Agora eu quero falar com você. Sim, você que frequenta o Série Maníacos assiduamente para comentar as suas séries favoritas. Tenho uma única pergunta para lhe fazer: Por que você ainda não assiste Boardwalk Empire? Texto delicioso e direção excepcional. Enfim, obrigação moral de todo e qualquer seriador.

Spoilers Abaixo:

Toda semana é a mesma coisa, um episódio melhor que o outro. Se os anteriores já foram excelentes, este conseguiu empolgar ainda mais. Foram tantos bons momentos que é difícil escolher por onde começar. Pra facilitar, vamos começar pela primeira cena. Na review anterior, comentei o quão difícil seria pro Jimmy abandonar novamente sua família. Me enganei feio. O episódio começa com o rapaz dormindo ao lado de uma prostituta. Mas, pensando bem, depois de tanta indiferença da esposa dele e da suspeita de traição dela, enquanto o coitado sofria na guerra, tá certo ele.

Me assustei quando Al Capone entrou no quarto e apontou a arma pro Jimmy. Não duvidei que ele fosse capaz de atirar. Ainda bem que, mais uma vez, eu me enganei. O relacionamento dos dois é um dos pontos mais interessantes na série. Agora, lado-a-lado, os dois prometem movimentar bastante a história. O mais legal deste plot é que Al Capone e Jimmy têm visões bem diferentes dos negócios. Jimmy é a favor de chegar devagar e ir conquistando território aos poucos. Al Capone, ao contrário, chega dando voadora e chute na cara (literalmente). Apesar desta diferença, os dois, aparentemente se dão bem. Até acho estranho essa amizade deles. Cá entre nós, Al Capone não é muito amigável. Talvez por isto, seus métodos sejam mais eficientes. Sua promoção e ascenção no mundo da máfia já começou.

Quanto à nova companheira de Jimmy, já sofreu as consequências de se relacionar com ele. Pobre moça, cortaram o rosto dela. Recado dado Jimmy, estão atrás de você. E tem gente atrás dele em Atlantic City também. Só que neste caso, a mãe dele parece ser mais, digamos assim, agressiva. Bateu a porta na cara do sujeito e depois passou logo a mão no saco do rapaz. Ela tem seu jeito próprio de conduzir as coisas. E como todo homem não se rende a esse tipo de encanto, o vilão parece que vai ser levado no papo. Isto também vai ser interessante. Sorte do Jimmy que tem um amigo arretado de um lado e uma mãe bem gostosa, do outro. Deste jeito, seus inimigos que se cuidem.

Outro ponto bem curioso de assistir é a discussão do feminismo e a introdução do voto das mulheres nas eleições. O texto, especialmente nestas cenas, é ótimo. Embora as falas da maioria dos personagens sejam bem machistas, refletem o pensamento de uma época. É hilária a sequência em que a putinha de Nucky é questionada sobre assuntos políticos. “Não sei nada a esse respeito, mas a França é linda”. Porém, logo depois, Margareth faz contraste e mostra o engajamento político de algumas mulheres na época. Nesse sentido, Nucky parece ostentar a moça com orgulho, enquanto demonstra vergonha da sua acompanhante oficial. A afeição de Nucky por Margareth é escancarada e a química entre os atores é perfeita.

E já que o assunto é Margareth, o episódio chegava ao seu final e eu me perguntava: E essa Anastasia? É o título do episódio, foi citada no começo dele e mais nada? Cadê ela? Eis que Margareth caminha pela rua e lê a manchete de que a suposta Anastasia havia sido desmascarada. A impressão que fica é que ela é a verdadeira Anastasia, a princesa. Será? Se ela é ou não, nós vamos descobrir. Mas o fato é que ela já conseguiu roubar a cena e se impor como uma das grandes personagens no meio desta história toda. A cena em que ela dança com Nucky e discute política na festa é emblemática.

E não para por aí. O episódio ainda reservou outros grandes momentos. A reunião da Ku Klux Klan impactou. Cena forte, discurso forte. É curioso olhar o passado. Principalmente quando ele é tão bem retratado. O diálogo entre o filho do negro assassinado e o líder da KKK também foi intenso. O tipo de cena em que a tensão é latente e na qual seus olhos ficam fixos, tamanha tensão no ar. No entanto, apesar de tudo isto. O xerife e Nucky continuam sem saber o verdadeiro autor do assassinato.

Pra completar, Nucky. Fodástica a cena em que o funcionário dele entrega uma grande quantidade da bebida preferida do senador com um bilhete, “Sim, eu quero tudo”. A ambição de Nucky não tem tamanho. Para isto ele não mede esforços. Vai desde a investigação do responsável pelo assassinato do funcionário de Shalk, pra não perder apoio entre os negros. Até organizar uma festa e subornar os poderosos políticos, a fim de garantir a construção de estradas que favoreçam o turismo em Atlantic City.

Enfim, agora as peças já estão mais ou menos posicionadas e eu quero saber como elas vão se movimentar neste tabuleiro. Faça suas apostas e, claro, não deixe de dividir as suas opiniões com a gente. No twitter, você me encontra aqui. Um abraço!

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