um parênteses para falar de suas cenas com Morgan neste episódio. No início quando estavam apenas os dois olhando o barril de vinho e o Hodges comentou mais uma vez de sua noiva achei a cena, no mínimo, válida. No entanto, os dois tomando vinho e fazendo um lanche no meio do laboratório criminal que possui somente paredes de vidro foi um pouco exagerado. Porém, um absurdo engraçado, que em momento nenhum tirou a atenção da história principal.

Tendo feito estas observações, vamos ao que interessa: o plot principal deste crossover. Ou não seriam na verdade, duas histórias totalmente separadas, a de Christine, namorada de Mac, como a principal, e do outro lado o grupo que estava falsificando vinhos raros e absurdamente caros. Eu, particularmente, achei a elaboração da história dos vinhos, que deveria ser secundária, mais interessante que a de Christine e gostei que ela teve grande parte do foco do episódio de CSI Las Vegas para si.

O caso em si não foi muito complicado e ao saber que o que estava por baixo daquele pano vermelho, aquele objeto que trouxe brilho aos olhos dos homens que o estavam observando era uma caixa de vinho raro me deixou decepcionada e acabei esperando por mais um fracasso como o do contrabando de queijo para o Canadá, que foi o plot principal do episódio White Gold (9×14) de CSI NY. No entanto, a história acabou me surpreendendo, trazendo elementos e personagens certos para o centro dos acontecimentos. E com um desfecho interessante, com o transplante de medula que altera o DNA de quem o recebeu. Toda a história foi fechada de uma forma simples e inteligente, o que eu achei ótimo.

Agora vamos ao caso do sequestro de Christine por seu funcionário que estava devendo dinheiro. Esta história traz todos os elementos para ser extremamente atraente para o expectador: Dívida, roubo, assassinato, sequestro, e, principalmente, a união de Mac e Russel. Porém, alguma coisa deu errado e não achei o desenvolvimento tão bom quanto poderia ter sido. O que não significa que foi ruim, já que este episódio de CSI Nova York foi um dos melhores apresentados pela série nos últimos tempos.

Trazer um personagem de tanta importância para Mac foi uma escolha inteligente e certeira, que faz com que logo de cara todos os expectadores ficassem mais atentos aos acontecimentos do episódio. Não somente para saber o que vai acontecer com Christine, mas também em função das reações de Mac.

Casos como este, envolvendo pessoas importantes para a vida particular dos policiais protagonistas são muito utilizados em seriados policiais e podem ser vistos tanto na franquia CSI, quanto em Law and Order, Criminal Minds, e outros. E quando eles acontecem podemos ter certeza que aqueles que estão emocionalmente envolvidos no caso farão certas loucuras para resgatar a vítima. E este episódio não foi diferente, com as ações de Mac nos trazendo dois dos momentos mais marcantes do episódio: a roleta russa que, apesar de desde o início ser óbvio que não haveria nenhuma bala na arma, foi uma cena forte pela expressão no rosto de Taylor, e também o “sequestro” do prisioneiro, que deveria ter sido levado em custódia dos agentes federais, para fora da delegacia de polícia.

Além destes momentos pontuais, o desenvolvimento da história do sequestro de Christine teve um acerto muito importante para a maneira como o episódio foi conduzido: o seu ritmo. Diferente do caso do assassinato e do vinho adulterado, que acabou rapidamente, o sequestro de Christine foi trabalho com mais calma. Obviamente por ser o caso principal, mas o ritmo com que as pistas foram sendo desvendadas foi o principal elemento de acerto do episódio. Desde o quarto de hotel destruído ao local onde Mac encontrou Christine, tudo foi se revelando aos poucos, o que continuou nos deixando com os olhos presos na tela.

No momento em que o celular de Christine foi encontrado próximo ao corpo do dono da joalheria, que havia sido assassinado, e as mensagens supostamente enviadas por ela para ele foram descobertas, me interessei ainda mais pelo caso. Confesso que teria gostado mais se Christine fosse mesmo a responsável pelas mensagens e estivesse namorando Mac apenas por estar envolvida em uma rede de crime muito maior do que poderíamos imaginar. No entanto, desde o início eu sabia que isso não seria coerente com a personagem que nos foi apresentada até o momento e ser o seu funcionário que estava em dívida e precisava de um jeito de pagá-la foi uma escolha interessante para este caso.

Somente em escrever este texto comecei a me perguntar porque não havia gostado tanto do caso de Christine neste crossover, já que ele trouxe tantos bons elementos e bom ritmo. Portanto, o assisti mais uma vez. E, novamente, por algum motivo que eu não compreendi, todos esses elementos que ficam tão bem expostos na ideia não foram bem traduzidos pela televisão.

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