Chegamos (e de patins) na segunda metade dessa temporada de Broad City.
E apesar da sugestão que o nome nos dá, The Matrix passa longe da ficção científica, mas aposta em seu time que sempre ganha: a mistura entre o super-realismo e o surrealismo. O episódio começa com Abbi e Ilana tentando decidir a que filme vão assistir (Até porque, quem nunca?) e acabam passando horas na internet, cada uma em seu notebook, completamente alheias a companhia uma da outra (Sério, gente, quem nunca?).
Quando elas se dão conta disso, as amigas decidem ir ao casamento do cachorro do irmão de Ilana, Elliot, desconectadas da “The Matrix” (créditos), por isso deixam os celulares em casa e sobem em seus patins para aproveitar a vida real, o ar puro e a natureza. O que continua a me impressionar em Broad City é a naturalidade com a qual as coisas mais absurdas acontecem (and I think that’s beautiful). Tudo o que envolve o casamento dos cachorros é retratado, mas não precisa ser justificado, porque é esse o tipo de universo no qual a série quer viver – um lugar onde é completamente aceitável você decidir casar o seu bichinho de estimação só para poder pegar o dono do outro cônjuge envolvido. De Lincoln decidindo que roupa usar, os outros convidados humanos e caninos, a decoração até a cerimônia em si, tudo é satisfatoriamente fora dos trilhos.
Mas é claro que a empreitada das amigas até o casamento não acontece tranquilamente. Abbi cai dentro de um buraco e Ilana sai em busca de ajuda, mas ambas se envolvem em algum tipo de aventura. Com o pé torcido, dentro de um buraco fundo demais para ser escalado, Abbi começa a fuçar na mochila de Ilana e “fazer seu ninho” com os pertences da amiga: tecido de mágica e fotografias suspeitas se tornam itens de decoração e objetos inanimados, como o Sr. Figo, se tornam companheiros.
Já Ilana se aventura na batalha contra a sua própria falta de foco. Enquanto tenta usar suas habilidades com a natureza para encontrar o local do casamento e chamar ajuda para Abbi o mais rápido possível, ela se arrasta pelo chão, mastiga grama, começa a se pegar com uma árvore e nada disso a aproxima do seu objetivo aparente. Mas como o próprio irmão dela fala “Oh, she’s gonna make it all about her”, Ilana é um ser centrado em si e, por ser essa personalidade tão peculiar, todos devemos agradecer e agradecer por isso.
Entre mortos e feridos, vemos Abbi e Ilana saírem da experiência fora da “The Matrix” salvas, mesmo que nunca sãs. E é justamente o que rende ao sexto episódio dessa segunda temporada linhas narrativas mais concretas e, consequentemente, um aspecto mais sólido, inclusive se comparado ao episódio anterior.
Observações:
– Todo o aspecto da comédia física presente por conta das personagens passarem o episódio todo andando de patins foi um ponto alto para estabelecer tom da história.
– Os estrangeiros que encontram Abbi no buraco, mas fingem que não sabem falar em inglês só para não precisar ajudar representam bem uma atitude do estereótipo de Nova York. E isso nunca foi tão divertido.
– A cerimonialista que oficializa o casamento canino é a definição perfeita de como as participações especiais em Broad City são pensadas de modo a transmitir muito com pouco tempo de tela. Ela me irritou e me emocionou aparecendo apenas poucas vezes no episódio.
– Os números musicais dessa temporada têm me feito muito feliz. Tanto pela presença, quanto pela qualidade. Alguém com talento para edição de vídeos, favor fazer uma compilação com todos esses momentos gloriosos para assistirmos em dias tristes e cinzentos. A humanidade agradece.













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