Voltando à ação!

Spoilers Abaixo:

Chuck sempre foi uma série em que o elemento “família” é importantíssimo para o desenvolvimento de suas histórias. Por ter um roteiro leve, nada mais normal do que dar destaque para esse núcleo. Com o tempo, essa característica foi ganhando ainda mais força, a ponto de servir de base para o desenvolvimento de suas tramas principais. Apesar de cometer alguns erros, Chuck sempre foi feliz no envolvimento familiar de seus arcos, tornando todos os núcleos mais coesos e interessantes a partir disso. Após toda essa trajetória, chegamos a esse Chuck vs. The First Bank of Evil, que expande o conceito de família e mostra para seu espectador que esse tornou-se o foco principal da série.

O episódio começa exatamente no ponto onde Chuck vs. The Masquerade termina, com Vivian encontrando o presente deixado por Volkoff para ela. Passado esse momento, o advogado do bandido russo tenta convencer a garota a assumir as Indústrias Volkoff e prosseguir com o legado do pai. Obviamente o pedido é recusado e Vivian procura Chuck para tentar descobrir algo a mais sobre Volkoff. Ele descobre então que o cartão recebido por ela é do First Bank of Macau. Assim, ele, Sarah e Vivian vão para lá tentar obter informações sobre o vilão, além de congelar a conta dele. Enquanto isso, Ellie se anima para planejar o casamento de seu irmão, levando Sarah à loucura. Finalmente, Morgan procura um novo colega de quarto para dividir um apartamento, mas Lester e Jeff não querem cooperar.

Mais uma vez, os roteiristas da série trazem para o espectador uma missão que serve como base para o tema principal do episódio. Mas, ao contrário do episódio anterior, a missão da semana recebe um destaque muito maior por parte do roteiro, que a utiliza para estabelecer a ponte entre a primeira parte da temporada com a nova era das Indústrias Volkoff. Além disso, a missão cumpre com eficiência o objetivo de ser engraçada. Confesso que nunca imaginei que uma história que envolvesse apenas Chuck, Sarah e seus problemas conjugais pudesse divertir tanto. É verdade que Chuck já viveu melhores momentos nesse quesito, mas é inegável que a série continue divertindo. O destaque é sem dúvidas para o momento em que o casal invade o banco, continuando suas conversas sobre casamento durante o assalto. Os roteiristas estão conseguindo utilizar Chuck e Sarah sem que as piadas em torno dos dois se tornem repetitivas.

Aliás, Sarah também recebeu uma atenção que não vinha recebendo individualmente. Desde que a espiã está com Chuck, ela tem sofrido uma notável transformação daquela garota que não podia sossegar com ninguém para a atual mulher, que em breve se casará com o amor de sua vida. Durante esse processo, é natural que ela passe por situações como surtar simplesmente por ter de escolher as flores do casamento. Seria incoerente se os roteiristas a fizessem encarar sua nova aventura como um dia qualquer, uma vez que Sarah nunca passou nem perto dessa situação. A descoberta do vestido representa a conclusão desse arco, com Sarah finalmente se tornando emocionalmente a noiva de Chuck. Agora, empolgadíssima, a agente terá função essencialmente cômica, uma vez que seu desenvolvimento está completo.

Já que falei de Sarah, é importante ressaltar a evolução da Yvonne Strahovski como atriz. No começo da série, ela se limitava a ser um rosto bonito pincelado com atuações não tão boas. Hoje em dia, a mudança na expressividade da atriz é evidente e ela consegue, na cena em que prova os vestidos, realmente passar para o espectador a felicidade e animação que Sarah está sentindo naquele momento. É bom saber que a atriz ainda se sente confortável no papel, até mais do que em outras oportunidades.

Enquanto Sarah atinge sua maturidade amorosa, Chuck parece estar diante de um novo desafio. É verdade que até o momento a relação dele com Vivian não passa de uma boa pessoa tentando ajudar o próximo, mas alguns diálogos entre os dois deixa sinais de que pode existir uma pequena tensão sexual entre eles. Seria uma boa ideia dos roteiristas investirem em algo do gênero, para criar um conflito real dentro da relação de Chuck, além de ser poético, uma vez que Mary e Alexei também viveram situação parecida. Além disso, os diálogos de Chuck com Vivian são todos relevantes, seguindo a recente linha do roteiro de evidenciar a evolução do personagem. É importante que a série mostre seu protagonista em sua nova posição de grande agente da CIA, sem que ele tenha perdido a essência de seu caráter. Da mesma maneira, Vivian deverá ter papel importantísismo no final dessa temporada, e estabelecer sua relação com Chuck desde o princípio é vital.

Enquanto praticamente o episódio todo funciona de maneira harmoniosa, a trama de Morgan destoa do restante. E isso tem forte ligação com o fato de que sua história significou o retorno do núcleo Buy More. Já disse que gosto muito de Jeff e Lester, mas dessa vez a presença dos dois significou uma estranha tentativa de gerar humor, quase sempre de maneira artificial. Os roteiristas sabem bem trabalhar o lado comédia da série, e com certeza poderiam fazer melhor do que isso. A sabotagem feita pela dupla contra Morgan, por exemplo, não acrescenta nada na trama, soando como um incrível desperdício de tempo de tela. Além disso, os recentes episódios mostraram que tanto Jeffster como a Buy More como era antigamente já não são tão necessários para Chuck. E é evidente que os roteiristas estão aos poucos se livrando desse núcleo, deixando-o de fora em muitos episódios da temporada. A tendência é que essa ausência se torne cada vez mais frequente, principalmente se a aparição do núcleo significar os piores momentos do episódio.

Alheio a todos as tramas do episódio está Casey, que parece ter aceitado o convite de entrada para a NCS, passando a trabalhar sozinho. Volto a dizer que a mudança de ares fará bem tanto para o personagem quanto para os roteiristas, que terão um leque maior de opções para histórias envolvendo o coronel. Em Chuck vs. The First Bank of Evil ele foi pouco lembrado, mas seus minutos de tela tem a finalidade exatamente construir na cabeça do espectador a possibilidade do Team Bartowski existir sem Casey, com ele exercendo outra função na série. Além disso, os roteiristas ganham a possibilidade de explorar a ideia de Casey morando com Morgan, o que deverá gerar muitas risadas, uma vez que a relação entre os dois criam os melhores momentos de humor dessa temporada.

Em um episódio que tem como função abrir um leque de possibilidades para a série, Chuck consegue divertir seu espectador com tramas cheias de harmonia e momentos divertidíssimos. É evidente que o final da temporada foi planejado com muito cuidado, e nos próximos episódios deveremos ter uma noção de como será esse final.

@GabrielOliveira

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