Este é um triste caso de série que sofreu por problemas externos e pela falta de bom senso. Passando pela séria doença que acometeu seu protagonista até o problema de não saber quando terminar a série, Spin City definhou perante seu público até não poder mais.

A série tinha todo o potencial para ser considerada como um dos melhores sitcoms da história, mas, em vez disso, será para sempre lembrada pelos obstáculos que sofreu, os entraves que lhe foram sendo impostos durante suas seis temporadas e a resistência a uma morte anunciada que tendeu a prolongar-se demais.

Mike Flaherty (Michael J. Fox) é o adjunto do prefeito de Nova Iorque, Randall Winston (Barry Bostwick), que vive para o seu trabalho, assegurando que todos os caprichos do seu patrão sejam atendidos, ainda tendo tempo para se meter em aventuras amorosas com algumas das mais bonitas mulheres da cidade.

A equipe era composta por Carter (Michael Boatman), um negro homossexual que costumava taxar tudo como discriminação; Stuart (Alan Ruck), um tarado desprovido de moralidade; James (Alexander Chaplin), o escritor responsável pelos discursos do prefeito; Nikki (Connie Britton), uma mulher atraente que passa a vida em relações amorosas conturbadas; Janelle (Victoria Dillard), a secretária do escritório, e Paul (Richard Kind), o mesquinho e maluco assessor de imprensa.

Com duas primeiras temporadas incrivelmente hilárias, Spin City podia orgulhar-se de seu roteiro politicamente incorreto, dos seus personagens engraçados e de um elenco diversificado que sabia fazer humor de alto nível. As exceções eram apenas as personagens Nikki e Janelle, que eram as mais racionais e sensatas no antro de loucura que era a série.

Os problemas se iniciaram a partir da 3ª temporada, quando os personagens de Michael J. Fox e Connie Britton começaram a se envolver num relacionamento. Faltou ao casal a química que tinha sido tão atraente quando eles apenas flertavam entre si nas duas primeiras temporadas. Quando finalmente veio a 4ª temporada, as grandes mudanças começaram. Antes do início da temporada, Michael J. Fox anunciou que era portador do Mal de Parkinson, o que levou os produtores da série a contratarem a atriz Heather Locklear, que deveria diminuir a presença que o personagem de Fox tinha na série até o momento. A atriz mostrou-se uma boa inclusão ao grupo, mas a série já apresentava sinais de desgaste. Ao fim da temporada, Michael J. Fox decidiu sair do show e com ele saíram Bill Lawrence (Scrubs), um dos produtores executivos e criadores da série, além dos atores Alexander Chaplin, Connie Britton, Victoria Dillard, e alguns produtores e roteiristas.

A série teria tido um final perfeito com o episódio de despedida de Michael J. Fox, mas alguns dos produtores que restaram decidiram continuar com o show. Mantendo alguns membros do elenco e trazendo Charlie Sheen para substituir Michael J. Fox. A verdade é que a série nunca mais conseguiu ser o que tinha sido anteriormente. A química entre Heather Locklear e Charlie Sheen foi excelente, mas as tramas e a qualidade do roteiro decaíram bastante.

Para agravar seus problemas contribuiu um costume inexplicável que acontecia com certa freqüência na série: o fato de personagens desaparecerem e nunca mais ninguém sequer os mencionar. Muitos do atores que abandonaram a série não tiveram nenhuma explicação para o sumiço dos seus personagens. É uma pena que uma série com tanta qualidade optasse por este tipo de resolução completamente descabida.

Admiravelmente, durante a 6ª temporada, a série começou a melhorar bastante, lembrando os seus melhores momentos, mas infelizmente a queda brusca na audiência levou ao seu cancelamento. No fim, a série nos deu um Series Finale sem graça e de pouco valor se comparado a tudo que foi visto ao longo dos anos.

Com altos e baixos, Spin City ainda tem um bom saldo positivo, entrando facilmente numa lista dos grandes sitcoms americanos. Enfim, merecidamente memorável.

Artigo anteriorCalifornication – Season 3
Próximo artigoHomens de verdade que você só vê nas séries de Sci-Fi