“O caminho tem boas escolhas e más escolhas. Esta é uma má escolha de caminho”. – Saul Goodman
Escolhas. Os motivos pelos quais Saul falou a Kim sobre boas e más escolhas são diferentes, porém não há nada que defina melhor Better Call Saul do que a frase que dá início a esta review. Esta é uma tecla em que venho batendo insistentemente nas críticas anteriores, porém o próprio episódio desta semana mostra que não há como fugir de analisar a série a partir deste ponto de vista.
Saul Goodman só existe a partir das más escolhas de Jimmy McGill. Desde a primeira temporada vimos o personagem optar sempre pelo caminho mais fácil e, ainda que tenha sido extremamente “incentivado” pelo desprezo do irmão, ele poderia ter utilizado suas habilidades e inteligência de outras maneiras. Contudo, a verdade é que Chuck sempre esteve certo a respeito de Jimmy e ele teria chegado ao mesmo lugar não importassem quantas oportunidades ele tivesse de seguir por outro caminho – fato este que foi inclusive ressaltado por Mike na conversa que os personagens tiveram no carro após Saul ser derrotado pelo banana do promotor Oakley.
Bad Choice Road foi completamente voltado para as conseqüências das más decisões de Saul e, em particular, de sua relação com o tráfico. Se o episódio anterior mostrou que ele é um sobrevivente, este tratou de retratar claramente o tipo de encrenca que atraiu para si, passando desde um stress pós-traumático até uma ameaça extremamente grave que, desta vez, não envolveu apenas ele, mas também Kim. O trauma, como ressaltado por Mike, eventualmente será superado por Jimmy (afinal ele é um sobrevivente), porém as conseqüências das ameaças de Lalo devem ser muito piores – especialmente na relação com Kim.
E a advogada realmente é o ser mais indeciso do universo. Não bastasse a indecisão entre seguir pelo mesmo caminho de Saul ou pelo correto, ela nem mesmo consegue prosseguir em uma linha profissional por muito tempo. Desde que saiu da HHM, esta é a 3ª vez que Kim muda os rumos de sua carreira profissional por nunca estar satisfeita com os rumos que ela toma. É verdade que seu objetivo principal tem sido os casos pro bono, porém Saul tem razão quando diz (escolhendo as palavras erradas, é verdade) que largar o Mesa Verde para viver apenas ajudando quem mais precisa é uma má escolha.
O pior de tudo é que emitir sua opinião a Kim não foi também a escolha certa para Saul. Ela aceita as trambicagens dele, enfrentou Lalo maravilhosamente defendendo-o com unhas e dentes, mas ao apoiá-lo em todas as suas decisões ela também exige que ele faça o mesmo com relação a ela. Kim não espera que ele concorde com tudo, porém cobra de seu agora marido que fique ao seu lado qualquer que seja a decisão que ela tome. Será que no final será isso que irá separar o casal?
A participação de Lalo Salamanca em Bad Choice Road foi incrível e é uma pena que provavelmente ele acabará saindo de cena pelas mãos de Fring. O sobrinho de Hector Salamanca é mais um exemplo de como a série constrói bem seus personagens e fornece um roteiro que permite aos atores desempenhar suas funções com maestria, pois a atuação de Tony Dalton talvez não pudesse ser tão impressionante se o texto não fornecesse momentos tais como o de Lalo confrontando Saul. Aliás, bem provável que “Tell me again” acabe entrando para rol de frases marcantes do Universo Breaking Bad.
Do outro lado da disputa, o episódio trouxe Fring armando o bote para tirar de vez Lalo do seu caminho, porém sem que isso se volte contra ele. A descoberta de que foi Juan Bolsa que tentou impedir que Saul levasse o dinheiro da fiança de certa forma também dá mais confiança a Gus para prosseguir com seus planos, pois apesar da ação de ter atrapalhado a estratégia de Fring, a intenção de Bolsa era manter Lalo preso para terminar com a disputa entre as duas facções. E se o retorno inesperado de Salamanca para ameaçar Saul exigirá que Gus mude sua estratégia, é necessário lembrar que Lalo também teve que mudar seus planos e precisará entrar no México sem a proteção dos primos e ainda por cima com Nacho. Vem diversão das boas por aí!
Better Call Saul chega ao último episódio da temporada com tudo para transformá-la na melhor da série até o momento. Bad Choice Road foi mais um episódio pensado nos mínimos detalhes e ainda abordou em maior ou menor grau todos os plots principais da temporada. A expectativa para a season finale é muito alta e espera-se que ela dê uma resposta definitiva para os destinos de Lalo Salamanca, Nacho Varga e, especialmente, Kim Wexler. As minhas apostas são: morte dos dois primeiros e Kim deixando Saul e mudando-se de Albuquerque. Alguém mais quer arriscar seus palpites?
Observações
A cena de Lalo na casa de Jimmy, com Mike apontando a arma para sua cabeça e Kim passando na frente passou a sensação de que ela pudesse levar a pior naquele momento. Isso foi uma ameaça de morte da personagem para que os espectadores se convençam de que ela não irá morrer (e então matá-la) ou será que dá para confiar que ela sairá da vida de Saul de outra forma?
Mike bem que tentou, mas Fring não permitiu que Nacho seguisse seu caminho. Mas não podemos negar que Gus tem razão quando diz que “um cão que morde todos os donos que já teve só pode ser disciplinado com uma mão firme ou sacrificado”.
Lalo fez uma última visita a seu tio e, além dos sempre ótimos momentos que Hector proporciona apenas com resmungos e olhares (sensacional ele mostrando todo a sua “alegria” com o momento dos parabéns de Louise), também serviu para nos posicionar sobre quando Tuco Salamanca deverá assumir o controle dos negócios em Albuquerque (visto que é ele o primeiro contato de Walter e Jesse em Breaking Bad).














