Ações e suas consequências.
Nenhuma decisão na vida é fácil e, com certeza, sempre tem uma consequência. Em Ambush Predator Chicago Fire começa a reencontrar o seu caminho, mostrando que cada ação, muito mais que uma reação, tem uma consequência; e muitas vezes as escolhas que temos são entre uma coisa ruim e outra pior.
O resgate comandado por Casey no acidente envolvendo o Capelão Orlovsky foi um dos pontos altos desse episódio. Sim, Chicago Fire é uma série sobre bombeiros, então resgates ou incêndios são comuns; o que fez deste especial foi o fato de ter como uma de suas vítimas um membro muito querido e respeitado do corpo de bombeiros.
Assim, a decisão tomada pelo tenente foi difícil, mas ao final mostrou ser correta. Foi muito interessante vê-lo lidar com o medo das consequências dela depois do ocorrido; por mais bem treinado que ele seja, quando um ente conhecido entra na equação, os valores podem mudar (mesmo que não devam), e vê-lo se questionar, ainda que tentando não transparecer para os seus comandados, mostrou sua fragilidade ao trazer para o seu trabalho um elemento pessoal. Mais uma vez coube a Hermann apoiar um dos seus líderes, mostrando a ele que fez o melhor possível em uma situação difícil. Acredito que estes momentos são sinais que Hermann está mais que pronto para ser o tenente de sua própria equipe, afinal, demonstra ter sensibilidade e maturidade para lidar com situações difíceis como esta.
Gostei de ver que o cliffhanger da semana passada está sendo desenvolvido de uma maneira mais lenta, pois assim, os roteiristas tem tempo de trabalhar melhor as situações envolvendo a investigação de Severide e Dawson sobre o agora confirmado incêndio criminoso que causou a morte de Shay.
Confesso que fiquei cismado com a dificuldade de acesso aos arquivos da investigação do incêndio. Seria o departamento dos bombeiros de Chicago tão burocrático quanto qualquer repartição pública brasileira, ou o investigador queria dificultar o acesso por algum motivo escuso? Pode não ser nada, mas achei suspeito.
Um ponto negativo, entretanto, foi a maneira como está sendo tratada a reação de Brett e Mills ao sequestro do qual foram vítimas. Enquanto a primeira aceita procurar a ajuda oferecida, ela não parece traumatizada. Já Mills, que na review passada eu pedia por alguma reação a tudo que vinha passando, age da forma mais clichê possível ao atacar um agressor em caso de violência doméstica. Faltou mais cuidado e originalidade no desenvolvimento desta história.
Fiquei bem satisfeito em ver a família Boden ser mantida em foco, agora com a adição do avô do pequeno Terrence. Sempre quis saber mais sobre o chefe, um personagem fechado, e vê-lo interagir com o seu pai foi bem interessante. Se primeiro havia o desconforto com ele se metendo na maneira como o chefe e Donna estavam tratando do filho, após a revelação do câncer em estágio avançado, foi emocionante vê-lo sofrer com a possibilidade da perda do pai. Estou ansioso pelo desenrolar deste arco.
O lado cômico de Chicago Fire volta a este episódio ao sabermos que Hermann, ou melhor, Cachorro Louco Hermann, está voltando a ser técnico da liga de hockey de crianças de Chicago após uma suspensão de dois anos. A sua “preleção” com sua equipe é hilária e ao mesmo tempo bem realista, já que muitos pais perdem o senso do ridículo ao verem seus filhos praticando esportes, mesmo em tão tenra idade. Eu sei bem disso, já que via meu pai enlouquecido nas arquibancadas nos meus jogos de futsal, aos 7 anos de idade.
No geral, esse episódio foi bom e superior ao anterior. Acredito que houve um equilíbrio melhor nas histórias, bem como uma escolha mais acertada em diminuir o ritmo do desenvolvimento das tramas mais complexas, tendo outras histórias mais curtas se entrelaçando. Desta maneira, narrativas mais elaboradas, como a investigação de Severide e Dawson, devem ser tratadas com mais cuidado. Da mesma forma, poderemos acompanhar com calma o crescimento do pequeno Terrence e a maneira como a doença do seu avô irá impactar na vida de Boden – suspeito que há uma mágoa dele para com seu pai, e acho que isso virá a tona nos episódios por vir. Confesso que espero ansioso para que possamos ver o Cachorro Louco Hermann em ação, surtando com árbitros e pais de outras crianças.
Melhor momento:
A troca de olhares entre Casey e o Capelão Orlovsky. O veterano de NYPD Blue, Gordon Clapp, e Jesse Spencer tem um momento tocante, o que mostra que uma boa interpretação não precisa de palavras.
Pior momento:
Não que seja perseguição, mas os poucos momentos de Cruz não adicionaram em nada. Acho que o desconforto de Brett no momento em que fala sobre sua “criatividade” sexual é mais ou menos o que todos os expectadores sentem com a sua participação.
Observações finais:
1 – A maneira como Dawson e Casey estão se relacionando após o final de seu namoro/noivado parece mais orgânico e coerente. Gosto de ver que estão tendo dificuldades com a mudança da natureza da relação e do nível de intimidade. Com certeza um ajuste melhor em relação ao episódio anterior.
2 – Foi curioso descobrir que o pai do Chefe Boden é um detetive de polícia aposentado, no entanto, fiquei mais intrigado em saber que ele tem uma grande influência na vida de Mouch – espero que detalhes deste relacionamento sejam revelados no futuro.
3 – O Bobby Hull que Hermann diz ter jogado com o Capelão em sua juventude é um dos maiores jogadores de hockey no gelo da história. Se Orlovsky era tão bom quanto o amigo o esporte perdeu um craque.
4 – Otis está cada vez mais irrelevante: em um episódio onde a grande a maioria do elenco teve um momento seu, é preocupante vê-lo sempre reduzido a ser um alívio cômico. Espero que em breve volte a ter destaque.













