Simples, mas completo.

Nesses 10 anos de Criminal Minds, a série já investiu em diversos tipos de casos, desde serial killers metódicos até indivíduos que de certa forma não compreendem o porquê de terem chegado até este estágio. Diante de tudo isso, Boxed In foi um episódio comum por não trazer momentos memoráveis, mas por ser fiel a sua proposta, proporcionando, assim, uma espécie de resumo do que o fã de Criminal Minds sempre lidou em alguns dos mais perversos quarenta minutos ao longo de toda a série: o sequestro de crianças paralelo a sofrimento dos pais, bem como a influência da infância na construção do Unsub. Por isso, pode-se considerar que Boxed In tenha sido um episódio simples ao não providenciar elementos novos, mas completo por entreter com assuntos interessantes, resgatando a mitologia característica da série.

A primeira constatação disto é justamente no tema que norteia o episódio: Halloween. Foram vários os momentos da série que destacaram como esta data comemorativa pode ser um enorme problema para os agentes, já que muitos serial killers usam o evento como estopim para seus crimes. Nesta décima temporada, acima de tudo, os roteiristas foram capazes de abordar tanto o lado pessoal dos integrantes da BAU – mais evidenciado na figura de Hotch – quanto o profissional deles, que precisaram acompanhar de perto um homem o qual punia as crianças por suas travessuras no Halloween. Embora efetivamente não tenha matado as suas vítimas, destaca-se que o Unsub foi profundamente afetado pela figura de seu pai, que fazia exatamente a mesma coisa com os seus filhos neste dia.

Inicialmente, destacando o Unsub, é necessário levar em conta um aspecto fundamental na formação de serial killers – apesar de, segundo os critérios de classificação do FBI, ele não ser um – este diretamente relacionado ao trauma. John David Bidwell sofreu muitos abusos de seu pai, que inclusive batia na sua mãe, a ponto de prendê-lo num baú somente porque ele estava sendo uma criança no Halloween que estava se divertindo de uma forma não tão decente. Esta influência da personalidade do seu pai, refletindo na sua própria com o assassinato de animais, como descrito por sua irmã, além do fato de ter arrastado o seu corpo quando sua mãe agiu em legítima defesa (desfecho este bastante óbvio para o fluxo que a investigação tomava), foi determinante para a construção de um ser humano abalado psicologicamente, não sabendo impor limites a crianças de forma que haja coerência e dignidade. Deve-se destacar que tal visão de Bidwell a respeito do Halloween se consolidou no fato de que não há nada engraçado nesta data, como disse Jean Baudrillard, mas um festival sarcástico que reflete uma demanda infernal de vingança por crianças no mundo dos adultos.

Paralelamente a isso tudo, notou-se o sofrimento que foi gerado na família devido ao desaparecimento do filho mais novo. Criminal Minds sempre soube mostrar os dois lados da moeda de uma maneira única, mas, ao mesmo tempo, angustiante: a dor dos pais e da criança sequestrada. Vários episódios – como o inesquecível Mosley Lane na quinta temporada – trataram de trazes estas noções, mas é sempre difícil acompanhar um caso no qual não se sabe o paradeiro de uma criança. Como exemplo, seres tão indefesos e inocentes – tudo bem que o garoto de Boxed In não cumpra este protocolo em todos os quesitos – são levados a lugares terríveis, como a caixa no meio do nada que fazia alusão ao baú de alguns anos atrás. Sinceramente, não sei o que é pior: ver as lágrimas dos pais ou o medo do filho, num cenário de total insegurança.

São casos como esse, que não pode ser considerado original devido a vários elementos já terem sido vistos anteriormente, que tornam Criminal Minds uma série tão especial. Não importante a quantidade de vezes que tenhamos visto uma história semelhante, sempre teremos uma preocupação enorme com a criança naquela situação. Acredito que todos tenham ficado com enorme receio de o Unsub ter assassinado o menino quando ele decidiu ensiná-lo uma lição após gritos de ajuda. Criminal Minds consegue fazer com que a ficção adquira um cenário mais realista, até porque, em alguns casos, mostrou que nem sempre existem finais felizes. Em Boxed In, houve o reencontro da família, mas quando ele não acontece? O que dizer daquele casal que perdeu a oportunidade de ver o filho desaparecido há cerca de 10 anos justamente no dia anterior? Esses são exemplos de perguntas que Criminal Minds sempre proporcionou, embora tenham trazido enorme aflição e, de certa forma, dor.

No outro lado do país, enquanto as crianças se divertiam no instante que um sequestrador estava à solta, Jack buscava a fantasia perfeita para o seu Halloween. Talvez a inevitável falta de presença na vida de seu filho tenha feito com que Hotch tenha recorrido a outros meios para encontrar tal fantasia, como a amiga da Garcia, além de convidá-lo para ler suas mãos. Entretanto, o que mais encanta nesta relação é o amor, mesmo distante devido aos ofícios do trabalho. Afinal, como disse H. Jackson Brown Jr., é sempre necessário dar um beijo de boa noite nos filhos, mesmo que eles estejam dormindo.

Diante de tudo isso, é preciso reforçar o que foi dito anteriormente. Boxed In, dirigido por Thomas Gibson, não foi um episódio brilhante, mas simplesmente completo. Soube fazer o que se comprometeu, trazendo assuntos recorrentes da série para entreter de forma adequada, como Criminal Minds sempre fez. Começou a sequência de episódios mornos da temporada, muito provavelmente desconexos ao plot principal – que ainda não existe uma certeza absoluta – mas isso não significa um mau sinal. Criminal Minds só precisa dar continuidade a sua qualidade, já mais do que enfatizada.

Profiling… 

– O assassino poderia ser qualquer um fantasiado, como sugeriu Rossi e de fato foi assim que aconteceu. Mas, no caderno de suspeitos, até o Bob Esponja apareceu por lá!

– Reid mais uma vez impressionando com a transcrição da conversa. Ele já tinha feito isso com Haley, Hotch e Foyet, no memorável centésimo episódio.

– Sinceramente, alguém consegue imaginar o Hotch tendo sua mão lida?

– E não é que faltou luz na BAU?

O meu profile 

Caros leitores,

Venho infelizmente comunicar uma decisão que tomei nestes últimos dias: estarei deixando as reviews que escrevo aqui para o Série Maníacos.

Mas, para isso, acho que cabe uma explicação. Como vocês sabem, sempre procurei deixar bem claro o porquê dos meus atrasos nas reviews, muitos desses motivos diretamente ligados à faculdade. O meu curso exige muito de mim – faço Engenharia Civil – e os meus horários livres, nos quais geralmente me dedico a este espaço, estão ficando cada vez mais escassos devido à quantidade de tempo que preciso para me dedicar adequadamente.

No próximo ano, tenho diversos planos. Pretendo me envolver com projetos de pesquisa e até aprender uma nova língua, motivo pelo qual o tempo será ainda mais reduzido. Assim, enxerguei que está na hora de me voltar mais para este cenário, onde eu possa alcançar horizontes mais altos e buscar meus sonhos.

Para isso, infelizmente, tive que abrir mão de algumas coisas e uma delas foi o Série Maníacos. Se agora já está difícil de acompanhar séries, imagino como será no próximo ano, no qual a minha rotina provavelmente se apertará ainda mais.

Embora eu não quisesse deixar isso, por gostar muito do espaço e do carinho de todos vocês aqui no Série Maníacos, acredito que esta seja a melhor decisão em respeito a vocês, ao site e a mim, por garantir uma coisa que está muito rara atualmente: tempo.

Isto tudo não significa uma despedida definitiva. Prefiro acreditar que seja um até breve. Provavelmente estarei aqui de novo para algum “Primeiras Impressões”, para a cobertura do Série Maníacos Awards 2015 ou até para ajudar algum amigo que precise de uma substituição para uma review. Entretanto, nada que seja necessário um comprometimento, porque até o fato de não estar cumprindo minhas responsabilidades aqui me incomoda um pouco.

Desta forma, aqui deixo meu muito obrigado a todos vocês! Por todos os comentários, por todos os elogios, por todas as curtidas, enfim, por cada um de vocês que tornaram este trabalho algo tão prazeroso e gratificante. Agradeço imensamente por tudo isso, pela oportunidade de ter estado aqui nestes ótimos 22 meses e por ter compartilhado todas estas opiniões com vocês. Escrever sobre Criminal Minds e Castle, muito queridas por mim, foi uma experiência engrandecedora que não seria possível sem vocês.

Como Emily Prentiss disse na finale da sétima temporada, todo fim é também um novo começo. A partir de hoje, eu gostaria de acreditar que isso fosse verdade.

Deixando aqui meu mais sincero obrigado,

 Gabriel Lanzaro

P.S. Ainda estarei no facebook e no twitter para comentar as nossas queridas séries. Qualquer coisa só me chamar por esses canais! Além disso, estarei aqui deixando minhas opiniões nos comentários das reviews.

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