Depois de um debut ainda mais bem sucedido que a Miley fingindo que nunca foi um pássaro promíscuo na season premiere de Hannah Montana Forever, a Coleção do Showrunner dessa semana está tão surpreendente e auto-irônica que decidiu prestar uma homenagem à obra de ninguém menos que Miguel Falabella.

Hahhahahah, não, vamos falar de gente jovem e talentosa, nosso queridíssimo e californiano de coração Josh Schwartz.

Josh Schwartz, que eu não achei nenhum sobrenome obscuro no meio pra digitar o nome completo e dar aquele clima de biografia reveladora começando, na verdade não nasceu na terra da costa dourada, como bem descreveu a Srta. Perry, e sim em Rhode Island, em 1976. E se você não é muito familiarizado com a geografia americana, Rhode Island é um estado tipo um Espírito Santo, ta perto de lugar importante como Rio e São Paulo, mas é avulso toda vida.

Filho de pais que trabalhavam como inventores de brinquedos da Hasbro (o que por si só já é uma das profissões mais badasses do mundo) o jovem Shwartz é descrito pelo irmão como um adolescente que passava o dia inteiro enfurnado em seu quarto, consumindo cinema assim como Nicole Ritchie consumia laxantes. Ok, a comparação é minha, mas pode acreditar que isso é bastante. Ainda segundo seu irmão, você poderia falar sobre qualquer filme com o Josh que ele te mandaria um quote de volta. Algo similar com um personagem que ele criaria anos mais tarde.

Desde muito cedo nosso showrunner demonstrava talento para a escrita, desenvolvendo roteiros já em sua sétima série, enquanto você se acha um teen’s choice awards material por escrever fanfics de “Bella Swan e a mancha na panela que não saía nem ariando”. Formado no ensino médio, era hora de Josh Schwartz rumar para onde? Hell yeah, Califórnia.

Estudando na USC, que é a mesma faculdade de cinema que entregou ao mundo Ron Howard e George Lucas, Schwartz rapidamente chamou a atenção dos professores pela sua dedicação, inteligência e deliciosa seleção de músicas que tinha em seu discman. Daí pra ter roteiro rodando em estúdios foi um pulo, e mesmo que nada seu ainda tivesse sido realmente filmado, o garoto de vinte-e-poucos anos conseguiu atrair a atenção de algumas emissoras, em especial a Fox.

O canal, sedento por uma série adolescente de sucesso desde a finada Beverly Hills 90210 viu no projeto sobre um adolescente rebelde conhecendo um mundo ao qual não pertence uma potencial mina de ouro. Junto do produtor executivo McG, que já produziu outra dezena de séries, nascia aí The OC, a série adolescente mais influente da década. O ano era 2003, e com apenas 26 anos Josh Schwartz entrou para a história como o mais jovem criador de um drama americano de todos os tempos. E isso, nem de longe, é pouca merda.

E aqui começamos a estalar essa polêmica que você, Team One Tree Hill, já ta louco pra lançar ali nos comments. Por que The OC é esse supra-sumo de nove entre dez blogueiros? Pra começar pelos fatores externos, nunca uma série fez tanto por um gênero musical, no caso o indie rock, como a série Californiana. A trilha sonora redefiniu o gênero, alavancou carreiras de gente do naipe do The Killers e em pouco tempo tocar no Bait Shop pra uma Marissa lok da bala era tão conceituado quanto uma apresentação no Abbey Road.

Mas não só de música vive uma série, e The OC, mais do que uma série, era um fenômeno pop. Eram 42 minutos de figurino trend-setter, pool parties com uma galera de uma magreza que você só alcança quando sua mãe fez carne moída pra semana inteira e te fez pular todas as refeições. E, mais do que tudo, o show era um drama bem escrito, carismático e humano. E é por isso que você que hoje assiste Pretty Little Liars com seu wayfarer de dois anos atrás não vai entender nossa lágrimas de bons fãs de Orange County.

No fim do dia The OC era basicamente um drama despótico sobre a invariabilidade da vida em um ponto geográfico embasbacante, com uma fotografia alaranjada e Arcade Fire de fundo. E deixou uma puta saudade.

Mas como nosso luto foi tão longo quanto as mensagens de luto escritas marissa, rip, dor eterna que pipocaram em subnicks mundo afora, em 2007, no ano final de The OC nossa atenção já se voltava para a nova série do nosso Schwartz, também adolescente, só que agora em Nova York. O que era realmente empolgante, já que Nova York é legal tipo São Paulo, só que sem as pessoas usando roupa de tactel. Gossip Girl estreou, mas infelizmente tudo o que The OC tinha de estiloso e irônico, a série nova-iorquinha tinha de clichê e falta de interessância, apesar da premissa cheia de potencial, o que lançou a dúvida: o quanto de Josh Schwartz tem em Gossip Girl?

Apesar do imdb dizer que o Schwartz já escreveu 34 episódios da série, a impressão que transparece é que ele não tem relação alguma com o show, á exceção de alguns quotes mal colocados. Gossip Girl lançou tendências em moda, alçou alguns protagonistas ao status de pequenas celebridades e chupou uma deliciosa casquinha na capa da Rolling Stone. Mas uma boa série, mesmo, nunca chegou a aparecer. Uma pena.

Mas calma leitor amargurado, porque também em 2007 estreava também a comédia de ação e espionagem chamada Chuck, que era Schwartz cuspido e escarrado, em uma mistura de 80’s, HQs, filmes de ação e cultura nerd. Aclamada pelos blogueiros, mas não tão popular nos ratings, a série penou o pão que a subway amassou pra sobreviver ao cancelamento ao fim de sua segunda temporada, mas saiu da corda bamba em uma campanha tão unida quanto emocionante da parte de seus fãs, e, olhe lá, hoje é uma das séries mais vistas do canal.

E o que vem em seguida para o nosso garoto prodígio de 33 anos, que se casou em 2008 tendo inclusive a Summer como dama de honra? A estréia de Hitched, sua sitcom romântica que está produzindo para a CBS? O roteiro X-Men: First Class, prelúdio dos heróis avulsos do cinema?

Claro que ficaremos todos na espera dos próximos projetos desse surpreendente talento, mas ter em sua série adolescente sua maior obra prima? Pra mim é exatamente a receita perfeita pra se viver eternamente jovem, e já estou plenamente satisfeito com isso.

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