
Após um começo de temporada cheio de altos e baixos, Chuck retorna de seu hiato com um excelente e episódio, com uma montanha-russa de emoções.
Spoilers Abaixo:
Ninguém pode negar que a terceira temporada de Chuck tenha sido praticamente perfeita. A série conseguiu emendar uma série de episódios sensacionais, fazendo a temporada toda como uma das melhores da TV aberta americana no ano passado. Chegada a quarta, seria muito difícil que a série conseguisse manter o ótimo nível, e o que vimos nos dez primeiros episódios exibidos em 2010 foi uma grande oscilação, pendendo mais para o lado negativo. Para corrigir esse problema, nada melhor que um pequeno hiato de um mês para que os roteiristas tomem fôlego e coloquem a série no caminho certo novamente. Chuck vc. The Balcony é a maior prova disso. Um episódio que se não anda a passos largos na trama principal da temporada, desenvolve muito bem suas subtramas e diverte o espectador durante todos os quarenta minutos de tela.
Convencido por Morgan, Chuck resolve finalmente pedir Sarah em casamento, e escolhe um restaurante italiano para isso. Com a ajuda do melhor amigo, ele planeja uma proposta com balões, champanhe e música ao vivo, além de uma carruagem. O problema é que os pais da garota tiveram um pedido em casamento idêntico, que acabou em desastre, o que faz Chuck desistir da tentativa (alguém mais se lembrou de Mike tentando pedir Phoebe em casamento, em Friends?). Além disso, Beckman chama os dois para uma missão, na França, em busca de um nanochip perdido. Chuck e Sarah têm então de, disfarçados como um casal, procurar o chip, e Morgan tem a ideia de que o amigo peça a espiã em casamento lá mesmo, numa romântica varanda.
Começo minha análise pelo tema mais importante do episódio: a relação entre Chuck e Sarah. Desde o episódio anterior sabíamos que Chuck tinha o desejo de pedi-la em casamento, e a decisão dos roteiristas de dedicar um episódio inteiro a isso foi extremamente feliz. Os dois tiveram diversas oportunidades para brilhar, e o fizeram. O roteiro consegue envolver o espectador na história de tal forma que o faz querer que o desfecho da proposta na sacada seja feliz. Apesar disso, imagino que todo conhecedor da série tivesse 99% de certeza que algo daria errado naquilo (“It’s never this smoothly”, nas palavras do próprio Chuck). E o roteiro não nos decepciona, ao mesmo tempo em que revela o misterioso fotógrafo que apareceu minutos antes.
E se a ideia de um pedido em casamento romântico fora por água abaixo, John Casey aparece para salvar, no momento mais humano e emocionante do personagem, para dar um conselho não de amigo, mas de pai para Chuck (“Forget about the balcony, Bartowski. All you need is the girl”), trazendo de volta a esperança de que tudo daria certo. Ledo engano. Mais uma vez o roteiro brinca com as emoções do espectador ao tirar Sarah de Chuck por um longo período. Quando uma trama tenta trazer uma oscilação muito grande nas emoções passadas, o risco de erro é muito grande. Mas Chuck acerta em cheio na proposta, e o episódio termina com uma nítida sensação de tristeza misturada com esperança. Além disso, para a trama o melhor mesmo é deixar o casamento entre os dois em espera, desde que a série não insista em um irritante vai-e-vem entre os dois, como ameaçou fazer na segunda temporada.
Todo o processo de tentativa de pedir Sarah em casamento trouxe um ótimo efeito colateral: a volta do atrapalhado Chuck das primeiras temporadas. No começo dessa temporada, Chuck parecia seguro demais de si, mesmo envolvido com os problemas de sua mãe. O nervosismo causado por pedir a mão de sua amada em casamento levou o personagem a cometer uma série de enganos divertidíssimos. Não acho que ele deva voltar a ser o nerd atrapalhado de outrora. Pelo contrário, acredito que a evolução do personagem faça parte da ideia de qualquer série, e nunca vi personagem algum terminar a série do jeito que começou. Se prefiro ou não a versão antiga, pouco importa. O que importa é que o desenvolvimento do personagem é coerente e consistente, e importantíssimo para o andamento de qualquer produção.
Além das trapalhadas de Chuck, o episódio como um todo foi extremamente divertido. Sem dúvida nenhuma o melhor da temporada em termos de comédia. Há tempos não víamos o humor ser tão bem desenvolvido pela série, seja nos momentos de espionagem ou em quaisquer outros. Chuck negando estar abrindo e fechando a caixinha do anel é impagável, e o Zachary Levi esteve muito bem no episódio todo. Além disso, o destaque dado para o núcleo da Buy More foi importantíssimo para o bom andar do episódio. Como já é costume na série, uma performance do Jeffster é trilha sonora para algum ato de Chuck. E o roteiro é extremamente feliz ao estabelecer o contraste entre Lester e Chuck utilizando apenas uma cena. Enquanto para Chuck a música representa o amor que ele sente por Sarah, para o canadense/indiano o que vimos foi um momento de extrema vergonha alheia, sentida pelo espectador ao focar na reação de sua pretendente. Aliás, o enfoque dado a Lester mostrou como o personagem tem muito fôlego na série, podendo ser melhor aproveitado, mas dentro do núcleo Buy More, sem que os roteiristas inventem de colocá-lo na CIA. Já Morgan mostrou que se sai muito bem como suporte do time de espiões. A série deveria aproveitá-lo mais dessa forma.
Se as relações entre os personagens foram o foco principal de Chuck vc. The Balcony, era evidente que a missão do Team Bartowski teria que ficar um pouco de lado. Apesar disso, foi bom que a série tenha fugido um pouco de Volkoff, para não levantar justamente a pergunta respondida por Beckman, ao explicitar que nem tudo se resume ao bandido russo. Além disso, por mais que missão tenha sido tratada mais como sub-missão do que como algo mais importante, ela foi importante para desenhar o futuro de Sarah, como já comentei acima. Nos próximos episódios deveremos ter de volta a trama envolvendo a mãe de Chuck, além de Ellie e Devon, que acertadamente foram deixados de fora aqui (nada contra os dois, mas eles realmente eram desnecessários). E provavelmente veremos os desdobramentos da repentina mudança de Sarah no desempenho de Chuck como espião.
Voltando a apresentar um grande episódio, Chuck mostra que pode ainda render ótimos momentos, deixando seus fãs menos preocupados com o futuro da série, que pela primeira vez poderá ser renovada sem maiores sofrimentos. Se continuar assim, fechará muito bem a temporada.
Obs: O Thiago não mais poderá cobrir as reviews de Chuck, então daqui para frente eu escreverei os textos da série. Espero que gostem. Afinal, a opinião de vocês é realmente importante para mim.
No twitter: @GabrielOliveira














