
Que diabos de episódio foi esse?
Spoilers Abaixo:
Como um episódio com uma série de simbologias centradas na guerra, na luta, no comprometimento de um ideal, pode ser tão frio e ralentado? E não adianta vir me falar dos poucos tiros ou do cutelo. Essa foi uma das experiências menos empolgantes de Boardwalk Empire.
Como sempre, através do título compreendemos um pouco o que o roteiro pretende com os personagens. E eu, já sabendo disso, fui todo empolgado assistir ao episódio nove da segunda temporada, e que se traduziria como “A Batalha do Século”. Claro que se tratava de BE e isso poderia ser apenas uma licença poética, mas diante dos acontecimentos da semana passada, eu esperava muito. Muito mesmo.
E aí o que veio foi o desvio. Como num bom filler que se preze, o que veio foi o desvio. E então alguém dirá que foi pelo bem maior – o do season finale – mas essa desculpa não me desce muito bem.
Estava tudo dentro do sentido. Nucky renunciou a seu cargo e precisava encontrar uma maneira de ganhar dinheiro. Começa então a vestir com cada vez mais força o uniforme de gângster e vai trocar armas com os irlandeses por bebida. O IRA (Movimento terrorista que buscava a independência da Irlanda) teve suas origens a partir da década de 20 e Nucky se aproveita de sua ligação com o empregado irlandês para conseguir conexões. Tudo totalmente dentro do sentido e da proposta histórica. Mas a pergunta é: depois dos eventos da semana passada, era isso mesmo que queríamos ver?
Do outro lado, tivemos Jimmy em sua posição de chefão, mas não fazendo nada mais do que o que já vinha fazendo antes, ou seja, confirmando sua instabilidade e fazendo e destruindo alianças. E tivemos Margaret, vivendo o início de sua batalha contra a doença da filha. Tivemos também aquele flerte de investigação com Esther, mas nada muito importante foi dito ou feito. E por fim, aquele plot preguiçoso ligado de forma irregular à figura de Chalky.
Do que diz respeito a Jimmy, nada se pode dizer até que ele sinta realmente o efeito do que conseguiu com a renúncia de Nucky. Por enquanto, ele continua só sendo Jimmy. Com aquela mesma cara apática, confirmando alianças que provavelmente ele trairá depois. Até suas cenas com Richard foram inúteis, e não fizeram nada mais do que repetir as mesmas expectativas.
Margaret segue em sua espiral de enganos e agora passamos o episódio inteiro vendo-a viver o drama da doença da filha. Algo que pelo menos por enquanto parece totalmente aleatório.
E o episódio que evoca as batalhas em seu título nos oferece como souvenir de exemplificação visual apenas um motim na cozinha de um restaurante, uma tentativa de assassinato vencida com um cutelo e uma execução vista no fundo de uma cena. Isso se formos atentar para o que não era implícito, porque o implícito realmente não existiu nesse episódio. A falta de orientação desse roteiro estava clara, e o péssimo feeling de colocá-lo logo depois do que aconteceu semana passada, evidente.
Sentado diante do computador, percebi que toda a divagação sobre Boardwalk Empire dessa vez seria impossível. Que os textos semanais, tão cheios de conexões psicológicas, se resumiriam a isso que vocês estão lendo aqui. Não houve essa semana, um só filete de complexidade. Só vimos a mesma repetição de comportamentos e atitudes que, revestidas de muito apuro técnico, se esforça para passar despercebida.
Fica a esperança de que saiamos desse marasmo dramatúrgico, uma vez que faltam apenas quatro episódios pro fim. Não é hora de tentar nos ludibriar com enrolação. Por mais que essa enrolação esteja cheia de contexto histórico e mortes chocantes. No fundo, é tudo só enrolação.














